Primeiros passos rumo à sustentabilidade

Ser sustentável vai muito além da promoção de pequenas iniciativas. Trata-se de uma ruptura com os processos incoerentes por meio da inovação

Até algum tempo, sustentabilidade era apenas uma palavra da moda. A sociedade ergueu a bandeira do mundo sustentável, mesmo sem entender completamente o que isso significa. Esse fenômeno influenciou o meio corporativo, que passou a se perguntar: afinal, como entrar para o clube das empresas sustentáveis? Num passado não muito distante, empresas preocupadas com isso eram vistas como visionárias e vanguardistas.

Para Marcelo Torres Alves, sócio-diretor da Sustainable Hub, consultoria especializada em levar tecnologias inovadoras na área de sustentabilidade às empresas, o processo de transformação começa com um olhar sincero diante do espelho. “O primeiro passo é fazer uma avaliação genuína da principal atividade que a empresa exerce e seu impacto”, avisa.

É preciso considerar se a forma como a empresa atua está coerente com o que a sociedade aspira, segundo o especialista. “Deve-se levar em conta os impactos que a companhia gera em sua operação, em termos de uso de matéria-prima, energia, água, descarte, relacionamento com o público, enfim, tudo que envolve a atuação da empresa naquele momento”, explica, alertando que, feito isso, tudo aquilo que se mostrar inadequado e incoerente, deve ser revisto.

Erro recorrente

Para muitos, o termo sustentabilidade ainda se limita às questões ambientais, apesar dos esforços dos especialistas em esclarecer que se trata de um tripé, que contempla também os aspectos social e financeiro. A forte associação com a causa ecológica foi promovida, em parte, pelo marketing das próprias empresas.

Para Torres, esse mal-entendido precisa ser resolvido. “Isso nada tem a ver com o fato de que o planeta está ficando mais quente, o regime de chuvas está mudando ou porque o pinguim da Patagônia está morrendo. Não é disso que se trata a questão de uma companhia ser sustentável, mas sim de como sua operação deve ser coerente com os recursos que consome”, destaca. “Diante de uma sociedade cada vez mais exigente, cada recurso mal utilizado é prejuízo para a companhia.”

Os aspectos financeiro, social e ambiental devem caminhar juntos para que a empresa se torne efetivamente sustentável. A reformulação de toda uma operação terá impacto na sua atividade e isso não pode ser justificado apenas como uma ação de marketing para que a empresa se promova como “protetora da natureza”. Trata-se de uma decisão estratégica para tornar a empresa mais eficiente. “Caso contrário, não é possível explicar o investimento da mudança para o acionista e o projeto não se sustenta com o passar do tempo”, garante Torres. “Numa situação de crise, como estamos vendo agora na Europa e nos Estados Unidos, o projeto seria o primeiro a ser descontinuado”, justifica.

Inovação de disruptura

O consultor da Sustainable Hub garante: inovação e sustentabilidade devem caminhar juntas. “Não estamos falando de pequenas melhorias. É preciso adotar uma inovação disruptiva, criar valor e se posicionar a frente das demais empresas do mercado. É uma atitude agressiva, extremamente associada à atividade do negócio”, ressalta, apontando que as empresas que fazem isso da melhor maneira são aquelas que estabelecem uma régua bem alta, com metas agressivas que sejam capazes de movimentar a empresa em direção à inovação.

Muitas companhias buscam se promover no mercado divulgando ações isoladas em nome da sustentabilidade. Na visão do consultor, essas iniciativas precisam ser repensadas. “Não tenho nada contra o marketing. É perfeitamente aceitável que você divulgue o que você faz. No entanto, é inútil promover coleta seletiva no escritório da empresa se você não tiver a mesma coerência com o restante do ciclo produtivo da companhia, na cadeia de fornecimento, no processo de compra e venda, de distribuição, de atendimento ao cliente etc.”, lamenta Torres.

Para finalizar, ele questiona: “Qual é o propósito de se promover uma iniciativa que efetivamente não é relevante diante de todo impacto que a empresa provoca? A gente sabe que isso é só para inglês ver.”

fonte: http://www.hsm.com.br/

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