TV Digital no Brasil

O que é a TV digital

O parque de televisores analógicos no Brasil é composto por cerca de 54 milhões de aparelhos. A TV aberta transmitida para os televisores existentes em 90% das residências brasileiras utiliza canais analógicos com largura de banda de 6 MHz. Na TV Digital, a transmissão do áudio e do vídeo é feita através de sinais digitais que, codificados, permitem um uso mais eficiente do espectro eletromagnético, devido ao aumento da taxa de transmissão de dados na banda de freqüência disponível. Desta forma, com o sinal digital é possível transmitir som e imagem de melhor qualidade viabilizando a Televisão de Alta Definição (HDTV).

Em alguns padrões de TV analógica, podem-se mostrar imagens de TV com resolução de até 720X486 pixels; pode parecer muito, mas é muito menor que resoluções de monitores de PC’s, que podem atingir 1024X768 ou mais. Não se nota muito a diferença de qualidade, pois a imagem da TV está constantemente mudando, mas quando se vê uma HDTV, no entanto, a diferença fica muito perceptível, pois ela chega a ter resolução de 1920X1080 pixels.

Mas não é somente a resolução que faz da TV digital um grande avanço da tecnologia; o sinal digital pode transmitir mais canais – até 4 – na mesma faixa de freqüência utilizada por um canal analógico. Além disso, a TV digital apresenta algumas funcionalidades que permitem a interatividade entre o telespectador e a emissora. Através de um canal de mão dupla, o usuário pode acessar informações adicionais emitidas pela emissora como o menu de programação, informações sobre o personagem, o autor e/ou o diretor, dentre outras possibilidades, e interagir diretamente com a emissora fazendo compras, participando de votações, enviando sua opinião e/ou solicitação, etc, usando uma linha telefônica, por exemplo, como canal de retorno.

Segundo dados do governo brasileiro, menos de 8% dos brasileiros nas cidades têm acesso à Internet e, na região rural, o índice é de apenas 0,02%. Espera-se que a transmissão digital possa transformar cada aparelho de TV em uma porta de entrada para a rede mundial de computadores, aumentando significativamente, a inclusão digital dessa enorme fatia da população.

Mas, para aproveitar o enorme parque de TVs analógicas já instalado no Brasil para a recepção do sinal digital, será necessário o desenvolvimento dos chamados set top boxes – transcodificadores que, na prática, fazem com que uma TV comum funcione como uma digital e simule um computador conectado à Internet. O desafio é produzir set top boxes a preços acessíveis, de forma a permitir que o cidadão comum, de baixa renda, consiga adquirir o equipamento. A expectativa é que o Brasil consiga fabricar um transcodificador que custe menos de R$ 150 reais. O preço do equipamento japonês é USD$ 85.

Implantação da TV Digital no Brasil

A implantação da TV Digital no Brasil passará por um período de transição, que deve durar 10 a 15 anos, no qual as emissoras transmitirão simultaneamente dois canais de 6 MHz, sendo um analógico e o outro digital. Com a introdução da tecnologia digital na radiodifusão de TV, o usuário poderá optar por uma das três alternativas:

1) Continuar a receber o sinal da TV aberta da forma atual utilizando a TV analógica;

2) Adquirir um transcodificador (set top box) que permitirá que se receba o sinal digital e o mesmo seja convertido para o formato de vídeo e áudio disponível no aparelho de TV analógica;

3) Adquirir um novo aparelho de TV que já incorpore o conversor – a TV digital.

Este processo vem ocorrendo em vários países do mundo. No Reino Unido (UK), por exemplo, o processo iniciou-se em 1998 e 65,9% das residências já tinham acesso à TV digital em setembro de 2005. Nos Estados Unidos, o início foi em 2002 e no Japão, em 2003. O mais surpreendente, porém, foi o que aconteceu em Berlim, capital da Alemanha. Em agosto de 2003, Berlim se tornou a primeira cidade do mundo a acabar com a transmissão analógica, passando a transmitir sinal 100% digital para toda a cidade. O set-top box foi vendido a US$ 100 (preço mínimo) e à população menos favorecida, cerca de 6000 famílias, o equipamento foi oferecido gratuitamente.

O sucesso da implantação da TV Digital depende em grande parte da disponibilidade de set top boxes com preços baixos, acessíveis à população, o que só é possível com grandes escalas de produção. Esta é uma das justificativas para se adotar um padrão único de TV digital para o Brasil.

Para se definir o Sistema Brasileiro de TV Digital – SBTVD, conforme Decreto nº 4901 de 26/11/03, o Governo Brasileiro instituiu três comitês:

1) Comitê de Desenvolvimento, com a participação de representantes dos vários ministérios e da Anatel;

2) Comitê Consultivo, com a participação de entidades representativas;

3) Grupo Gestor, com apoio técnico e administrativo da Finep e do CPqD.

O grupo Gestor selecionou as seguintes entidades para os projetos de desenvolvimento do SBTVD:

1)Mackenzie/Mackenzie: Digital Multimedia Multicast Broadcasting – Territorial;

2)FUNPET/Unisinos: Codificador e Decodificador de vídeo escalável MPEG-2;

3)FUNCAMP/FEEC: Middleware de Referência do Sistema Brasileiro de TV Digital;

4)FUNAPE-PB/UFPB: Middleware de Referência do Sistema Brasileiro de Televisão;

5)LSI-TEC/LSI-EPUSP: Terminal de Acesso de Referência para o Sistema Brasileiro de Televisão Digital;

6)ASTEF/UFC: Aplicações Interativas para Modelos Comerciais e de Referência do SBTVD;

7)Brisa/Brisa: Serviços de aplicações e conteúdo para a TV Digital Terrestre.

