Inteligência promocional no ano da crise





Quando 2009 chegou veio junto com ele a fatídica crise econômica internacional. De uma hora para a outra, não se falava em outro assunto e ela invadiu nossas vidas, nosso trabalho, os jornais que lemos e as conversas de corredor. Os investimentos diminuíram, o ritmo de trabalho ficou menor e as pessoas estavam mais tristes. Seria o fim dos tempos? Dificilmente.

Enquanto toda essa nuvem negativa crescia e nos ameaçava, ocupando uma área cada vez maior sobre nossas cabeças, existiram aqueles que não desistiram. Afinal, os projetos que eram realizados não tinham um nível de exigência menor, pelo contrário, não podiam refletir a fase delicada pela qual nossos clientes estavam passando: “não podemos ostentar, mas também não pode parecer pobre”. E só porque o mercado “estava em crise” não significava que podíamos errar: qualquer erro seria mais visível e teria conseqüências para eles, ainda mais catastróficas.

Qual é, então, o caminho a ser seguido? Samuel Klein, dono da rede de lojas Casas Bahia, certa vez disse que “quanto maior o problema, maior a oportunidade” e ele tinha muita razão, pois, olhando a situação a partir desse ponto de vista, a luz no fim do túnel fica mais visível e mais próxima.

O ponto “x” da questão é que, com a crise financeira, as empresas passam a priorizar ações focadas em seu público-alvo, que buscam a elevação imediata das vendas, com resultados facilmente mensuráveis e começam a procurar agências que possuam inteligência promocional, com a expectativa de minimizar os efeitos do resfriamento do mercado. “Atualmente os clientes procuram agências que planejam e executam ações customizadas, que atuam de forma mais assertiva, capazes de criar soluções que busquem resultados financeiros imediatos, a chamada inteligência promocional”, explica Ricardo Buckup, sócio-diretor do Grupo B2.

No entanto, se pararmos para analisar a situação com uma perspectiva mais a longo prazo, é fácil perceber que não será o fim dos tempos, pois o consumidor não vai parar de consumir. Nunca. Ele apenas vai tomar suas decisões de maneira mais racional e estratégica e não tão implusiva. Portanto, sempre teremos espaço para boas marcas, bons produtos e, principalmente, bons relacionamentos.

Ou seja, por mais estranho que pareça, a crise não deveria ser encarada como um momento de cautela, de distanciamento entre marca e seu público-alvo, baseado na relação declarada de simples interesse de compra e venda. Deveria sim ser vista como uma ótima oportunidade para demonstrar a solidez das empresas, confiança nos seus produtos e, principalmente, como uma oportunidade de demonstrar reconhecimento com o consumidor que sempre esteve presente e agora não pode ser abandonado.

O fato de que o envolvimento que se cria entre o consumidor e uma marca traz resultados concretos de venda não é mais questionado hoje em dia; muito já foi dito, escrito e comprovado neste sentido. Porém, a crise veio para nos mostrar que ainda não estamos assim tão confortáveis com este assunto e, quando a situação aperta, preferimos não arriscar e voltar atrás e fazer da mesma maneira que sempre fizemos, sem perceber que este pequeno “desvio de estratégia” pode comprometer a confiança que pretendemos conquistar neste novo terreno.

Dados da Associação de Marketing Promocional (Ampro) revelam que a expectativa é de que o setor encerre o ano com movimentação de R$ 30 bilhões – relativos à cadeia toda, excluindo a matéria-prima— , um crescimento de 11% em relação a 2008, mostrando que por mais que o crescimento possa parecer menor do que o ideal, ainda assim, existe.

Cabe a nós, portanto, encarar este momento da maneira mais positiva possível e, mais do que isso, “amparar” o consumidor oferecendo alternativas de comunicação que o envolvam e facilitem o seu processo de decisão, pois este sim é o principal abalado com a crise.

autora: Viviane Rodriguez
fonte: Mundo Marketing

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