Sindicato dos Designers Estressados

Tempos difíceis são esses para os designers. Quase todos que eu conheço estão sem emprego ou insatisfeitos com o local de trabalho. Para quem é iniciante, os estágios já não servem mais para ensinar, e sim como um meio para conseguir mão de obra qualificada e barata que executar o trabalho de um profissional contratado. Muitas empresas já não respeitam mais o profissional. Não ouvir o que ele tem a dizer, salários e horas extras não pagas ou mal remuneradas, autoritarismo(ou seria militarismo?), falta de organização, briefings mal resolvidos, promessas e mentiras são algumas das coisas mais comuns que acontecem na vida de milhares de designers.Design é um trabalho psicológico. Imaginar soluções criativas, visuais atraentes e boas sacadas não é algo que se faça estressado. Quando essas empresas vão descobrir que se contribuírem com a qualidade de vida de seus designers irão contribuir para o desenvolvimento e crescimento dela própria? Isso fará com que a rotatividade de funcionários diminua e a equipe se fortaleça. É claro que se criou um mito de que profissionais de criação viajam para ilhas paradisíacas pela empresa para terem uma grande idéia. Sem dúvida vocês já devem ter tido um professor que tenha dito isso. Não é bem assim, ninguém está pedindo para a empresa pagar uma viagem ao Havaí para descansar a mente e ter geniais idéias. Respeito é a palavra chave. Sem ele não adianta seguir nenhuma outra dica. Não queremos chefes no comando, precisamos de Líderes . Pessoas com espírito de liderança que saibam entender seus empregados e distribuir trabalhos sem sobrecarrega-los. Líderes que sempre investem em bons equipamentos e não fazem economias tolas. Tudo com bom senso. Ainda custo a acreditar que existam chefes que humilham e gritam com seus funcionários publicamente como se estivéssemos no inicio da Revolução Industrial. Isso traz também outra questão a tona, a Repreensão . Todo o ser humano precisa de uma, pois ela é que deve impor o limite de seus comportamentos. Mas como faze-la? Li um livro muito interessante que dava a seguinte receita. Primeiro o Líder deve chegar, discretamente para conversar com o funcionário que errou. O erro deve ser deixado bem claro para que o empregado saiba aonde errou. Depois o Líder quer ouvir como e porque desse erro pelas palavras do funcionário e não por meio de terceiros. Esclarecida a situação o Líder diz que se sente desapontado com o erro pois acha que o profissional tem grande capacidade e não devia te-lo cometido. Mas errar é humano e espera que esse mesmo erro não se repita. Tudo isso sem levantar tom de voz e sem levar a “bronca” a público. Terminada a conversa, o assunto acaba naquele momento, não sendo mais citado aquele erro em situações futuras.

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Organização é outro ponto importante que uma empresa deve ter. Quantos designers não passaram pela constrangedora situação de receber todo um material de “pára-quedas”? Uma equipe de planejamento e marketing é tão importante para uma empresa como os seus próprios clientes. Há menos chances de re-trabalhos e atrasos.

Comunicação dentro de uma empresa não é apenas aquela que se refere ao próprio trabalho. Pode ser também aquele papo descontraído entre colegas. Muito castigada por algumas empresas, essa forma de comunicação é um meio de aproximar mais uma equipe e aumentar mais a produtividade. Sempre cairemos no ponto do bom senso. Cada profissional sabe de suas responsabilidades e do tempo que tem para cumpri-las. Quando o líder inspira respeito e admiração isso não é difícil de ser conseguido. A liberdade é dada a partir do conceito de que assim como se acredita que o profissional é competente suficiente para exercer sua função, também é competente para saber gerenciar suas próprias responsabilidades. O último princípio, mas não menos importante, é o Elogio . Sempre sincero, um simples parabéns já faz com que o trabalhador se sinta importante. Um trabalho reconhecido é um sinal de respeito muito motivador.

A questão mais delicada de todas é, com certeza, quando nela está envolvido dinheiro. Já é de conhecimento geral que é muito comum nessa área fazer horas-extras. Sempre surgem trabalhos urgentes por mais que nos adiantemos. Mais o pior de tudo é como essa remuneração é muitas vezes mal feita. Empresas que se preocupam mais com o caixa do que com os funcionários só tem a perder. Todo o esforço tido e não recompensado irá desmotiva-lo até que seus trabalhos terão a qualidade reduzida.

Nada de salários milionários e férias no exterior. O que os designers querem não são regalias, são obrigações que toda empresa deveria cumprir. Alias, acho que todos os trabalhadores deveriam ter esses mesmos direitos. Todos ganham. Sem exceção.

autora: Carolina Antunes
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4 Comentários

  1. Carolina! Você leu a minha mente? parabéns pelo seu texto, só pra reforçar, a expertise de clientes e patrões que mal sabem escrever, mau informados e de mau gosto “mercenários” por assim dizer, contribuem muito para o desgaste da nossa massa cinzenta e de todo nosso sistema nervoso. Eu tomei uma atitude, abandonei uma empresa onde trabalhava a 10 anos e acreditando na “utopia” de um ambiente de trabalho salutar (google), montei a minha empresa, sou a prova de que é possível, até agora só deu certo, tem stress? sim mas dentro do normal, até porque ninguém vive sem o mínimo de stress, orgulhosamente mando clientes especuladores ás favas, não tolero especulação burrice e mau gosto, a menos que paguem uma fortuna por isso, aí sim dá pra ir pro Havaí dar uma “resetada nos defeitos”, gostei do seu texto e sei que você o escreve porque procura sempre fazer o melhor, e o melhor nem sempre agrada a todos afinal quem compra design hoje, excluindo as grandes empresas, são emergentes de uma geração que escreveu um código civil digno de escravatura para as mulheres e educaram seus filhos a fazerem o mesmo, é por isso que os grandes ícones do design de todos os tempos só foram reconhecidos no pós morte, e sabe de uma coisa, a exemplo de Van Gogh, vou incinerar meus trabalhos pra esses idiotas não especularem quendo eu não estive por perto.

    Abraço!!

  2. Eu não vou poder te ajudar muito mas creio que você possa buscar alguma informação na associação dos designer gráficos, também no sindicato das industrias gráficas e se não me engano existe até o sindicato dos trabalhadores em editoras, pode ser que alguma delas possa te dar uma luz, caso não; o negócio é encontrar um advogado trabalhista para que ele possa te orientar no que precisa. Além disso na empresa que trabalha o RH pode e deve informar o sindicato ao qual sua categoria pertence, uma vez que você deva ser registrado como layoutista eles sabem muito bem o sindicato ao qual pertence, qualquer coisa bate neles – rs

  3. Olá, meu nome é Eduardo e gostaria de parabenizar a autora do texto acima. Ele reflete exatamente minha situação atual, e me espelhei em várias situações descritas na dissertação. Trabalho em uma editora de anúncios para listas telefônicas, onde ocupo o cargo de layoutista. Desde de 2004, meu salário continua o mesmo, não houve nenhum reajuste referente a dissídios ou reconhecimentos profissionais. Gostaria de saber se alguém poderia me instruir em como proceder para descobrir a qual categoria de sindicato eu pertenço e como faço para saber quantos dissídios houve de 2004 para cá e como faço para calcula-los.

    Não sei se minhas duvidas são da alçada de vocês, caso não sejam obrigado da mesma forma.

    ATT Eduardo Pereira Godoy

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