Rotatividade: O fenomeno da Propaganda Moderna

SATISFAÇÃO – Com 25 anos de idade e 14 agências no currículo, o diretor de Criação da Ponto D Comunicação Interativa (PB), Anderson Lima, mais conhecido como Caniço, já atuou como diretor de arte/ilustrador em Alagoas, Pernambuco e Paraíba, até ser convidado para dirigir a criação da Ponto D. “Na maioria das vezes procuro outra vaga por não sentir segurança no rumo da empresa. Não acho que fazer parte da mesma equipe por muito tempo seja sinal de estagnação. Ganhando respeito na equipe é possível ousar, opinar, planejar a vida pessoal, sabendo que em uma profissão cheia de altos e baixos, seu próprio trabalho acaba sendo uma segurança”, esclarece. Ele acredita que falta por parte das agências habilidade maior na gestão de pessoas, analisando o que torna a vida do publicitário mais difícil. Às vezes ações muito simples podem elevar o nível de satisfação da equipe. “Na maioria das agências que trabalhei, quando houve movimentação para organizar setores complexos como a criação, visava-se sempre o aumento da produtividade. Não visar à satisfação é um erro. Ninguém precisa de ‘cabresto’ para produzir mais, precisa vestir a camisa. E a gente só veste uma camisa quando torce para o time”, observa

O sócio da Steer Recursos Humanos, Ivan Witt, avalia que há muitas empresas que possuem pacote de compensação competitivo, mas esquecem que os empregados anseiam por qualidade de vida. Outras, que possuem ambiente harmonioso e oferecem boas condições de trabalho, e nem sempre são competitivas na remuneração. “Ter saúde, tempo disponível para coisas particulares, sair no horário para conviver com a família e amigos sem ser submetido a olhares dos chefes e colegas; trabalhar com segurança física e emocional; e, além disso, ter uma boa remuneração”, defende.

A demissão começa numa contratação errada: tanto o profissional quanto a agência devem saber com quem estão lidando. A transparência e sinceridade devem ser um bom primeiro passo. O diretor de Criação da Ponto D ressalta que tanto profissional quanto empresa costumam mentir para ajustar a contratação e isso só resulta em decepção, num futuro não muito distante.

ESTORVO – Mas se por um lado há profissionais que rodam demais, por outro, há empresas que vivem a renovar o quadro sob o pretexto de dar sangue novo à equipe. O diretor de Criação da Chama Publicidade (AL), Hermann Fernandes, assegura que a presença do pessoal de criação junto ao cliente, por exemplo, é bem mais constante que anterior-mente. “Isso cria laços, fortalece relacionamento e aponta para um questionamento: até que ponto é interessante para o cliente encontrar sempre ‘caras’ novas na sua agência?”, questiona. Para Hermann a rotatividade exagerada sob o pretexto da renovação necessária das idéias é um argumento fraco que tenta esconder a falta de integração e compromisso entre empresa e colaborador. Ou vice-versa. “Não dá pra imaginar uma construtora mudando constantemente os engenheiros. Uma fábrica mudando os trabalhadores. Um time de futebol mudando todo dia a equipe. Opa, isso dá. E o resultado a gente vê na falta de entrosamento, de união e compromisso com o futuro do time. Então por que seria diferente numa agência?”, compara.

De acordo com o sócio-diretor de Atendimento da Eclética Comunicação (PI), Vinícius Melo, a rotatividade de profissionais nas agências é uma situação que chega a causar estorvo. Uma das maiores preocupações na Eclética é com a questão ética. “Não desejamos que informações privilegiadas dos nossos clientes sejam expostas ao mercado pelo profissional que está nos deixando. Muito menos admitimos incursões, desta natureza, no profissional que está chegando à agência. Na verdade, a rotatividade aqui é muito pequena e muitos saíram para montar o próprio negócio, um reflexo de que o profissional fica tão caro que começa a ficar difícil sua contratação”, constata. Com relação à motivação, Vinícius diz que já foi começado um estudo para implantar, respeitando a legislação vigente, um programa de PL (Participação nos Lucros).

Na outra ponta, a sócia-diretora da Assessoria de Imprensa Oficina da Notícia (PE), Adriana Maia, acredita que as pessoas devem buscar oportunidades que possam ser interessantes ao crescimento profissional. “Não se deve ficar na mão de ninguém. As pessoas têm que ter liberdade de escolha e procurar trabalhar no que gostam. Sempre é importante reconhecer os acertos, dar oportunidade e ensinar e aprender com eles. Um ambiente legal, também faz a diferença”, informa.

