As aventuras de um “Home Officer”

Trabalhar em casa. Qualidade de vida. Ficar próximo da família e das crianças. Trabalhar de bermuda. Ter flexibilidade de horário. Colocar a condição física em dia. Diminuir o estresse. Ganhar produtividade. Ter mais privacidade. Entre outras tantas coisas…

Foi assim sonhado por mim e por outros executivos e é sonhado ainda por muitos que sonham com as benesses deste formato de trabalho. Vamos então contar como é a experiência de um Home Officer novato.

Existem duas maneiras de se tornar um Home officer: ou você decide que vai trabalhar neste formato e vai ou sua empresa lhe propõe montar um escritório em sua casa, seu chefe faz um discurso bonito incluindo todas as maravilhas do primeiro parágrafo e te mandam não para o olho da rua, mas para casa.

Aí começam as descobertas que eu chamo de “mais que interessantes” e a primeira delas que eu vivi está relacionada com o mesmo pessoal que planeja colocar você trabalhando em casa, ou seja, os presidentes das empresas. Nas reuniões eu contava com muito orgulho que estava trabalhando em casa e comecei a perceber que o pessoal fazia uma cara muito estranha. Perguntei certo dia a um executivo mais chegado o que estava acontecendo e ele me disse:

– Trabalhar em casa é sinônimo de vagabundagem ou que você está desempregado e fazendo um bico, diga que você trabalha em seu Home Office.

Eu perguntei, então, qual a real diferença e ele respondeu que nenhuma, parou pensou e disse é igual, mas se quiser causar boa impressão diga a mesma coisa diferente. Entendi !?

Muito bem, acertei meu vocabulário e lá fui eu feliz da vida para meu home Office, para fazer a segunda “descoberta mais que interessante”. Eu jamais tinha me treinado em autodisciplina e as coisas começaram a se complicar de verdade durante a Copa do Mundo. Jogo que antes eu não poderia assistir, só via os do Brasil, estavam agora disponíveis. Eu trabalhando e na sala ao lado meu filho assistindo um magnífico Irã contra Angola e eu tentando me concentrar. Perto das crianças, “pero no mucho”

As “descobertas mais que interessantes” continuam com as primeiras complicações com os brinquedos tecnológicos. Na corporação o pessoal de T.I. e Suporte ao Usuário resolvem todos nossos problemas, entretanto em regime de home Office você deve, se desejar produtividade e rapidez, resolver sozinho seus problemas. Vai ter que entender bem de tecnologia da informação incluindo hardware, software, antivírus, redes e todo o mais que se refere a seus instrumentos de trabalho.

No entanto, nada é mais cruel do que a mistura que acontece naturalmente entre o trabalho em home Office e os afazeres de casa. Você deve ser xiita, pois caso contrário não vai fazer bem nem uma coisa nem outra.

Mais do que planejar a mudança sugiro que você planeje o início, digamos os primeiros cem dias de independência, e planeje bem para não virar um alforriado sem direção e perdido. Isto envolve mudanças de paradigmas e modelo mental em você, sua família e amigos.

Estipule horários, use agendas e smartphones para organizar seu dia de trabalho, seja cruel com os roubadores de tempo. Divida seu tempo entre atividades de execução, estudo e bem estar. O que chamamos de Corpo, Mente e Alma.

Afine seu instrumento principal e ajuste suas atitudes. Se você se comportar como se comportava na corporação seu destino será fazer uma grande confusão, não há horários, chefes, reuniões chatas e tudo mais que havia lá. No home Office é só você, portanto, organize-se.

Exija-se entregar mais em menos tempo sempre e você verá, aí sim, um enorme aumento de produtividade e satisfação profissional e pessoal.

Ah! Duas coisas muito importantes para finalizar: não se esqueça de educar com firmeza e gentileza sua família e aí incluo seu pet e sua empregada. E nunca diga, como eu disse, que você trabalha em casa. Sua turma vai pensar que você desbundou de vez, virou vagabundo, ficou desempregado e não quer mais nada com o batente.

autor: Rubens Pimentel Netoly
fonte: Baguete

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