Cartões de fidelidade, entre a sedução e o risco

Produto se espalha em restaurantes e academias, farmácias, supermercados e lojas, e já passa de 100 milhões no país

O brasileiro está com a carteira cada vez mais recheada de cartões de fidelidade. Estão investindo nesse filão desde restaurantes e supermercados, passando por academias e farmácias até os mais tradicionais do varejo, sobretudo lojas de roupas e calçados. Uma estimativa feita pela Partner Consultoria mostra que mais de cem milhões de cartões desse tipo já circulam em todo o país.

Mas os especialistas em finanças pessoais alertam que o consumidor deve redobrar a atenção. O produto pretende conferir status aos clientes e oferece descontos, formas diferenciadas de pagamento em cheque e cartões de crédito, além de mimos como brindes. Seduções que não devem se tornar uma armadilha contra o orçamento.

Vantagens para atrair e manter clientes

Abusar dos “benefícios” oferecidos podem levar a um descontrole das contas. De acordo com o especialista em finanças pessoais e professor da USP Rafael Paschoarelli, é preciso não se deixar seduzir e usar de uma só vez os descontos de todos os cartões que receber.

— O desconto oferecido é bom para uma compra à vista mas certamente já foi embutido nas margens da loja. Se for para gastar mais do que se planeja, o melhor é evitar o uso — recomenda Paschoarelli.

A veterinária Claudia Vieira tem na carteira mais de cinco cartões de fidelidade de diferentes lojas. Para ela, os cartões são vantajosos na temporada de liquidação, quando as clientes podem comprar produtos com desconto.

Entre as lojas que oferecem condições especiais de pagamento às clientes está a loja de roupas femininas Dress to Kill, do Centro do Rio. A loja dá desconto em compras e aceita pagamento em seis vezes no cheque. Quem não tem cartão tem a opção de pagar em quatro parcelas. A Espaço Fashion faz promoções para as clientes especiais e a loja Maria Filó reserva dias específicos para as compras das clientes de seu programa de fidelidade.

Sistema permite fazer radiografia do consumidor – Empresas de varejo aumentam vendas e reduzem custos

De acordo com Cláudio Felisoni, coordenador do Programa de Administração de Varejo (Provar), que estuda o setor de varejo, os cartões de relacionamento ajudam a identificar não só o comportamento de consumo dos clientes como garantir rentabilidade e redução de custos.

— É uma “radiografia da compra”, que identifica o comportamento de consumo e ajuda no controle de custos, evitando estoques em demasia por exemplo — explica.

É o caso do programa de fidelidade da marca Farm, que ajudou a identificar hábitos de compra das clientes. A grife Tessera investiu no filão para aumentar em 30% as vendas. Já os clientes do cartão da rede de supermercados Zona Sul ganham descontos e são selecionados para o lançamento de produtos nas lojas.

A rede O Boticário tem quatro milhões de clientes cadastrados em seu programa e usa o sistema de pontuação, além de descontos de 20%. A grife Xsite lançou esta semana seu cartão de fidelidade para conhecer hábitos de consumo dos 30 mil clientes de seu banco de dados.

O diretor da Partner Consultoria, Álvaro Musa, lembra que a iniciativa também pode ser um ensaio para que algumas redes venham a transformar o cartão de fidelidade em cartão de crédito:

— As redes C&A e Leader, por exemplo, começaram dessa forma e se tornaram verdadeiras financeiras.

autora: Erica Ribeiro
fonte: Mercado Competitivo

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