Propaganda Ilimitada

  1. Livro: Propaganda Ilimitada




autor: Francesc Petit
editora: Futura

Sinopse:
Além de ser um dos mercados que mais cresceram no Brasil dos últimos anos, a publicidade também exerce intensa atração profissional nos jovens de hoje. Daí ser de extremo valor essa nova edição de ‘Propaganda Ilimitada’. Traz informações preciosas aos que já estão ou pretendem ingressar nessa área. Francesc Petit acumulou em mais de 50 anos de apaixonada atividade grandes experiências que ele transmite no livro com riqueza de observações. São cerca de 30 capítulos em que trata dos mais diversos segmentos dessa indústria tão competitiva. A conduta de um bom contato com o cliente, as dificuldades de criação de um designer ou de um diretor de comerciais na execução de um roteiro, o poder destrutivo de um lay-out ruim ou de um marketing canhestro e mentiroso, os desafios de uma renovação em marca tradicional são algumas das questões que passam pelo crivo do autor.

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Para Completar

Petit e a mística da profissão

Morte do P da DPZ marca o fim da era dos criadores geniais e a entrada em cena dos executivos que sempre dizem amém

“Conhecer pessoas e personagens é um grande capital para um publicitário, que tem de agir como uma sanguessuga, absorvendo dessas pessoas todos os conhecimentos possíveis para, assim, enriquecer os seus — nesse sentido, vale tudo, desde a experiência de um feirante, um industrial, uma prostituta, um padre ou um motorista de caminhão. É preciso saber como pensa o costureiro, o arquiteto, a dona de casa, a faxineira ou a enfermeira. É preciso ser rápido e agitado e poder oferecer seu patrimônio intelectual a serviço dos clientes, preocupados com seus problemas específicos. O bom profissional sempre sabe mostrar as coisas por um lado novo, inédito, surpreendente, e é isto que fascina o anunciante”.

“Uma boa propaganda vale muito e precisa-se saber valorizá-la adequadamente. Isso ajuda a valorizar a profissão e os profissionais que nela trabalham. Essa é uma mensagem dirigida àqueles que costumam tratar o trabalho de criação como se fosse banana de liquidação”.

“O novo publicitário é imediatista, mais parece um agente financeiro do que um profissional de propaganda. Na verdade, eles descobriram uma nova linguagem que agrada ao anunciante: números, pesquisas, resultados e tudo o que ele quer ouvir. Isto garante emprego ao CEO, ao vice-presidente, ao diretor financeiro, ao diretor de marketing, ao gerente de propaganda e seus bagrinhos”.

“Acho que essa idiotice das mega-agências conturbou um pouco a mística da profissão. Acho que a ambição exacerbada por ganhar dinheiro empanou um pouco o brilho da profissão. Acho que personagens como Martin Sorrell não fizeram nenhum bem à profissão e muito menos bons anúncios”.

“Junto com essa maldita globalização veio algo, todavia, mais terrível que é o alinhamento de contas publicitárias que concentram todos os grandes clientes do mundo em quatro ou cinco conglomerados do mundo da comunicação como Interpublic, Publicis, WPP e Omnicom e outros menos representativos. Com isso foi o fim das empresas de propaganda nacionais. Todas correram para se associar a essas marionetes da propaganda. Em sentido textual, para poder sobreviver financeiramente sem a mínima dignidade e muito menos soberania”.

Todas essas frases são do livro Propaganda Ilimitada, de Francesc Petit, lançado em 1991 e reeditado em 2006. É antológico e, ao mesmo tempo, irônico o fato de a morte do P da DPZ acontecer quatro meses antes de os sócios da agência mais importante da história da moderna publicidade brasileira terem de passar o controle total da empresa que fundaram em 1º de julho de 1968 para o Publicis Groupe. O agora maior conglomerado global de comunicação (após a fusão com o Omnicom, anunciada em julho) havia comprado 70% das ações da empresa, em 2001.

Assim como gostava de imagens fortes — como a do caixão fechado coberto pela bandeira da Catalunha com suas listas amarelas e vermelhas, sob o qual repousava uma pequena coroa de rosas vermelhas em forma de coração, no seu velório —, a morte de Petit deixa também uma marca forte. Uma marca de mudança, de novos tempos, do fim de uma era. Saem do palco os grandes criadores geniais, polêmicos e que defendiam com veemência suas posições para entrar em cena executivos que sempre dizem amém e que acabam aceitando tudo goela abaixo.

Talvez não tenha sido por acaso que um dos mestres da nossa propaganda tenha partido antes de ter de passar totalmente o bastão para o que ele chamava de marionete da propaganda. É quase como uma recusa do destino à rendição ao poder implacável das transformações pelas quais passa nossa indústria.

autora: REGINA AUGUSTO
fonte: http://www.meioemensagem.com.br/

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