Análise: ‘Blogs-reality’ seduzem ao vender estilo glamoroso





As blogueiras de moda são uma categoria à parte no mundo on-line. Estão entre as mais bem remuneradas, em termos de publicidade, mas são invejadas porque, além do dinheiro e dos presentes, são vistas como subcelebridades.

Blogs ganham até R$ 80 mil por elogios

O conteúdo dos blogs de moda mais bem-sucedidos é focado na personalidade e no mundinho de sua dona, que gira, sobretudo, em torno de objetos e eventos.

Os objetos podem ter sido comprados, ser brindes de luxo enviados por empresas ou instrumentos de trabalho, ou seja, produtos os quais elas foram pagas para divulgar.

Os eventos podem ser familiares, com amigos e coquetéis ligados a marcas ou uma mistura dos três.

Na verdade, quase todo evento na vida dessas moças tem um lado comercial, seja um almoço com as amigas ou o próprio casamento. Tudo ganha ares de divulgação, passando, claro, por uma espécie de filtro da felicidade.

A diferença do publipost em relação ao conteúdo “espontâneo” é que ele é pago por uma empresa específica, que às vezes exige um comentário específico sobre um produto determinado.
É como se as protagonistas desses blogs-reality parassem, olhassem para o público e fizessem um comercial.

Valeria uma pesquisa, mas as reações das leitoras desses blogs (afinal, elas seriam as grandes prejudicadas) diante da polêmica dos publiposts é de indiferença.

O produto que as blogueiras vendem, no final, não são os objetos que elas divulgam por alguma escolha dita pessoal nem os que estão no blog em troca de dinheiro.

O que está em jogo é o chamado “lifestyle”, ou seja, a narrativa da vida dessas moças que parecem passar o dia fotografando seus looks, ganhando brindes, indo a locais badalados e recebendo dinheiro para dizer que usam determinado objeto.

E, antes que os hipócritas tentem a solução fácil de apedrejar as blogueiras, que fique claro: a moda não brota do chão, ela é uma construção e espelha com perfeição a mediocridade da vidinha de mercado.

autora: VIVIAN WHITEMAN
fonte: Folha De S.Paulo

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