“Sociais medias do meu coração, como você lida com os clientes que gostam de falar difícil, escrever difícil? Não gosto dessa linguagem em rede social, acho que não é ambiente para isso. Como lidam aí?”
A pergunta apareceu em uma rede social que participo levantou uma questão comum no meio do marketing digital: redes sociais devem sempre ter uma linguagem simples, informal e acessível? A resposta curta: não necessariamente. A resposta certa: depende do público.
O tom de voz não nasce da sua preferência pessoal
Social media não é escritor de ficção. Não é sobre escrever “bonito” ou “como você gosta”, é sobre escrever do jeito que o público precisa ler para entender, confiar e se conectar.
Se você não é o público daquela marca, não é seu gosto pessoal que vai definir se a linguagem está adequada ou não. Existe uma estratégia por trás. Ou, pelo menos, deveria existir.
Plataforma importa, mas não manda em tudo
Sim, cada rede tem seu estilo predominante. O TikTok é mais informal, direto, com ritmo acelerado. O LinkedIn tende ao conteúdo mais denso e profissional. Instagram, mais visual. Threads, mais opinativo. Mas isso não significa que todo conteúdo tenha que seguir a mesma fórmula.
O que a plataforma pede é adaptação de formato e abordagem, e não a diluição do conteúdo a um ponto em que ele perca identidade, profundidade ou valor. Já vimos especialistas técnicos fazendo sucesso no TikTok. Já vimos marcas jovens ganharem força no LinkedIn. O jogo não é tão engessado quanto muita gente acredita.
Quem define o tom é o público (e o posicionamento da marca)
Se você cuida de uma marca voltada para o público jurídico, por exemplo, não faz sentido tentar simplificar tudo até o ponto de parecer desinformado ou imaturo. Se o conteúdo técnico é o diferencial da marca, ele precisa ser preservado — mesmo nas redes sociais.
Por outro lado, se o público é mais popular, não adianta usar termos rebuscados esperando que alguém vá pesquisar no dicionário. O conteúdo vai passar batido.
O tom de voz não nasce do social media nem da plataforma: ele nasce do posicionamento da marca e das características da audiência.
O perigo da pasteurização
A busca cega por engajamento tem levado muitas marcas a adotar uma linguagem genérica, “fofa”, leve, divertida — mesmo quando isso não faz sentido para o negócio.
O problema? A marca perde identidade. Fica parecida com todas as outras. Troca profundidade por curtidas vazias. E pior: muitas vezes não vende, porque não se comunica de forma eficaz com quem realmente importa.
Quando o cliente resiste: como argumentar de forma estratégica
Nem sempre o cliente entende, de cara, que o tom da comunicação precisa ser ajustado. Às vezes, ele quer manter uma linguagem mais rebuscada ou técnica, mesmo quando o público não acompanha. Nessas horas, vale trazer o argumento de forma clara, com foco em resultado e conexão com o público.
Uma sugestão de abordagem seria:
“Tenho sentido que alguns termos e expressões mais técnicos podem não estar sendo totalmente compreendidos pelo seu público, que não é tão familiarizado com essa linguagem.
Minha sugestão é a gente testar uma abordagem com uma linguagem mais acessível, mais clara, pra facilitar o entendimento e gerar mais conexão. A ideia não é simplificar demais, mas sim ajustar o tom pra que a mensagem chegue com mais força e naturalidade pra quem consome o conteúdo.
Se você topar, podemos fazer esse teste em algumas postagens e acompanhar os resultados juntos. Assim, conseguimos entender melhor o que realmente engaja e conversa com seu público.”
Com empatia, argumento técnico e uma proposta de teste, o cliente tende a enxergar que a mudança não é uma “invasão de estilo”, mas um passo estratégico para melhorar os resultados da comunicação.
Redes sociais são meios, não fins
É claro que uma linguagem muito difícil pode afastar parte do público, mas isso não é uma regra geral: é uma questão de adequação estratégica. O conteúdo deve ser pensado para alcançar o público certo, com o tom certo, no lugar certo.
A linguagem da rede social não precisa ser “leve”. Ela precisa ser eficaz. E isso só se define com base em dados, objetivos e público — não com base em achismos.
Quer conteúdo estratégico de verdade? Leia também: Por que a obsessão por engajamento pode prejudicar sua estratégia digital ou fale com a gente e entenda como posicionar sua marca com inteligência.