Quando tudo é mídia

Como fazer um plano de mídia em época em que o próprio corpo das pessoas é midiático?

Para entender melhor para onde vão as conexões entre empresas e consumidores, estive durante dois dias no Mídia Santa Catarina 2010, em Florianópolis.

Muitos dados apresentados no evento são impressionantes, como o caso do jornal Meia Hora, do Rio de Janeiro, um dos maiores em circulação no Brasil e que tem, acredite, apenas 14 jornalistas e nenhum fotógrafo, segundo Paulo Fraga, diretor comercial do grupo O Dia.

Daniel Gunji, diretor de interatividade da Fischer + Fala, explicou o case do Mini Cooper, onde era mais importante levar o internauta para ver e ser convencido pelas opiniões de outras pessoas do que levá-lo diretamente para a opinião oficial da marca. Nesse caso, os cliques a mais valiam à pena.

O exemplo da Dafra foi o de como não fazer nas mídias sociais. Ao exigir a retirada do vídeo-crítica-pesada do ar, potencializou sua audiência.

Também o portal Amazon pisou na bola. De uma hora para a outra baniu de seu portal todo conteúdo relacionado a homossexualismo e, quando questionada, a empresa ficou sem dar resposta, levando ainda um mês para voltar com o conteúdo ao ar.

Já Tiger Woods, com o case “caminhando sobre a água”, saiu ileso e ainda potencializou audiência e fãs, quando a empresa transformou o bug do game onde ele dava uma tacada sobre a água em sucesso nas redes a partir de um bem humorado vídeo onde o esportista repetia propositalmente o defeito do game.

Aline Sordili, gerente de projetos em conteúdo, revelou que o portal R7 está rindo sozinho pelo sucesso e crescimento vertiginoso de sua audiência desde sua implantação muito bem acertada e focada na fórmula entretenimento + notícia = informação leve, facilmente assimilável e o melhor: clicável e encaminhável!

Conhecemos a primeira publicação voltada exclusivamente para a Olimpíada de 2016, a ISTOÉ2016, que chega ao mercado este ano e tem prazo para término. Encerra com o fim dos jogos e estará disponível também na versão digital, segundo Isabel Povinelli, diretora de marketing da Editora 3.

Fiquei bem impressionado com o conteúdo sobre Outernet, na palestra de Fábio Ribeiro, diretor da Band Outernet. A mídia digital OOH (out of home) já atinge 68% da população da Grande São Paulo. O 2º maior grupo de comunicação da China é outernet e, entre 2008 e 2009, esse foi o segmento de mídia que mais cresceu no Brasil, com 54,55%.

Vanessa Tobias revelou, na palestra sobre coaching, que apenas 3% das pessoas em todo o mundo planejam suas vidas e que, destas, somente 1% tem equilíbrio em todas as áreas da vida. A profissional tem em seu currículo treinamentos a grandes empresas e grupos. Com sua comunicação fácil e acessível conduziu muito bem os presentes à reflexão. Desenhamos casa, gato, árvore e um sol enquanto aprendemos a buscar o desenho por uma vida melhor.

Fui um dos moderadores na palestra de Luiz Filipe Roschel, gerente do UOL. Os números apresentados abriram a discussão. Somos o país mais sociável do mundo nas redes, temos um elevado ticket médio no e-commerce, mas, mesmo assim, a internet continua com a fatia de 4% dos investimentos publicitários. Estamos na fase de construção da infraestrutura digital no Brasil e, certamente, essa participação será mais generosa no mesmo período em 2011.

Emanuel Castro, diretor de novas mídias esportivas da Rede Globo, trouxe-nos de Gutenberg e a primeira edição de jornal de massa do mundo, o The Times em Londres de 1785, à experiência da TV em duas telas, com o vídeo ABC My Generation, onde o espectador interage com a programação com um tablet em mãos enquanto assiste ao seu programa.

Comum, a tudo o que foi apresentado, é que com o excesso de meios é cada vez mais importante caprichar na mensagem.

autor: Carlo Manfroi
fonte: http://www.acontecendoaqui.com.br

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