Que bom seria se o comportamento do eleitor mudasse

  1. Que bom seria se o comportamento do eleitor mudasse




Os eleitores no Brasil são pouco ligados nas consequências e muitas vezes os votos vão para qualquer um, por simples obrigação. Desta vez os debates vão aparecer mais intensamente nas timelines. Muda alguma coisa?

Em outubro o Brasil vai às urnas escolher presidente, governador, deputados e senadores. Com a “concorrência” alta, candidatos já acrescentaram em suas campanhas a presença nas redes sociais.
Como chegar até o eleitor sem a sensação de invasão do que seria um momento de lazer? Ou sem parecer a propaganda obrigatória que assistimos na TV?

As lições de Obama

Muitos políticos já possuem páginas no Facebook e contas no Twitter, a fim de se aproximar do eleitorado, ouvir críticas e sugestões. Muito continua sendo feito com base no exemplo de campanha de Obama, em 2008. Ele criou uma espécie de “rede social”, o MyBarackObama.com apenas para os eleitores criarem seus blogs de discussão.

Também fez o YouBama, onde os usuários podiam subir vídeos dizendo as razões pelas quais votariam ou não nele. Usando apenas 2% do seu budget para as redes sociais, Obama conseguiu arrecadar cerca 100 milhões de dólares para sua campanha, o que corresponde a 87% do total. Dando poder de voz às pessoas, ele não se tornou invasivo, recebendo apoio espontâneo e comícios lotados.

No Brasil

Mesmo que no Brasil a campanha dos candidatos não seja tão impactante, é de suma importância o cuidado em não tornar a propaganda na web um discurso rápido, daqueles que são veiculados na TV: “Candidato X, promete melhoria na educação, creches e escolas. Vote 0000”.

Em São Paulo, candidatos já apostam em canais interativos, com rede de blogs, espaço e fórum para sugestões e vídeos. A novidade também está no uso do WhatsApp: a ideia pode ser vista como um meio de o eleitor ver o candidato como se fosse a “recomendação” de um amigo. No Rio de Janeiro, a prática já é comum, com candidatos repassando propostas por SMS e mensagens.

Vale ressaltar que estas redes não devem ser esquecidas após as eleições, o que acontece com frequência. Outro ponto importante é para que o eleitor se defenda: existem algumas restrições sobre o que é permitido nas eleições.

Estão vetados:

  • Anúncios pagos como: Facebook Ads, LinkedIn Ads, Youtube Ads, Twitter Ads e banners em blogs de terceiros.
  • Compra de banco de dados (comum para quem faz e-mail marketing).
  • Divulgação de campanha em sites de pessoas jurídicas ou órgãos do governo.
  • Mídia paga, como Adwords.
  • Se algum desses tópicos for violado, o TSE já colocou à disposição da população um canal online para denúncias.

O sofativismo

Mais que simplesmente fazer propaganda, a preocupação está em fazer com que o eleitor veja as mídias sociais como um canal de debate direto, humanizando a imagem política. O que pode ser um desafio – que vale a pena ser superado – é que a população em geral deixe de ver a política como algo distante, que acontece lá em Brasília, para algo que cada um pode opinar e mudar, se for trabalhado em conjunto.

No entanto, junto a este desafio vem o comodismo dos cidadãos: parece que em frente ao computador a coisa piora, com os “sofativistas”, termo para caracterizar os “ativistas de home office”.

Eles provavelmente estarão muito presentes durante as eleições e caberá a cada cidadão tirar proveito dos debates e das campanhas que aparecerem em sua timeline. Esse é o momento para deixar um pouco de lado as “selfies” para pensar no coletivo. Pois o marketing das campanhas políticas mudou, agora só falta o comportamento dos eleitores.

autora: Debora Carvalho
fonte: [Webinsider]

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