Celular radicaliza mudanças no mercado

Tendência Crescimento anual de 40% mostra a força docelular como mídia e sinaliza adoção de novos modelos de negócios. Celular como mídia deve movimentar US$ 4 bilhões em 2008 nos EUA

Aconsolidação do celular como mídia deverá promover mudanças radicais no modelo de negócios do mercado de comunicação, principalmente o publicitário. Estima-se que em três ou quatro anos, os investimentos para ampliar as ferramentas do celular nesse novo modelo de negócios poderão provocar mudanças similares às ocorridas no início da internet. As previsões foram feitas por especialistas que participaram do seminário Novas Mídias & Interatividade, organizado pelo International Quality & Productivity Center (IQPC). A participação do celular no mercado publicitário brasileiro ainda é minúscula, mas nos Estados Unidos esse segmento deverá atingir US$ 4 bilhões em 2008, segundo dados do Mobile Marketing Association (MMA).

Entre os fatores que devem contribuir para essa reestruturação do mercado estão o crescimento acentuado da base de celulares no Brasil que soma mais de 110 milhões de usuários e que cresce a uma média anual de 40%, segundo informou o diretor da Associação de Marketing Móvel do Brasil (AMMB), Fabrício Bloisi. Bloisi listou as características que justificariam a transformação do celular em uma das mídias mais poderosas do mercado no curto prazo. “É uma plataforma portátil que possibilita acesso à internet, ouvir rádio, assistir à TV, falar e enviar dados em qualquer lugar que o consumidor esteja e a qualquer hora”, comentou. Ele lembrou que no Brasil a inserção do celular atinge 57% da população. Por segmento social, essa inserção é ainda maior. Cresce para 90% na classe A, para 90% na B, para 70% na C e cai para 40% nas classes D e E. “Até 2010, esse mercado estará bem amadurecido e deverá ser o principal meio de acesso à internet”, previu. Bloisi comentou também que o mercado brasileiro ainda está na fase de fazer campanhas publicitárias usando principalmente o SMS, mas os meios são diversos e precisam ser entendidos para serem explorados com eficácia. “Do total de usuários brasileiros, perto de 60 milhões utilizam o SMS”, calcula. O executivo explica que a cadeia de valor das mídias móveis está mais complexa, indo além das operadoras e fabricantes de aparelhos. “Os produtores, agregadores e integradores de conteúdo, além das agências de publicidade e outras empresas, ganham cada vez mais espaço nessa cadeia”, disse. Bloisi também ressalta que os usuários de celular são seletivos e, para que as ações os atinjam de forma eficiente, é preciso que sejam relevantes, claras, tenham uma relação de custo/benefício atraente. Dessa forma, acrescenta o executivo, a participação do celular como mídia, que hoje gira em torno de 8% da receita das operadoras, pode chegar a 30%. Uma barreira ainda a ser superada pelas operadoras é conseguir a anuência do consumidor para receber publicidade em seu celular. Bloisi informou que, segundo dados de mercado, os índices de aceitação são ainda mais altos quando o cliente recebe em troca serviços gratuitos.

O diretor de desenvolvimento de negócios de multimídia da Ericsson, Rodrigo de Santi, lembrou que a mídia impressa foi a que registrou as maiores perdas de receita, quando a internet definiu, com mais solidez, o seu modelo de negócios. “A próxima mídia que deve observar baixas no seu faturamento é a TV”, analisa o executivo, para quem a tendência é que nenhum meio de comunicação domine mais a atenção do consumidor atual,
que ao mesmo tempo assiste à TV, fala ao celular ou acessa o e-mail.

Segundo ele, a valoração das novas mídias está diretamente relacionada aos sentidos que conseguem atingir. “Trabalha-se com muitas experiências. Quanto mais sentidos forem experimentados, maior será o valor percebido”, explicou. Ele aposta que as empresas que investirem no que ele chama de três telas – TV, computador e celular – estarão mais inclinadas ao êxito mercadológico.

autor: Welliton Moraes
fonte: Propmark

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