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Quando o Cliente tem sempre razão?

Um dos grandes problemas enfrentados por designers das mais diversas áreas é: quando o cliente tem sempre razão? Que fazer quando o cliente dá palpites demais e muitas vezes sem sentido ao seu trabalho?Muitos dos profissionais se curvam as vontades do cliente, afinal, é ele quem paga por um projeto. Essa atitude porém pode ocasionar em um projeto sem sucesso e o culpado vai ser quem o desenvolveu.

Mas enfim, como discutir com o cliente o que é melhor se a vontade dele é outra? Fazer design não é aplicar seus gostos pessoais ou os do cliente em um trabalho, é pensar nas pessoas que o cliente quer atingir..

Design não é como um cachorro quente em que o comprador escolhe se quer com catchup ou se prefere colocar maionese. Uma vez li que fazer designer é parecido com uma ida ao médico. O paciente não chega ao médico e diz: – Doutor, eu estava sentindo umas dores e gostaria que o senhor me receitasse esse e aquele remédio. Quem é especialista e sabe qual remédio é melhor para ele é o médico. O cliente tem um problema ou objetivo a atingir e por isso contrata um designer para fazer a imagem de sua empresa. Com o briefing em mãos o designer já sabe que “remédio” resolverá o problema..

Agora vem a parte mais difícil, como convencer o cliente disso? Assim como o médico, que fez faculdade de medicina, estudou os sintomas e sabe qual remédio receitar, o designer dispõe do mesmo argumento: conhecimento. Conhecimento de composição, Combinação de cores e suas sensações, Equilíbrio e o que mais houver em suas bagagem cultural. O designer deve por o seu lado vendedor em ação. Aqui não vale a vaga explicação de que do seu jeito fica mais bonito, ou até que você é formado há anos na área e por isso sabe mais.

Para ficar mais fácil de entender vou dar um exemplo prático.

Eu estava desenvolvendo um site infantil quando o cliente pediu para que a cor do fundo fosse azul escuro no lugar do atual azul claro. Isso complicaria e muito a minha situação pois as cores do site inteiro estavam combinadas de acordo com o seu fundo e uma mudança dessas acarretaria na mudança de todas as outras cores do site. Mas esse seria o menor dos problemas pois a cor escuro provocava uma sensação pesada de rigidez, diferente da suavidade e alegria que quer se passar para uma criança.

Primeiramente, eu fiz a opção que o cliente havia solicitado, ou seja, mudei a cor do fundo para azul escuro. Afinal é preciso que o cliente, além de entender, enxergue o problema.

Depois, mandei um email com os endereços dos dois sites, um com o fundo antigo, e o outro com a cor pedida para q houvesse comparação.

No e-mail especifiquei todas os problemas que aquele fundo mais escuro daria se esse fosse mantido.

No final das contas, eu fui ouvida e por fim o cliente especificou melhor o seu problema: Ele não queria cores pastéis no site e pediu para colocar uma cor mais forte. É por isso que devemos ter em mãos um briefing detalhado do cliente.

Não quero dizer que nunca devemos fazer as vontades do cliente. Quero apenas alertar que o cliente nos contratou para encontrar uma solução para os seus problemas.

O Cliente tem seus gostos e preferências mas deve estar ciente que elas podem prejudicar o desempenho do projeto. “Ensine” o cliente o que você aprendeu na faculdade, nos livros, revistas e até mesmo na vida. Mesmo discordando as vezes, ele dará muito mais valor ao seu trabalho.

Combinação de cores que o cliente solicitou.
Azul muito pesado e com pouco contraste.

Combinação de cores sugerida.
Azul mais suave, com mais contraste e harmonia

autora: Carolina Antunes
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