Sobre os 0800: mobile marketing?

Nas últimas semanas, quem ficou parado no trânsito de São Paulo certamente notou algo em comum entre duas campanhas veiculadas nos relógios da cidade (dos poucos espaços sobreviventes à Lei Kassab): chamadas call-to-action para um 0800.

A primeira delas foi para Seda. Do outro lado da linha estava Thaís Araujo convocando as pessoas a gravarem um depoimento que seria postado no site da marca.

Atualmente, está no ar (ou melhor, nos relógios) uma campanha para uma farmacêutica (já que a pergunta é: Você tem diabetes?) e a mesma ação para ligar para um 0800.

Aí me pergunto: são ações de mobile marketing? Alguns podem dizer que sim. Afinal, o mobile é elemento chave na campanha. Outros já argumentariam que a telefonia se resume ao papel de ponto de contato, nada mais.

No fim das contas, o meu maior questionamento não é apenas isso. Na verdade, o que me causa estranheza é a ausência do uso de interações mobile (voz, SMS, mobile web, etc.) em ações cross-media.

O celular é o único meio com absoluta simultaneidade com qualquer outra mídia. É totalmente possível ler um anúncio impresso, ouvir um spot ou assistir um filme de 30 e interagir em tempo real com o celular. Dificilmente, alguém conseguiria ler um anúncio na Veja e assistir ao Fantástico ao mesmo tempo.

Logo, confesso uma certa decepção com o nível de experimentação de ações mais cruzadas e interativas no mercado. Em mobile, de uma maneira geral, paga-se por performance: número de SMS enviados, ligações feitas, downloads realizados, acessos ao mobile site.

Alguns poucos exemplos demonstram como a integração interativa é eficaz.

A Abyara está no ar com uma ação para um empreendimento imobiliário em SP, na qual há em toda mídia impressa uma chamada para se enviar um SMS gratuito para conhecer detalhes do imóvel. A cada veiculação, mais de 600 pessoas em média interagem com o anúncio.

Para o Boteco Bohemia do ano passado, o mesmo foi feito na campanha do evento em mídia impressa. Resultado: mais de 55.000 interações em um mês.

Quando vamos para integrações com web, os números explodem. Em campanha na aba do Messenger para Sprite, houve mais de 160.000 interações (SMS e voz) em um mês de campanha.

Ou seja, basta experimentar, investir e pagar “apenas” pelo sucesso. Parece uma dinâmica bem simples. No entanto, a falta de modelos mais claramente definidos pelo mercado, bem como papéis mais estruturados dos players (operadoras, integradoras, agencias mobile, agências tradicionais) têm dificultado muito o avanço do mercado.

Não tem mágica. Salvo raríssimas exceções, nenhuma marca investirá milhões numa iniciativa puramente mobile logo de saída. Ações menores, pilotos e testes são fundamentais. Porém, é preciso viabilizar técnica e comercialmente essas pequenas iniciativas. Ou conseguimos isso ou o mercado ficará em compasso de espera e morrerá por inanição. Ou então podemos mandar 0800 em tudo.

autor: Leonardo Xavier
fonte: Mundo Marketing

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