O fim da família perfeita e feliz

Protagonistas de filmes em que são “exemplo de família”, Cauã Reymond e Grazi Massafera provam que há riscos na fórmula

  1. Propaganda Grazi e Cauã - belVita




A notícia sobre a separação dos atores Cauã Reymond e Grazi Massafera (ainda não confirmada pelo casal) que repercutiu na imprensa especializada em celebridades, na semana passada ia além das razões da separação. De acordo com os posts dos blogueiros do meio, ambos não falaram sobre o assunto por terem contratos de publicidade conjuntos.

No início do ano passado, o casal protagonizou a campanha de Suvinil, criada pela NBS. Em maio deste ano, voltaram à cena em comercial da Belvita, de Mondelez, desenvolvido pela Peralta. Em ambos, representam a si próprios, como símbolos de família feliz – uma imagem que para alguns profissionais do mercado não faz mais sentido na publicidade.

Para Washington Olivetto, chairman da WMcCann , por exemplo, o imperfeito e verdadeiro estão cada vez mais sedutores no mundo da comunicação. “Se utilizarmos a família perfeita corrermos o risco de a campanha ser encarada como falsa e clichê”, opina.

Para eles, a separação, se confirmada, não ressoará negativamente para as marcas que tem Cauã e Grazi como personagens. “A separação de casais é comum, algo que acontece todos os dias. E a classe C, que é a que mais cresce quando falamos sobre consumo, é formada por pessoas que não têm esse preconceito, são pessoas que não se preocupam com o status social, mas com o próprio bem-estar”, acredita Hugo Rodrigues, COO e chief creative officer da Publicis Brasil.

Márcio Oliveira, sócio e presidente da Lew’Lara\TBWA, também não acredita que as marcas sejam afetadas. Ele explica que no momento em que foram feitas as campanhas, aquele era o retrato da vida real do casal. “Quando você trabalha com uma pessoa que tem exposição constante na mídia, no fundo você deve trabalhar com verdades. Quando você leva uma verdade para a marca, é difícil que ela sofra depois, por mais que algo mude. E todas as famílias estão sujeitas a separação”.

Já Augusto Cruz Neto, sócio e presidente da Mood, acredita que, apesar de a sociedade brasileira debater abertamente assuntos como sexo, traição, crises e homossexualidade, as pessoas ainda são conservadoras em alguns aspectos. “Na hora de falar de si mesmo, querem tudo perfeito, conforme a tradição manda. A família perfeita não existe, e mesmo assim ainda é referência na propaganda. E vai continuar sendo”, aposta.

autora: NATHALIE URSINI
fonte: Meio e Mensagem

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *