A era do outdoor

Num mundo cada vez mais digital, em que as pessoas dedicam muito de sua atenção para o que está nas telas, é de se pensar que a tradicional publicidade em mídia externa esteja enfraquecida. No entanto, não é esse o caso. A chamada mídia Out of Home (OOH), ou mídia externa, não só segue importante como ganha espaços e se reinventa.

Um estudo da Rapport mostra que quase metade (48%) das marcas estão usando OOH para branding, 28% para ativação de vendas e 24% para as duas estratégias. Além disso, os investimentos em OOH também aumentaram a fidelidade dos clientes em 275%.

Se sua importância segue relevante para a publicidade, seu uso não deixa de criar polêmicas. Muitas cidades e até países tentam controlar seu uso, alegando que o excesso de mídias externas cria poluição visual. No Brasil, São Paulo foi a pioneira no controle da publicidade externa, com a implantação da Lei Cidade Limpa em 2007, que regula a propaganda em outdoors e placas de estabelecimentos comerciais.

No entanto, a publicidade começou como mídia externa. Os primeiros outdoors foram provavelmente inscrições em monumentos do Antigo Egito. Grafites e placas foram usados durante a Antiguidade e a Idade Média. Com a invenção da imprensa, cartazes se tornaram comuns. Mas seria preciso esperar a era do automóvel para criação do símbolo maior da mídia externa: o outdoor.

Antes dos automóveis, formas primitivas de outdoors eram usadas para alertar viajantes (a pé, a cavalo ou carruagem) que um albergue ou taverna podia ser encontrado a uma certa distância. O anúncio geralmente dava o nome da estalagem e, às vezes, listava o que era oferecido (camas limpas, comida, estábulos, etc).

Durante o começo do século XX, especialmente nos Estados Unidos, o crescente uso de automóveis rapidamente levou as empresas a fazer uso de publicidade em outdoors para anunciar uma ampla gama de produtos e serviços. Hotéis à beira de estradas compravam ou alugavam outdoors como um meio de direcionar motoristas para seus estabelecimentos. Cidades faziam uso dos anúncios para convencer os viajantes a parar e apreciar as atrações e o comércio local antes de continuar sua jornada. Restaurantes ofereciam comida por preços competitivos.

A eficácia desses anúncios levou à criação de um novo ramo na indústria da publicidade, uma vez que os clientes demandavam anúncios novos e mais atrativos, que chamassem a atenção dos viajantes para que parassem seus carros e gastassem seu dinheiro. Ocorreu uma explosão de campanhas voltadas para outdoors, que começaram a ser produzidos massivamente. De pastas de dentes a sabonetes, de cereais de café da manhã a refrigerantes, outdoors eram feitos para anunciar em grandes letras e imagens.

No entanto, essa grande volume de placas gigantes à beira das estradas também gerou polêmica. Uma crítica frequente à publicidade em geral é que ela existe em demasia. No caso dos outdoors, eles frequentemente são acusados de distrair motoristas, promover o consumismo e estragar paisagens. A primeira lei para regular a utilização de outdoors entrou em vigor nos Estados Unidos ainda em 1965, e tem o sugestivo nome de Highway Beautification Act (Ato de Embelezamento das Rodovias).

Com o avanço da tecnologia, as placas pintadas à mão foram substituídas por outdoors produzidos por computadores. Hoje, telas digitais substituem os largos painéis de papel que tinham que ser colados um a um.

Mesmo com as mudanças tecnológicas, a essência do outdoor segue a mesma: ele transmite uma mensagem de maneira praticamente instantânea, sendo uma forma eficiente e rápida de atingir um público de massa. Desde o começo da civilização a humanidade tem usado mídias externas para anunciar, comercializar, convencer e informar. O outdoor ainda segue essa tradição. Enquanto as pessoas seguirem se locomovendo em veículos, ele continuará tendo um espaço importante nas campanhas publicitárias. Apesar das polêmicas, os outdoors estão aqui para ficar.

fonte: Revista Press

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