Desvendando o consumo simbólico, ou por que o design é tão importante…

Vivemos em um mundo de imagens. Essencialmente, tudo o que entendemos está, além de armazenado em nossa memória, simbolizado de algum modo e em algum nível de profundidade no nosso inconsciente.

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Quando Freud descobriu o inconsciente, revelando que o comportamento humano era determinado por uma porção do cérebro que o próprio homem não conhecia, ele chocou a cultura de sua época, pois denunciava que existiam elementos mentais ausentes da percepção humana imediata e que seu acesso era viável apenas a partir de seus derivativos, de seus representantes simbólicos.

Cada ser humano vive em um mundo simbólico, e todos usamos o processo de simbolização para pensar acerca do mundo físico ao nosso redor e elaborá-lo de alguma forma. Os seres humanos simbolizam suas vivências e referências para relacionar-se com a realidade e, se o mundo do consumidor é uma rede de significados, nada mais natural que a compreensão dos sistemas simbólicos seja parte inseparável da compreensão do próprio homem e, conseqüentemente, do consumidor.

O estudo dos símbolos no comportamento do consumidor baseia-se, principalmente, na premissa de que o consumidor compra produtos não somente por seus aspectos funcionais, mas também pelo seu significado, pelo seu caráter de preencher lacunas afetivas dos consumidores, por sua influência no auto conceito do indivíduo e pela maneira como esse se mostra para os outros.

É nesta lacuna comportamental que o trabalho de dar forma a símbolos entra. Quando entendemos os desejos do consumidor, entendemos sua simbologia própria e o modo como este se vincula aos produtos e marcas. Podemos, assim, transformar este conjunto simbólico em objetos, marcas, ambientes (virtuais), sinalizações, embalagens em toda a forma de produtos de design. As cores e as formas têm este poder, quando utilizadas corretamente podem atrair milhões de inconscientes para um produto; ou seja, suprir necessidades e desejos em milhões de pessoas ao mesmo tempo.

Ao mesmo tempo em que a função do marketing é atentar ao consumidor, suas necessidades, desejos e percepções, a função do design é traduzir os atributos percebidos pelos consumidores, e identificados pelas equipes de marketing, em produtos e sistemas visuais. O design pode ser considerado como uma via de tradução dos conceitos concebidos pela empresa orientada para mercado e para o consumidor no objeto desejado por ambas as partes. A transformação de atributos intangíveis em tangíveis proporcionada pelo design gera produtos em sintonia com seu segmento alvo de mercado, pois o consumidor identifica inconscientemente seus desejos e carências no produto.

Assim, o design tem um papel delicado e forte, pois arbitra entre o que se pode e não se pode ver. A qualidade do que se pode ver depende do processo que se pode enxergar, e este processo é o design. Assim, as soluções de design são a expressão visual do que foi pensado (Patton, 1999), muitas vezes, por milhares de consumidores.

O acesso ao inconsciente simbólico e a percepção dos consumidores é viável através da pesquisa de mercado bem conduzida. Focalizado o público-alvo, e a demanda de design do nosso cliente, é possível abordar com a técnica de pesquisa adequada o consumidor, desvendado sua percepção e seu conjunto simbólico.

O resultado da pesquisa é o caminho para a conceituação de marcas e produtos que têm livre acesso à mente e ao coração dos consumidores.

autor: Fabiane Wolff
fonte: APDesign

Um Comentário

  1. O [acesso ao inconsciente simbólico e a percepção dos consumidores] é viável através da pesquisa de mercado bem conduzida. …[desvendado sua percepção e seu conjunto simbólico].

    …caminho para a conceituação de marcas e produtos que têm [livre acesso à mente e ao coração dos consumidores].

    então tá, né!?

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