Desvendando os significados ocultos nos pictogramas olímpicos

  1. Desvendando os significados ocultos nos pictogramas olímpicos




Raramente o esporte muda nas olimpíadas, as os pictogramas são um caso à parte. Os símbolos são desenhados para comunicar instantaneamente a essência de uma atividade esportiva, e são bem literais em toda sua forma. O ciclismo, uma bicicleta, um cavalo no hipismo, uma bola no basquete, No entanto com o tempo alguns designers começaram a ilustrar os elementos de uma forma que refletissem a cultura da cidade sede dos jogos olímpicos.

“Muitos dos pictogramas que você vê são projetados para representar o país ou cidade onde os Jogos Olímpicos estão acontecendo”, diz Joel Grear do estúdio Malcolm Grear Designers, que criou os pictogramas dos Jogos de Verão de 1996 em Atlanta. Você vê isso nas curvas dos pictogramas no Rio, que trazem à mente a paisagem brasileira. Em Sydney o uso de bumerangues em 2000 é outro exemplo óbvio. O famoso designer Lance Wyman desenvolveu belos pictogramas para os Jogos de Verão em 1968 na Cidade do México. Em todos os casos, as imagens dizem muito sobre o evento como o lugar que estava ocorrendo este evento.

Claro, o primeiro trabalho de um pictograma olímpico é comunicar o que está acontecendo. Um ícone mal projetado assume que você pode saber o que está olhando. Um bom garante que a mensagem foi clara.. “O objetivo é para que seja imediatamente reconhecível”, diz Grear. Mas isso nem sempre acontece, deixando as pessoas confusas e tentando discernir o significado de duas rodas, uma forma humana, e três linhas irregulares. (Spoiler: É um triathlon.)

O Comitê Olímpico Internacional poderia evitar ambiguidades, padronizando os pictogramas. Afinal de contas, a maneira mais clara para descrever ténis estará sempre com uma raquete. Isso quase aconteceu com os Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, quando simplesmente aplicaram uma tonalidade vermelha para a iconografia dos Jogos de Verão de Munique em 1972. Mas em um mundo onde a marca é tudo, pictogramas reciclados não voam. “É parte de um sistema de identidade de marca mais amplo, ele precisar ser coerente com todos os outros elementos”, diz Gary Holt, que co-fundou do estúdio SomeOne, em Londres, que trabalhou desenvolvendo os pictogramas de Londres há quatro anos. O design desenvolvidos pelo estúdio ditou que os ícones deveriam ser simples e ao mesmo tempo relevantes culturalmente. “Quando você olha brevemente estas duas coisas de frente, elas parecem opostas”, diz ele.

A evolução dos pictogramas de dez eventos olímpicos. De 1964 até o presente. Imagem maior, clique aqui.

Como resultado, muitos pictogramas Olímpicos são bem estilizados. Todos os ícones de Sydney apresentam pelo menos um boomerang. Em Beijing destacaram a caligráfia. Enquanto isso, designers como Grear acreditam que os pictogramas devem enfatizar a lado atlético sobre a cultura. Ele critica, por exemplo, os símbolos do Rio de Janeiro. “Parece que todas essas figuras são espaguetes, não foram respeitosos com os atletas”, diz Grear.

Grear, por sua vez, destaca que os pictogramas de Atlanta foram baseados em figuras gregas. Ele se lembra de enviar desenhos dos gestuais dos corpos para Atlanta e receber fotos em Polaroids com de um pé de um atleta em fundo branco para mostrar a ele como era a forma correta. O estúdio queria usar uma “enterrada” para denotar o Basquete, mas “naquele tempo, as mulheres não faziam isso, e virou um “driblador”, diz ele. Alguém, também, usou imagens de referência de atletas ao criar os ícones para os Jogos de Londres. “Mesmo que eles eram feitos de linhas angulares, eles foram mapeados em cima de fotografias de indivíduos”, diz Holt.

A Cidade do México evitou completamente a figura de corpos, descreveu cada esporte principalmente através de equipamentos. “A figura da vara que foram usadas nos ícones tornaram a leitura confusa algumas vezes quando os esportes eram semelhantes”, diz Wyman. “Nossa abordagem funcionou bem em diferentes maneiras, os pictogramas foram ousados e funcionou bem em sinais de uma distância pequena ou em material impresso.”

Gráficos de Lance Wyman – Jogos do México 1968. Cores e formas baseadas nos glifos pre-Hispânicos.

Em comparação com aqueles gráficos de Wyman, os desportos representados nos pictogramas do Rio de Janeiro pode ser difícil de distinguir. O Handebol é diferente do Basquete por uma única linha curva que representa o aro. Num relance, você pode confundir um mergulho com um trampolim. Claro, um cruzamento de rua mal concebidos ou sinal de banheiro público poderia levar a uma situação perigosa ou desagradável. Ok, a situação não é a mesma nas Olimpíadas, contanto que eles não atrapalharem os ginastas.

autora: Liz Stison
fonte: Wired
tradução: Iris Freitas Duarte

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