Regras da comunicação

  1. Regras da comunicação




A palavra COMUNICAÇÃO tem a sua raiz etimológica no latim communis, nos dando um sentido ou idéia de comunidade, ou seja, de algo pertencente a um conjunto ou a uma relação de trocas. De acordo com MAGNE (1952) comunicar é participar, realizar trocas de informação é fazer com que as idéias, volições ou estados d’alma se tornem comum aos outros. Subtende-se com isso que existe, nos processos comunicacionais, a possibilidade das pessoas se entenderem, fundindo idéias dantes isoladas. Trata-se de um movimento dinâmico em que aquilo que é meu, neste caso pensamentos e idéias, passam a pertencer ao outro e vice-versa.

Podemos nos comunicar com o outro de diversas formas. Fala, escrita, desenhos e sinais são alguns exemplos de comunicação pelos quais transmitimos uma mensagem. O tema aqui desenvolvido está mais relacionado à comunicação através da palavra falada e sinais de gesto. De acordo com R. Jakobson (1989), sete elementos podem ser destacados aqui:

  • Emissor – é aquele que, através dos diferentes tipos de códigos de comunicação, emite uma mensagem.
  • Mensagem – representa o conjunto de informações transmitidas pelo emissor.
  • Receptor – é aquele que recebe a mensagem.
  • Código – é a combinação de signos utilizados na transmissão da mensagem. Só poderemos considerar a ocorrência de comunicação quando o receptor decodifica a mensagem.
  • Canal de Comunicação – representa a via por onde a mensagem é transmitida: cordas vocais TV, revista, jornal, etc.
  • Contexto – também conhecido como referente. É a situação a que a mensagem se refere.
  • Ruído – é o fenômeno que perturba de alguma forma a transmissão da mensagem e a sua perfeita recepção ou descodificação.

Quando estabelecemos uma relação de comunicação com outrem, utilizamos os signos comunicacionais dando a eles sentido e significado, sem os quais não ocorrerá de fato o que chamamos de comunicação.

Chamamos de sentido Denotativo quando usamos o signo em seu sentido real e o chamamos de Conotativo quando o utilizamos no sentido figurado, simbólico. Além do sentido, a palavra precisa de significado, ou seja, precisa representar um conceito.

A esta combinação de palavra e conceito chamamos de signos lingüísticos sendo a palavra o elemento concreto, o significante, e o conceito, o elemento inteligível ou imagem mental, representando o significado.

Quando alguém fala, se utiliza da linguagem com objetivos, ou seja, a linguagem tem funções, que podem ser:

  • Emotiva – também chamada de expressiva. Nesta função o emissor demonstra seus sentimentos ou emite suas opiniões ou sensações a respeito de algum assunto ou pessoa.
  • Fática – ocorre quando o emissor testa o canal de comunicação para ter a certeza de que está sendo entendido. É o Feedback.
  • Poética – utilizada nas obras literárias, principalmente poéticas.
  • Conativa – também chamada de apelativa. Esta função tem por objetivo convencer o receptor a praticar determinada ação.
  • Referencial – objetivo de informação. Também chamada de função informativa ou denotativa.
  • Metalingüística – palavras que explicam o significado de outra palavra.

Todas estas funções podem ocorrer simultaneamente em um processo comunicacional. Dentro do contexto que aqui estamos tratando, algumas funções merecem maior destaque, que são: emotiva, fática e referencial. Pensemos na utilização dessas funções e em quais teríamos um melhor resultado na escuta terapêutica. Algumas não devem ser utilizadas, como por exemplo, a conativa, que é apelativa. Quando utilizada demonstra total despreparo para a escuta terapêutica.

Ocorpo também fala

Já vimos que a comunicação é entendida como sendo um processo de transmissão e troca de mensagens. Para tal utilizamos a linguagem verbal, através do uso das palavras, e a linguagem não-verbal ou linguagem corporal, em que utilizamos os elementos não verbais da comunicação que são os movimentos faciais e corporais, ou seja, os gestos, os olhares e a entoação da voz.

Enquanto que a comunicação verbal é totalmente voluntária e, portanto, consciente por se tratar de um “conhecimento imediato da sua própria atividade psíquica”, o comportamento não-verbal pode ser uma reação involuntária e, em uma abordagem psicanalítica, podemos entendê-la como sendo um ato inconsciente, ou seja, diz respeito a elementos pelos quais conscientemente não temos acesso e, portanto, sem o nosso controle, mas que são de grande representatividade nos processos comunicacionais.

Podemos concluir que há necessidade de preparo em uma leitura corporal para possibilitar a captação de dados por essa via de informação e manifestação do sujeito, do contrário, ficaríamos limitados apenas à linguagem verbal, diga-se de passagem, muito limitada.

Para que a comunicação seja eficiente na interação pessoal, devemos dar a devida importância tanto aos elementos verbais como aos não-verbais.
Há vários trabalhos científicos que confirmam essas afirmações sobre a importância da linguagem não verbal.

Charles Darwin em 1872 publicou “A expressão das emoções no homem e nos animais” cujos estudos só foram reconhecidos e confirmados por pesquisas em 1960. Vejam os resultados das pesquisas:

O impacto total de uma mensagem é:

  • 7% Verbal (apenas palavras escritas)
  • 38% Vocal (incluindo tom de voz, inflexões e outros sons)
  • 55% Não-Verbal. (gestos e movimentos)

Em uma conversa frente a frente, o impacto é:

  • 35% Verbal (palavras)
  • 65% Não-Verbal (gestos e movimentos)

Os resultados destas pesquisas sugerem que a desconsideração da linguagem do corpo em um processo comunicacional representaria o desperdício de mais da metade das informações realmente transmitidas por um emissor.

Foi Sigmund Freud o principal inaugurador do que foi chamada de “espaço da fala”. Foi quem mais deu importância à palavra, fazendo com que a escuta ocupasse um lugar central dentro da psicanálise.

Citando Freud em “A escuta Psicanalítica”, ALONSO afirma que “Ao introduzir o conceito de inconsciente, Freud coloca a fala em outro lugar, alguém que fala e ao fazê-lo diz mais do que aquilo que se propunha”. Neste falar, em certos momentos, a lógica consciente se rompe, se desvanece, e algo diferente se torna presente, manifestando outra lógica.

A lógica do processo primário, presente no lapso, no sonho, no chiste, no esquecimento, na frase contraditória, no duplo sentido de uma frase que Freud manda Dora escutar quando lhe diz: “Memorize você bem suas próprias palavras. Talvez tenhamos que voltar a elas. Você falou, textualmente, que durante a noite algo pode acontecer que obrigue alguém a sair do quarto”

Após a teoria psicanalítica aquilo que antes não tinha muito sentido passa a ter um significado, fazendo conexão com eventos do passado, principalmente da infância. É exatamente neste contexto que iremos entender a idéia de que nada acontece por acaso. Desta forma, aplicando a relação de comunicação com o outro a uma abordagem psicanalítica, percebe-se a necessidade de se atentar para todos os detalhes na relação de diálogo.

Há muito mais informações nas entrelinhas daquilo que é dito do que de fato naquilo que o emissor está falando, mesmo aquilo que se julga sem significado, principalmente por parte da pessoa que fala.

autor: Gerson Cavalieri
fonte: Artigonal

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