Marketing Pessoal

Fatos recentes me fizeram relembrar o grande Comandante Rolim Amaro. Em uma das suas famosas “Carta do Presidente” que eram distribuídas aos passageiros da TAM, ele dizia que “mais importante do que saber começar algo era saber terminá-lo”. Nesta carta o saudoso Comandante falava com propriedade que sempre lhe foi peculiar, sobre o comportamento dos colaboradores da TAM que eram despedidos.

A empresa havia criado uma carta demissional onde os colaboradores poderiam descrever tudo o que estavam sentindo. Estas cartas eram analisadas por uma equipe de especialistas em Gestão de Pessoas que esperavam adquirir com estes relatos informações que permitissem construir um melhor relacionamento e sistema de trabalho. A grande surpresa fôra descobrir que o conteúdo destas cartas era de um rancor maior que o esperado a um ex-colaborador. Elas vinham recheadas de acusações pessoais, intrigas sobre o comportamento de outros companheiros e toda a sorte de maldade contra antigos líderes.

O livro com todas as cartas do Comandante Rolim poderá ser adquirido em qualquer livraria e certamente é uma leitura obrigatória aos jovens executivos que não tiveram a chance de acompanhá-las através de suas viagens. Mas o motivo que me levou escrever este artigo sobre marketing pessoal é para uma situação não citada pelo Comandante. Os que demitem-se de algum cargo.

Estamos sempre aprendendo e levamos anos preparando para sermos contratados, mas esquecemos de nos prepararmos para sermos demitidos. Quando vamos a uma entrevista de emprego ou a um novo encontro amoroso é sempre uma grande preparação: banho demorado, perfume, currículo impecável, hálito refrescante etc. Fazemos de tudo para impressionarmos e para gerarmos grande expectativa no outro. Passada esta fase e conquistado nosso objetivo começamos a abrir nossa guarda. Muitas vezes não era o que esperávamos e que criamos uma expectativa maior do que realmente encontramos. Sabemos que a medição de qualidade é justamente isso.

Qualidade pode ser definida como o alcance a expectativa gerada por nosso cliente. Alguns podem acomodar-se com a situação, outros podem ter uma ânsia maior e nem sempre esperam o devido tempo para os acontecimentos, entre diversos outros tipos de comportamento. Esqueçamos os acomodados, estes certamente poderão ser objeto de um novo artigo. Concentremos nos mais ansiosos e não nos esqueçamos que somos nós quem criamos/concebemos esta expectativa. Suponhamos que este indivíduo simplesmente decidiu sair da empresa ou do relacionamento. Decisão tomada, o que ele deveria fazer?

A resposta parece óbvia. Vamos até a empresa ou ao nosso parceiro e verbalizamos o que estamos sentindo e pomos um ponto final no assunto. Mas infelizmente nem sempre isso acontece, alguns colaboradores começam a tentar cravar esta demissão para conseguir algum beneficio legal. Outros tentam usar de toda a esperteza de sentimentos no mesmo sentido, ou seja, penalizar a outra parte para que ela aceite a demissão e assim o mesmo tenha algum beneficio. Mas e os que simplesmente desaparecem?

Inicialmente parece um pouco improvável mas alguém já teve a curiosidade de ver a quantidade de abandonos de empregos ? Comecem a passar os olhos para este item. Aí pergunto, o que leva alguém a esconder-se de uma responsabilidade. Esta pergunta é feita nos três casos. Aos que estão tentando cravar a demissão por meio de comportamentos duvidosos, os que estão se vitimando e aos que desaparecem. Imaginem esta situação na vida privada de cada um. Imaginem se a cada problema ou desilusão que encontrássemos pela frente simplesmente pudéssemos deletá-la, apagá-la ou simplesmente driblá-la. O grande problema é que estamos lidando com pessoas, seres humanos que devem ser respeitados. Se não estamos mais interessados em algo devemos utilizar do mesmo expediente que utilizamos para inicia-lo, relembrando a frase do Comandante Rolim “mais importante do que saber começar algo era saber terminá-lo”. Acabou? Sem novela mexicana, mas hombridade, caráter e coragem para enfrentar o problema. Necessitamos de brasileiros capazes de encarar estas demissões da vida. Sinto saudade do Comandante Rolim Amaro. Era um homem que sabia começar e terminar tudo o que se envolvia. É um exemplo de marketing pessoal, por ter sido humano, autêntico e por nunca ter se escondido no anonimato. Lembre-se que um cliente falando mal tem a força de mais de 100 clientes falando bem. Então, o que queremos?

Quando forem demitidos ou demitir-se, sempre encare de frente esta situação. Colabore com seu biógrafo, pois, sempre haverá alguém capaz de lembrar de suas grandes ações e das fugas que denigrem a inteligência e a capacidade humana dos outros. Tenho saudade do Comandante!

autor: Carlos Eduardo Munhoz
fonte: Acontecendo Aquispeciais para nossos usuários.

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