Os resultados de seus estudos foram apresentados em relatório apresentado ao Comitê de Desenvolvimento, em 17/12/2005. Era para 10 de fevereiro de 2006, o prazo para o Comitê de Desenvolvimento apresentar o seu relatório contendo proposta referente aos quatro itens, a saber:

a) definição do modelo de referência do SBTVD;

b) padrão de televisão digital a ser adotado no país;

c) forma de exploração do serviço de TV Digital;

d) período e modelo de transição do sistema analógico para o digital.

Em 7/02/2006, o Ministro das Comunicações anunciou o adiamento deste prazo para março de 2006. Estas definições estão gerando debates acalorados, pois devem levar em consideração aspectos técnicos, de política industrial e contrapartidas oferecidas pelos defensores dos padrões disponíveis.

No mundo existem atualmente três padrões de TV digital. O sistema norte-americano ATSC (Advanced Television Standard Committee) tem maior ênfase na TV de alta definição. O DVB-T (Digital Vídeo Broadcasting-Territorial), sistema europeu, privilegia a multiprogramação e a interatividade. O sistema japonês de TV digital, ISDB-T – Integrated Services Digital Broadcasting-Territorial – repete a característica do norte-americano de alta definição, mas agrega características como a recepção móvel e portátil.

O Brasil quer uma opção que permita agregar a interatividade, boa recepção de imagem, alta definição, acesso à Internet, baixo custo e permitir, a partir de um sistema flexível, inovações futuras como a mobilidade e a portabilidade.

Relatório do CPqD

O relatório preparado pelo CPqD ainda não foi divulgado oficialmente, mas muitos sites da Internet divulgaram informações parciais ainda em discussão. Para a escolha da solução tecnológica, os principais critérios a serem considerados são: inclusão social, em que baixo custo é palavra de ordem; flexibilidade de modelos de exploração, em que o alto desempenho é privilegiado; e desenvolvimento sustentável, no qual a confiabilidade deve imperar.

Algumas informações extra-oficiais já divulgadas: “o preço de venda do set top box projetado para o DVB (padrão europeu) em 2006 está entre R$ 233,00 (básico) e R$ 662,00 (avançado). Os preços seriam de 10% a 8% maiores para o padrão ATSC (americano) e de 18% a 15% no ISDB (japonês). Estes preços são baseados nos custos dos módulos que compõem a URD, sem considerar royalties de modulação e licenças de middleware. E mais: adoção de um modelo de negócio que incorpore, entre outros pontos, a exploração da mobilidade/ portabilidade, interatividade local, alta adoção da TV digital pelos usuários e o surgimento de receitas provenientes de novos serviços. Na avaliação de desempenho para implantação deste modelo de negócio, o ISDB obteve nota 3,7, o DVB nota 3,5 e o ATSC nota 2,9.”

O pagamento de royalties a empresas internacionais, detentoras dos padrões, é um grande entrave na escolha de um padrão já definido. Os japoneses e europeus usam para áudio e vídeo o padrão MPEG-2, programa cujo royalty custa cerca de US$ 2.50 por cada televisor. Já os americanos usam essa tecnologia apenas no vídeo e optaram pelo sistema Dolby para o áudio, que obriga um pagamento de US$ 5 pelo pacote. E os três sistemas usam tecnologias diferentes para os softwares que permitirão a interatividade (middleware). Os royalties cobrados por estes programas custam de US$ 7 a US$ 20. No total, o Brasil poderia pagar, por televisor, até US$ 25 de royalties.

A avaliação final para escolha do padrão dependerá da negociação, entre o governo brasileiro e os detentores das tecnologias, que deve ser centrada no interesse brasileiro que considera: facilidade de transferência da tecnologia; autonomia para o Brasil incluir e modificar as características de serviços; diversidade de fabricantes e de fornecedores de componentes; universalidade do padrão; redução ou reinvestimento no país dos royalties; fomento à pesquisa e linhas de crédito para digitalização; perspectivas de mercado, para gerar maior fator de escala de produção; e participação na evolução, garantindo, por exemplo, assento para participação efetiva do Brasil nos fóruns do padrão, permitindo a incorporação de soluções que vierem a ser desenvolvidas no Brasil.

Está também em discussão, a adoção do padrão para a transmissão da TV digital para telefones celulares, no contexto da convergência das redes de telecomunicações.

autora:
Elisamara de Oliveira
fonte: Voxnews

Destaque
O Básico Sobre TVs de Alta Definição (HDTV)
Tudo sobre HDTV

5 Comentários

  1. No Brasil TUDO demora José, vc não esta acostumado ainda – rs, mas uma leitura do texto você veria que a implatação da TV Digital não é simpels virar de chavinha e puff todas as TV´s recebem o sinal o buraco é bem mais embaixo.

    Em relação a navegação, sim é verdade, agora se já virá logo no começo da implantação esta possibilidade eu duvido.

    Para Completar o Topico:
    Brasil corre contra o tempo para implantar TV Digital, no link você e o soutros que comentarão podem encontrar outras matérias bem esclarecedoras sobre o tema.

  2. então eu queria saber quando vou poder ter acesso a tv digital ou se ja tem o aparelho pra mim estar adiquirindo ok…

  3. parabens. tenho que fazer um pesquisa sobre a tv. digital.
    quias os beneficios e prejuizos que esta nova tecnologia poderá trazer para a comunidade e grupos socias nos proximos anos.
    Si for possivel mim responde as questões

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *