A Empresa é o Reflexo do Dono

Se o dono apenas fala que está preocupado e tão pouco demostra vontade em aprender e fazer algo que vai ajudar a própria empresa, por que seu funcionário deveria?

Certo dia me deparei com uma empresa onde o dono exigia certo comportamento e compromisso de seus funcionários, mas ele mesmo por diversas vezes (vi isso acontecer na frente de seus funcionários), perdia mais tempo na internet em meios a memes, piadinhas e coisas fúteis, do que verificar se a página da própria empresa nas redes sociais tinha algum cliente solicitando atendimento por inbox ou comentário – o que da grande parte das vezes tinha! Para completar, os funcionários não eram remunerados para desempenhar certas funções nas redes sociais da empresa, mas eram cobrados para tal.

Complicado quando se exige sem dar exemplo. É como aquela frase “Seu filho seguirá seu exemplo, não seu conselho!”, com funcionários acredito que é quase igual.

Há um tempo atrás li um texto de Marcus Marques que vem bem de encontro com este tipo de “empreendedor” e achei bacana deixar transcrito abaixo:

“Todo e qualquer negócio está suscetível a dificuldades devido a uma crise econômica, restrições advindas de complicações da política externa, a aprovação de leis que mudam a lógica do seu mercado de atuação e assim por diante. No entanto, o foco do gestor deve ser em trabalhar com assertividade nas variáveis que estão sob o seu controle. Os elementos externos que interferem no seu empreendimento não são passíveis de serem mudados apenas pela sua vontade, mas o que acontece dentro do seu ambiente organizacional sim. Seguindo esse raciocínio te pergunto: qual é a variável mais importante para uma companhia alcançar o sucesso? Quem respondeu “o dono do negócio” acertou, pois é ele quem irá conduzir a empresa para a conquista dos seus objetivos.

O Papel do Dono Para o Sucesso da Empresa

Cheguei à conclusão de que a empresa é reflexo do dono pela observação de como alguns empreendimentos atingem o sucesso mesmo em cenários de condições externas adversas e enquanto outros que tinham tudo para prosperar fecham as portas com poucos anos de mercado. Abaixo listei alguns tópicos que compõem o papel do empreendedor e que são de suma importância para ser bem-sucedido.

1 – Escolha do segmento de atuação

A primeira decisão que se mostra determinante para a sobrevivência de uma companhia no mercado é aquela relativa ao segmento em que ela irá se posicionar. No momento de abrir o próprio negócio, é fundamental que o empreendedor alie a sua paixão por um determinado segmento a um estudo que demonstre que ele tem chances reais de prosperar. Investir num setor que passa por um momento de disrupção ou que está em baixa sem previsão de recuperação, além de arriscado, é irresponsável.

2 – Condução do negócio

Uma vez que a empresa está em pleno funcionamento, cabe ao empreendedor traçar as estratégias de conquista de novos mercados e estabelecer metas e objetivos. O dono da companhia tem o papel natural de líder para todos aqueles que trabalham no empreendimento. Nesse sentido, é fundamental que ele saiba conduzir e direcionar com assertividade os esforços dos seus colaboradores. Não assumir a função de liderança é um erro grave que pode resultar na perda de objetividade no mercado.

3 – Tomada de decisões

Como mencionei acima, o dono da empresa é um líder natural e, por isso, deve ter muita atenção para com a tomada de decisões. Para ser mais seguro naquilo que transmite à sua equipe, é essencial que o empreendedor tenha uma bagagem de conhecimentos que lhe mostre o caminho correto sem que sejam criadas eventuais dúvidas.

4 – Determina o ritmo de trabalho

A expressão de que a empresa é reflexo do dono também se refere ao ritmo que a mesma tem no mercado. O método de trabalho utilizado pelo líder se reflete na conquista de resultados. Quanto melhor for o trabalho do dono que está à frente do empreendimento, mais posições ele conquistará frente aos seus concorrentes.

5 – Responsável pela cultura organizacional

A cultura organizacional de uma empresa tem um papel crucial na forma como os colaboradores irão atuar. Por exemplo, se uma organização recebe muitas críticas quanto ao atendimento dos seus vendedores, tenha certeza de que a principal responsabilidade é do dono que não está atento à transmissão dos valores da cultura organizacional. Se os funcionários têm entendimento e vivenciam a cultura empresarial do bem atender, certamente irão tratar os clientes de forma mais adequada.

O Dono do Negócio Deve Assumir a Responsabilidade

É próprio do ser humano, em diferentes instâncias, terceirizar a culpa pelo o que eventualmente não dá certo, isto é, atribuir a responsabilidade pelos erros a fatores externos que fogem do seu controle. Porém, para ser bem-sucedido enquanto empreendedor, é essencial assumir a responsabilidade e pensar a respeito do que se pode fazer para reverter o quadro negativo.

Quando encontro alguns proprietários de empresas, eles me relatam as dificuldades de trabalhar com equipes desmotivadas ou como a queda do volume de vendas devido à crise econômica está tornando impossível melhorar os resultados. Nesses e em outros relatos identifico sempre um ponto em comum, a terceirização da culpa. É sempre mais fácil dizer a si mesmo que a responsabilidade pelos problemas não está em suas mãos, quando na verdade está.

Comece a observar se você não está delegando mal tarefas cruciais, se o problema da sua equipe desmotivada não é a falta de comunicação dos valores da cultura do empreendimento, se a crise financeira não está oferecendo a chance de investir em outra linha de produtos, enfim, pense sobre o que você pode fazer para resolver a questão, afinal esse é, sim, um problema seu.

Esteja Preparado Para Assumir o Papel de Dono de Empresa

Muitos empreendedores chegam ao mercado sem ter ideia de que terão que assumir todas as responsabilidades que citei acima e acabam oferecendo uma performance baixa, que se reflete em companhias problemáticas que acabam engrossando as estatísticas de fechamento precoce. O nível de competência do dono é um dos fatores determinantes para o quão bem-sucedido um negócio será.

Antes de tomar a decisão de abrir uma empresa, é necessário estar ciente de que não basta apenas energia para trabalhar bastante para conseguir se consolidar numa posição de destaque. O empreendedor deve estar preparado, tendo pleno conhecimento dos processos que a sua companhia precisará desempenhar para entregar produtos/serviços com expertise, assim como saber qual é o seu papel gerencial enquanto administrador.

Um dos motivos principais que fazem com que muitas organizações encerrem as suas atividades no mercado antes de completar 5 anos é a falta de capacitação do gestor. Administrar um empreendimento exige conhecimentos técnicos e humildade para reconhecer que é essencial estar sempre aprendendo. Saiba que são exceções as empresas que, logo nos primeiros anos, já oferecem uma lucratividade acima média para os seus donos.

Avalie o Seu Reflexo

Agora que já expliquei o que significa a expressão de que a empresa é reflexo do dono, sugiro que os empreendedores que estão lendo este artigo façam uma avaliação crítica do seu reflexo, ou seja, do seu negócio. Ao identificar que a companhia apresenta alguma dificuldade, pense de que maneira a sua forma de trabalho está gerando essa situação. Faça a si mesmo as perguntas determinantes para a mudança de rumo como:

– De que maneira posso mudar o que não vai bem?

– Qual medida posso tomar neste exato momento para deixar de ter prejuízos?

– O que devo começar a buscar para que minha empresa seja bem-sucedida?

– Tenho interagido com outros empreendedores para trocar experiências ou, até mesmo, estabelecer parcerias?

– Reconheço que não tenho conhecimento a respeito de algumas questões?

Com essas respostas você certamente conseguirá encontrar um caminho de mais assertividade.

Você é o Protagonista do Seu Negócio

Ter uma empresa é um sonho de muitos brasileiros, porém, somente aqueles que têm em mente que deverão ser os protagonistas dos seus empreendimentos são capazes de desbravar o mercado e se posicionar entre os líderes. Deve ser muito claro que mais ninguém tem responsabilidade pelos resultados, afinal os colaboradores podem eventualmente errar, mas geralmente o dono tem uma parcela significativa de atuação nessas situações.

Além do mais, cabe ao dono da empresa identificar quais são os erros e corrigi-los, ensinando aos seus liderados a forma ideal. Quando essas situações persistem é porque o empresário não está conseguindo selecionar funcionários alinhados com as necessidades da companhia e aí questiono: de quem é o problema e de quem deve partir a solução? Do proprietário, obviamente.

Todas as pessoas que trabalham numa empresa e ajudam a construir o seu legado foram selecionadas pelo dono ou pelo gestor escolhido pelo mesmo. Não existe a mínima possibilidade de transferir o protagonismo para outro indivíduo, esteja à frente de verdade do seu negócio, ninguém quer mais o seu sucesso do que você mesmo.

Ponto de Responsabilidade – O Equilíbrio Para a Gestão

Quem leu o artigo até aqui pode estar com a impressão de que estou dizendo que o empreendedor deve ser complacente com uma equipe que não entrega bons resultados ou que lidar com os clientes cotidianamente é simples e não estou. Existem, sim, problemas externos complicados e equipes que, mesmo com bom investimento de tempo e recurso, não conseguem emplacar.

No entanto, é essencial que todo empreendedor saiba assumir o seu ponto de responsabilidade em cada uma dessas situações. Para resolver qualquer problema, é necessário tomar uma atitude que mude o que está estabelecido e isso só é possível quando se encontra o ponto em que se pode interferir, aquele ponto em que a responsabilidade é sua e de mais ninguém. Tenha uma atitude empreendedora voltada para o protagonismo em sua companhia.

E lembre-se sempre que empreendedores competentes geram resultados crescentes, enquanto empreendedores despreparados obtêm resultados estagnados! Qual é a sua escolha?

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