Profissionalismo – Não dá para não ter

“Profissionalismo não é mais um diferencial competitivo. É fator de sobrevivência.”

Profissionalismo continua sendo a credencial que garante a entrada e a permanência para os novos tempos, possibilitando ao ser humano atender a sua vocação natural, que é ser feliz e ter sucesso.

Se não estamos falando de algo novo, o que realmente mudou? Por que é tão difícil encontrar profissionais? Por que as pessoas estão ainda tão defasadas deste patamar? Por que as empresas procuram com lupa pessoas que realmente atuem com profissionalismo?

A grande revolução está na essência do que hoje significa ser profissional. A velocidade das mudanças foi absorvida pelo homem e pela sociedade na parte tecnológica, que é importante e irreversível. Só, que além dessa nova linguagem que dita novos códigos, muitos outras chegaram, sem manual de instruções, desafiando o homem e as empresas a mergulharem em território quase inexplorado: o ser humano integral e holístico.

O primeiro e grande desafio desse novo profissional é aprender a “ser”. O olhar e a atitude, além de estarem antenadas no mundo e em tudo que evolui, precisam agora se conectar com a matéria prima que dá sustentação para todo o desenvolvimento: autoconhecimento.

Essa analogia e interdependência, que cria uma ponte direta entre “ser uma pessoa inteira e ser um profissional de sucesso, antes inexistente, é o nó que os profissionais precisam aprender a desamarrar.

Essa trajetória passa por percorrer caminhos não tradicionais. Não há receitas, milagres, fórmulas prontas. Nem um manual com tudo escrito. Não há um curso, que podemos nos matricular e sair com os novos conhecimentos.

Tornar-se esse novo profissional exige coragem, escolhas diferentes e uma viagem que, inicialmente, não há ticket disponível em nenhuma companhia aérea. É uma viagem para dentro de si mesmo, para se descobrir enquanto ser holístico, sistêmico, que tem corpo, mente, alma e cujas linguagens hoje entram para o cenário empresarial e compõem o perfil do profissional do 3o milênio.

Esse mergulho vai permitir que o novo profissional entenda e comece a incorporar o novo sentido da competência. Entendida antes como sinônimo de capacidade e conquistada pelas nossas habilidades e conhecimentos.

Hoje ser competente exige um percurso mais amplo. É preciso ser competente em todos os papéis que vivemos, como cidadão, como filho, pai, mãe, mulher, marido, namorado, namorada, profissional, etc. É necessário ter uma missão pessoal, saber a que veio nesse mundo. É indispensável demonstrar tudo isso, nos traços comportamentais, que são passados através da nossa linguagem corporal.

Entender este novo conceito e ter atitudes competentes nos remete novamente ao ponto de partida: desenvolver-se de maneira total, erradicando as formas segmentadas, que durante muito tempo privilegiaram o nosso lado racional, em detrimento do lado emocional, que hoje faz a diferença.

Outro desafio que a competência exige é a grande lacuna dos dias de hoje: congruência. O legado de muitas décadas foi o sucesso relacionado com discurso e ação diferentes. Estes ingredientes andavam separados e até convivemos com modelos de sucesso do passado que ensinavam seus métodos, com a famosa frase: “faça o que eu digo e não o que eu faço”.

Ser profissional hoje faz com que desaprendamos esse comportamento. Congruência é ser e fazer de maneira sintonizada e harmônica. É dar e ser exemplo do que fala. É conquistar credibilidade com atitudes.

“Somos congruentes apenas quando nossos pensamentos acompanham nossos passos, quando nossa alma coincide com nossos corpos, quando nossas emoções estão de acordo com nossa mente e nossa conduta. E tal congruência é em si transformadora”.

Não importa tanto hoje “o que” o profissional faz. O que marca é “como” faz. O segredo do “como” é descoberto com a própria descoberta, com agregar valor ao que se faz, equilibrando lado técnico com lado humano, desenvolvendo a flexibilidade, tendo percepção para fazer uma receita diferente para cada situação, para cada cliente.

Ser profissional hoje é ser exemplo de qualidade. Além do que já se conhece de qualidade e de todos os conceitos disseminados pela sociedade da informação. O que vai caracterizar a marca do profissionalismo é ter qualidade interior. Tendo qualidade na essência todos os demais ensinamentos são assimilados e percebidos pelo cliente, pelo mercado. De novo, a interface entre o interno e externo, que se somam, se interelacionam nesse novo cenário.

Uma nova gramática faz parte da bagagem desse profissional. Alguns termos saem de cena: eu, ou, ter. No lugar, entram novas palavras e mais do que isso, novas atitudes: nós, que privilegia o trabalho em equipe, e, que agrega, ao invés do “ou” restritivo e que segmenta, ser, que passa a representar o grande diferencial e a fonte inesgotável para viver plenamente, sendo profissional em todos os papéis.

Profissionalismo no 3º milênio é um processo ininterrupto de aprendizagem. Aprender, aprender é a lei. O leque da aprendizagem se amplia. Os professores estão em toda a parte. Ao nosso lado, na nossa casa, na rua, nas empresas, no universo. É só estar atento, com a percepção desenvolvida e com a porta interior aberta e sintonizada.

O universo é um mestre infinito. E dele, um dos professores dos novos tempos pode ser o golfinho. Ele está em alta, entende do que estamos falando e já faz isso há muito tempo.

Para aprender com o golfinho, é preciso erradicar os modelos que ainda perduram no nosso dia a dia, inspirados na carpa e no tubarão. Ambos vivem em um mundo de escassez e acreditam que podem ficar sem o que necessitam. Para a carpa, vencer é não perder, é não sofrer. Por isso, contenta-se em empatar. Não assume riscos, não muda. Para o tubarão, vencer implica em que alguém perca. É a postura do “eu ou você”. O golfinho joga em todas os mares, acredita que o melhor resultado para o grupo é o melhor para o indivíduo, consegue benefícios jogando partidas finitas, a partir de uma perspectiva infinita.

“Quando o discípulo está pronto, o mestre aparece”. Se estivermos preparados para aprender, para captar o novo, teremos a nossa disposição muitos mestres. Todos nos mostrarão que os “recursos” para ser esse novo profissional estão dentro de nós. Quando descobrimos essa trilha, a luz interna se acende, encontra a luz externa e todas as portas se abrem, sem ser necessário nelas bater.

O diploma do novo profissional não vai para a parede. Ele é a nossa própria essência. Ele dá poder. O poder que emana do autoconhecimento e do conhecimento do outro.

“Quem sabe o que faz, faz o que quiser”. E com esse poder que ele se credencia como o profissional dos novos tempos.

autor: Roberto Shinyashiki
fonte: fenassec

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