Após um ano atuando como funcionária, Adriana Maia foi convidada a ser sócia da Oficina da Notícia (PE), cuja matriz fica em Natal, com acordos operacionais em mais estados nordestinos. E o sócio-fundador da Oficina da Notícia, Rilder Meneses (RN), acredita que um dos diferenciais de sua empresa está na retenção dos talentos e na perspectiva que todos têm de crescer juntos. Ele diz que tenta motivar a equipe investindo bastante em treinamento, cursos e na participação de eventos. “Hoje temos aproveitamento muito grande dos estagiários, que acabam se formando e sendo aproveitados como profissionais”, confessa.

A Oficina da Notícia adota ainda política de remuneração que inclui o salário fixo mais renda variável, de acordo com alguns critérios de produtividade e lucro. A empresa chega a pagar integralmente a universidade para alguns funcionários. Em Natal, foi adotado como critério o número de clientes atendidos por cada assessor. Se ele já tem sua carteira cheia e pega novo cliente, recebe um percentual diretamente relacionado ao seu salário.

Em dez anos de atuação, Rilder comemora o fato de a Oficina nunca ter perdido um funcionário para a concorrência. “O que acontece, às vezes, é alguém deixar a empresa para voltar para os veículos ou para excelente emprego no setor público ou privado”, relata. “Se a empresa não consegue reter talentos ela tem problemas”, aponta.

Conhecida pelas palestras de Motivação que ministra em diversas empresas, a diretora da Prossiga RH, Selmi Aquino, ressalta que uma das questões que passa despercebida é a seleção de pessoal. A seleção acertada vai determinar, em parte, o tempo de permanência do profissional na empresa. “É necessário descobrir, além das competências, os anseios e visão da pessoa para sua carreira. Se um indivíduo deseja ter ascensão profissional e a empresa não tem plano de carreira para cada categoria de cargos, dificilmente ele permanecerá na organização”, abaliza.

VALORIZAÇÃO PROFISSIONAL – E por falar em motivação, a baiana Viamídia tem ambiente de trabalho bem singular. De acordo com o sócio-diretor de Atendimento, Américo Neto, profissionais do mercado desejam trabalhar com eles. Sem falar que conseguem reter alguns talentos com políticas, digamos, bem agradáveis. Para começar, ele diz que não há “sala de diretor”. Cada um se senta junto com os outros da sua área, sem divisórias ou qualquer coisa deste tipo. Sem falar que ninguém é punido pelos erros. “Antes cobrávamos financeiramente de quem errava e dava prejuízo, hoje buscamos a melhoria pessoal e profissional”, expõe.

Entre os diferenciais praticados pela Viamídia, podem ser citados o Happy Hour para cada momento bom da empresa, seja uma conta nova ou meta atingida; o Cine Viamídia, com filmes exibidos na sede nos dias de quarta (não é fixo). Há ainda a Quinta do Vinho. “Tiramos alguns dias de quinta, ao longo do ano, para tomarmos vinhos na nossa área verde. Outra prática é a reunião geral toda segunda-feira de manhã, com os funcionários, de todos os departamentos, onde analisamos o que está ou não está funcionando e ouvimos a nossa equipe, seus desejos e suas reclamações. Há vista para o mar em todas as salas e os funcionários internos podem trabalhar de bermuda. Sem falar do Horário Especial de Verão, com uma tarde de sexta de folga para cada pessoa no verão”, orgulha-se Américo.

E tudo na Viamídia é bem democrático e decidido em votação. Inclusive a marca atual, que foi definida ano passado para comemorar os dez anos da agência. “Uma curiosidade: a marca eleita não recebeu nenhum voto dos sócios”, brinca. E quem pode confirmar tudo isso é a executiva de Atendimento da Viamídia, Milena Tapioca. Ela diz que na empresa existe a preocupação com a satisfação pessoal de cada funcionário. “Pela minha trajetória nesses dois anos, pelo crescimento gradativo na empresa e pelas conquistas desde que entrei na Viamídia, posso afirmar que é uma relação que tem dado certo e promete render ainda bons frutos”, aposta.

autora: Luciana Torreão
fonte: Revsita Pro News

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