Chupações e chupadores

Você que trabalha em propaganda conhece bem esse assunto e provavelmente já teve alguma de suas idéias chupadas. Eu mesmo tive várias, e confesso que já tentei chupar algumas do One Show. O que mais me emputece nisso não é ter a idéia roubada, mas constatar a mediocridade e pobreza de espírito do ser humano.

Ter idéia é um momento de brilho, uma espécie de dom. Roubar idéia é uma coisa rasteira e covarde. Para evitar ser roubado, desenvolvi algumas técnicas que podem ser úteis.

Quando tenho alguma idéia, não falo nem com o diretor de arte. Mando um e-mail e, para evitar rastreamento, coloco no subject “Corrente”. Para ser mais previdente ainda, escrevo a idéia no meio de uma poesia.

Outra tática bastante eficiente consiste no seguinte:
1- tenho a idéia;
2 – saio da agência;
3 – ligo no celular do diretor de arte e conto pra ele;
4 – volto pra agência como se tivesse ido ao banco, sento na frente do meu computador e não falo mais sobre a idéia. Nem com o diretor de arte.

Também existe outro estratagema. Na hora de passar a idéia para o diretor de arte, mais uma vez fico em silêncio. Não falo, só escrevo num post-it. Mas em letras minúsculas, bem pequenas mesmo. Ele, o diretor de arte, tem uma lupa, com a qual consegue ler o texto, e, assim, a idéia está criada.

Já o diretor de arte, para não ser copiado enquanto cria, usa sobre a tela do computador um insulfilme. Assim ninguém vê o que está sendo criado (nem ele), e quando imprimimos, é sempre uma grande surpresa.

Assim, com essas técnicas de autodefesa e guerrilha, nos livramos dos chupadores e das chupações. Já a vingança vem quando mostramos que não precisamos chupar, pois sabemos criar.

fonte: Portal da Propaganda
autor: Daniel Funes

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