Scott Goodstein e o poder da internet nas campanhas políticas

Fui convidada para participar da Campus Party já que não poderia ir todos os dias escolhi o que me despertou mais interesse, a palestra de Scott Goodstein, um dos coordenadores da área de internet da campanha de Barack Obama para presidente dos Estados Unidos, apesar de ter participado de grande parte da campanha de Obama, Goodstein não gosta do título de “estrategista político”, prefere ser mais conhecido como um “estrategista 2.0” e assim ele foi devidamente apresentado no dia da palestra.

“Mudou a maneira de como as pessoas recebem notícias. A TV está perdendo importância e o celular está crescendo cada vez mais”, “o jornal esta morrendo nos Estados Unidos” o diferencial da campanha era “abraçar essa realidade ao invés de rejeitá-la”, devido a isso, a campanha de Obama não só focou as mídias tradicionais como fez o uso de novas tecnologias, redes sociais famosas como o Blackplanet – rede social com mais de 10 milhões de negros nos Estados Unidos e as redes sociais nem tão famosas na época como Twitter e o Hulu.

O objetivo da campanha não era falar com todos os eleitores com perfil de Obama nas redes sociais, mas sim falar com nichos “Não é todo americano que tem Facebook. Por isso a gente não pode chegar em todo mundo por ele. Mas podemos atingir um público muito específico. Mesma coisa com o Twitter: quando começamos era um site pequeno. Todos achavam ridículo manter um perfil de um candidato a presidente lá. Mas percebemos que tinha um poder muito forte o fato do candidato falar diretamente com o eleitorado”. Qualquer iniciativa na mídia social por parte de sua equipe servia para trazer eleitores aos próprios domínios online de Obama.

Um dos conselhos de Goodstein para todos foi não ter medo de experimentar. “Algumas ações nossas funcionaram bem, como mensagens via SMS e ações no Twitter. Mas tentamos algumas coisas que não deram muito certo, como vídeos de campanha para celulares. Ao longo da campanha fomos aprendendo com esses erros”, disse o especialista em marketing.

O download de vídeos para celular não funcionou bem por que, além das altas tarifas de download cobradas pelas operadoras, muitas pessoas simplesmente não sabiam como baixar vídeos na época. “Em 2007 a web móvel não era o que é hoje. O iPhone só chegou no meio daquele ano, quando a campanha já estava em andamento”, explicou Goodstein. Porém o envio de mensagem em texto, SMS, pela ênfase de Goodstein em palestra foi importante na campanha de Obama: “É um sistema fácil. Não precisa baixar nada, basta um clique. É rápido, você envia o torpedo e ele chega na hora pra pessoa que também acessa de forma instantânea e de qualquer lugar. E, além disso, foca a atenção das pessoas: assistindo TV ou lendo jornal, a pessoa pode se distrair. Mas uma mensagem, por ser curta, a pessoa presta toda atenção no que está escrito”.

Pra mim a grande “sacada” neste grande aprendizado de erros e acertos no uso destas novas mídias foi dar a devida atenção a produção de populares na campanha de Obama. Goodstein e sua equipe permitiu e incentivou a criação de imagens e vídeos e todo tipo de iniciativa de populares/voluntários à campanha de Obama, chegando a liberar o uso do logotipo para que as pessoas pudessem “brincar”. Em certo ponto da palestra Goodstein comenta: “Um dos vídeos mais vistos da campanha de Obama não foi feito pelo pessoal contratado”.

A campanha de Obama então se voltava a algo colaborativo, os eleitores não tinham só aquela velha ação de apenas olhar o perfil do candidato, seu programa de governo e daí votar no candidato, mas sim fazia com que houvesse a mobilização das pessoas/eleitores em prol do candidato gerando um ativismo e assim atingindo um público ainda maior.

O especialista afirmou ainda que o smartphone da Apple foi um exemplo do poder de mobilização da campanha. “Durante a campanha, bolamos um programa para iPhone para divulgar os eventos de que Obama participava. O programa só existiu graças ao trabalho voluntário de programadores e designers. Nós da campanha apenas coordenamos esse esforço”, detalhou.

Todos da equipe da campanha estavam ligados em vídeos, e todas as iniciativas que os eleitores colocavam na rede. “Uma das diferenças da campanha em relação a outras eleições é que era um diálogo com os eleitores. Obama passava a mensagem que queria, mas também escutava o que diziam”, e foi assim que tudo que os populares/voluntários faziam de vídeos a ilustrações de Obama eram incorporados à campanha.

Em outra palestra dada por Scott Goodstein e Peter Giangreco, também responsável pela campanha de Obama, no Brasil, vale a pena destacar a frase de Scott: “Pedíamos às pessoas para ajudar, como um time. Mas não achamos que as novas mídias estão salvando o mundo. Esta não é a resposta. No fim do dia, mensagens de texto e redes sociais sozinhas não teriam ganho a eleição“.

Observações de Goodstein sobre algumas ferramentas/mídias usadas na campanha de Obama: (fonte info abril)

Twitter: “Começamos a usar o Twitter antes que ele estourasse, mas logo ele virou uma ferramenta de comunicação em massa. Conseguíamos transmitir mensagens chamando as pessoas para ver os discursos do Obama pouco antes de acontecerem. Era só passar o link dos sites onde eles seriam transmitidos ao vivo.”

Facebook: “O Facebook foi uma forma de organizar as pessoas em pequenos grupos para elas darem suas colaborações. Podíamos fazer como antes e tentar tirar as pessoas do Facebook para trazer para o site da campanha. Ou podíamos estar no Facebook. Resolvemos abraçar a mudança.”

iPhone: “Fizemos um aplicativo de iPhone com programadores voluntários. Demos poder para as pessoas nos ajudarem. Dava para ver notícias, eventos, saber como ajudar a campanha e baixar vídeos de discursos. Os vídeos só não funcionaram muito bem porque ainda são um pouco caros. Mas foi uma honra trabalhar em uma campanha que me permitiu experimentar com um aparelho não usado antes.”

SMS: “Levantamos 32 milhões de dólares com mensagens de texto de cinco e dez dólares. Também disparamos mensagens estimulando as pessoas a votar cedo e não pegar filas.”

Compartilhamento de imagens: “Em vez de doações, também conseguimos conteúdo de valor muito maior como imagens e artes que as pessoas faziam e colocavam em seus sites de compartilhar imagens. Usamos isso na campanha, colocamos no nosso site, e ganhamos dinheiro com isso, fazemos camisetas, por exemplo.”

YouTube: “O maior vídeo sobre o Obama não foi feito pela campanha. Era uma gravação feita por alguém que assistia ao discurso em que ele disse “Yes, we can”. Podíamos reclamar do que as pessoas estavam fazendo ou aproveitar a colaboração.”

Material sobre a palestra

La estrella de Obama se apaga en la Campus – matéria do site RTE (em espanhol)

Goodstein detalha estrategia móvel de Obama e se esquiva sobre Brasil

Resumo e análise da palestra dos estrategistas de Obama – LaraSqueff resume e análisa o seminário sobre estratégia política em São Paulo dado por Ben Self, Scott Goodstein, Peter Giangreco e Jason Ralston em 2009 (estrategistas da campanha de Obama), esta análise achei bem improtante pois traz detalhes que complementam ainda mais as informações passadas por Goodstein na Campus Party.

Mais detalhes sobre “O Efeito Obama” e o uso das mídias sociais na política, você encontra no site http://efeitoobama.wordpress.com/, lá tem tudo e mais um pouco 😉

Videos

Campus Party 2010 – Scott Goodstein – Trecho Palestra
Campus Party 2010 – Scott Goodstein – Perguntas – Parte 1
Campus Party 2010 – Scott Goodstein – Perguntas – Parte 2

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