Publicidade e arte caminham juntas em rumos diferentes

“Direção de arte”. “Desenvolvimento de arte” de websites, portais e banners. O fato de o termo arte ser recorrente na nomenclatura de criação publicitária, combinado ao aspecto inovador e estético da área, gera dúvida quanto à publicidade como peça artística.

Não vou tentar definir o que é arte neste artigo – seria uma discussão muito complexa, além de polêmica –, mas acredito que um ponto é senso comum: a arte é caracterizada por ser uma criação autoral.

A idéia de publicidade como arte cai por terra já nesse argumento, pois possui diretrizes do cliente, da agência, do coordenador da equipe, entre outros. “Em design, o cliente espera ver um pouco de você no trabalho, já em publicidade não. O cliente quer somente o que ele necessita”, afirma o designer e diretor de arte da equipe de criação da agência Mídia Digital, Rodrigo Bellão. “Quando tem regra, deixa de ser arte”, completa ele.

Tudo bem, publicidade e arte são diferentes, mas ambas dividem o ideal clássico da beleza. Um banner esteticamente mal resolvido, por exemplo, não atinge um grande público. Por isso, a máxima “o cliente tem sempre razão” não é válida na área de criação. “A maioria dos clientes não consegue mensurar esse tipo de coisa, então a gente propõe quebrar barreiras e fazer o cliente mudar de opinião com justificativas embasadas”, conta o designer e coordenador da equipe de criação da agência, Fernando Barbosa.

Outra regra que dita e dificulta o jogo é a do meio onde a peça publicitária é veiculada. Além do objetivo do anunciante e público-alvo, a internet impõe outros limites, “como o formato e resolução, que dificulta o trabalho, mas ao mesmo tempo força a sua criatividade a fazer algo leve e funcional”, diz o estudante de Publicidade e Propaganda e estagiário de criação da Mídia, Dagmar Lenhart Nesi.

Para estimular a criatividade, referências artísticas voltam a permear o campo da publicidade. Animações, vinhetas e fotografias ajudam Bellão. Ler quadrinhos e fazer ilustrações como hobby dão base para Igor Pinto Arantes – ilustrador da Mídia Digital formado em Gravura, Design e Cinema – que substitui as ferramentas de trabalho Photoshop, Flash, Ilustrator e After Effects, por nanquim e pincel em casa.

Moral da história: a publicidade é a funcionária de agência, enquanto a arte é autônoma, que de vez em quando dá umas dicas para a publicidade.

autora: Manuela Sanches
fonte: Midia Digital

5 Comentários

  1. Publicidade tem sim um cunho autoral. Seguir diretrizes de clientes e agências não tira a autoria do publicitário. Falar isso é a mesma coisa que dizer que uma peça de cerâmica feita sob medida não é arte ou um filme, que precisa seguir um roteiro, onde esse diretor é o cliente e os demais trabalhadores são os artistas.
    Outro ponto problemático no artigo proposto é a ideia de que a arte não tem regras. Uma musica sem harmonia não é musica. Os movimentos artísticos claramente tem suas regras. As métricas e versos da poesia… Enfim, as demonstrações de regra não arte são muito diversas.
    As regras de vinculação da internet não recaem apenas na publicidade. Recaem no fotógrafo, recaem no desenhistas e tantos outros artistas que produzem conteúdo digital.
    Uma das maiores provas de que publicidade é arte provém do pop art. Basta fazer uma leve pesquisa no google para se perceber como o movimento foi rico em intervenções publicitárias e que essas intervenções que simbolizavam o movimento. Andy Warhol com as latas de sopa Campbell são a máxima de que sim publicidade é arte.

  2. uma vez complexa , temos de desevolver mas acerca do tema porque sao bons para debates e nao traze novos horizontes , fora j as existentes.gostei imenso

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