Branding aplicado aos relacionamentos





Branding nos relacionamento parece forçassão. E é! O relacionamento entre duas pessoas pode ser comparado com o relacionamento de uma marca com seu consumidor? Às vezes.

Na verdade, por sua natureza, o conceito de branding permite ilações deste tipo. Ao contrário do que já se pensou antigamente, a ação de conquistar consumidores não é unilateral. É mais uma interação do que uma ação. É avenida de duas pistas. Ambos coadjuvantes numa co-relação. Na gestão de branding não é só o consumidor que escolhe a marca mas, também, a marca escolhe o seu consumidor. A resultante destas forças bi-laterais é fortemente afetiva, emotiva, sensorial. Por isto é descrita – não sem razão – por expressões como “conquistar o coração do consumidor”, “desenvolver amor pela marca”, “fidelidade de marca”. Há amor e sentimentos envolvidos.

Conceito é tudo. Até mesmo nos relacionamento. Se Branding é o modo como aguçamos a percepção de um potencial consumidor, de modo a que ele sinta a marca não como a melhor entra as concorrentes, mas como a única solução para o que ele busca; então não é difícil aplicarmos o conceito de branding aos relacionamentos interpessoais.Então, vamos tentar aproximar branding das relações afetivas:

10 CONCEITOS DE BRANDING APLICADOS AOS RELACIONAMENTOS

1. Comece por pensar profundamente no tipo de pessoa que você gostaria de ter como seu consumidor.

Que coisas (características pessoais) você gostaria que tivesse aquele “alguém especial”, aquele “alguém pra chamar de seu”?

Quando perguntadas, as pessoas comuns descrevem características pessoais e de comportamento semelhante aos critérios utilizados por um gestor de marcas para determinar o potencial de seu mercado-alvo ou para definir seu público de interesse: poder aquisitivo, escolaridade, localização geográfica, faixa etária, sexo, estado civil. Faltou alguma coisa? Basta olhar os perfis dos sites de encontros, esta é a primeira bateria de perguntas que umcandidato a encontrar alguém precisa preencher.

2. Descubra o que realmente importa para o outro.

Você precisa olhar e entender francamente o que está acontecendo entre vocês. Quem é o outro e o que ele está buscando em você. Precisa pensar se você tem – ao natural – as características exatas que o outro procura ou vai precisar “mostrar” que você pode atender a esta(s) necessidade(s)? O objetivo do Branding é atrair quem você escolheu para o que você tem a oferecer. E isso começa por conhecer o outro. E adaptar a sua oferta aos desejos do seu consumidor-alvo.

3. Entenda que não basta você ser diferente, tem que ser relevante.

Isso precisaficar claro: apenas ter um diferencial é insuficiente. Você tem que importar, tem que fazer falta em algum campo específico da vida desta pessoa. Se você descobriu ( item2) o que ela procura, entenda também a relevância que a pessoa percebe em você e invista em ampliar as margens desta relevância. Fazer diferença é mais do que “ser diferente”. Sua ausência precisa ou criar um “buraco”, um desconforto na vida dela ou então, enchê-la de orgulho, de satisfação ou emprestar-lhe, de algum modo, PODER.

4. Esteja pronto para ser comparado (a) com outras “marcas” igualmente atraentes e interessadas no seu amor.

É preciso entender que assim como uma brand, pessoas interagem com outras marcas, com outras pessoas, com outras situações de consumo nas quais você não tem qualquer controle. Os relacionamentos de qualquer tipo – entre marcas e seus consumidores ou entre pessoas que se gostam esta sendo permanentemente testado. Todos os dias, nas ruas, na televisão, no rádio, no trabalho ou no metrô. Não há como fugir disso. O risco da experimentação é inerente. Ou seja, a única garantia de fieldade é se você construir um relacionamento sólido. RELACIONAMENTO É CONSTRUÇÃO DE LONGO PRAZO.

5. Construa o caminho da fidelidade.

Construir um relacionamento é entregar as coisas que um espera do outro de modo constante e sem stress. Não pode parecer um favor ou um sacrifício. A Coca Cola promete um determinado sabor, uma determinada aparência, um padrão e higiene e uma exata textura. Ela promete e entrega. A dica é: se você acertou o caminho do coração dele, repita. As pessoas sabem o que esperam de cada marca e do seu produto. É o cumprimento destas expectativas que garantem a longevidade e o frescor da relação.

6. Só faça promessas que você possa cumprir.

É fundamental saber no que basear a sua proposta de valor. Se você tiver que falhar em alguma coisa, e você vai falhar, tenha bem definida que coisa você não pode falhar de maneira alguma. Se tudo o mais desse errado, que característica você gostaria de ver associada à sua imagem pessoal? Isto precisa ser tão relevante no campo afetivo para que esta pessoa perceba você, como a única solução para o que ele busca.

7. Comunique, ao outro, como você quer ser lembrado.

Fale, repita. Diga a mesma coisa de modos diferentes. Associe novas ideias a sua ideia-básica. Não deixe de dizer inúmeras vezes o que você está prometendo para aquela pessoa. Dê publicidade ao seu posicionamento. Posicionamento é o lugar que você vai ocupar no cérebro desta pessoa. Um bom posicionamento não pode ser genérico ou demasiadamente subjetivo: tem que ser específico e pontual; e como já falamos tem que ser relevante para o seu “consumidor”. Tem que, de fato, fazer diferença pra quem importa. Este conceito precisa ser fixado, tem que estar associado a você, umbilicalmente colado em você. Diga, por exemplo, eu quero ser lembrado por sempre acordar com um sorriso no rosto.

8. Talvez eu tenha omitido uma palavra fundamental: VERDADE.

Branding se baseia nisso. Amor se alimenta disso. Não tem como fazer de conta. O que você escolher como a sua ”promessa de valor” precisa ser alicerçada em valores verdadeiros. Se você prometer: que vai estar ao lado da pessoa nas horas difíceis é bom que você não seja um viajante. Você não vai cumprir esta promessa. Você não vai conseguir – no longo prazo – atender a esta expectativa. Se você disser “vamos rir juntos” é bom que você seja engraçado, bem humorado e que seja um otimista por natureza. Se você prometer que será “a rede” da outra pessoa, tenha segurança financeira para segurar as broncas que virão. Se você se posicionar como justo e ponderado. Seja Zen.

9. Pós-venda é perguntar “foi bom pra você?

Uma marca, como eu já disse, se constrói no dia a dia, se consolida e fideliza pela entrega constante de um determinado “standard” de valor. Uma expectativa recíproca e permanente que precisa ser atendida e revalidada diuturnamente. Branding é construção. É constância.

Hoje não se discute mais a importância da prestação de serviços dentro de um sistema de ações de branding. Você precisa ouvir permanentemente quem você ama. E principalmente quem você quer que ame você. Crie o seu SAC particular. Encoraje-o a pegar o telefone perguntar, tirar suas dúvidas, elogiar, reclamar sugerir. Esteja pronto(a) para discutir a relação. Assim como as corporações estimulam seus clientes, você deve criar canais de diálogo.

As pessoas se sentem respeitadas e valorizadas não quando uma marca demonstra conhecer o consumidor agindo em seu processo de compra, mas quando a corporação demonstra um entendimento legítimo da pessoa travestida de consumidor. Sugestões são sempre construtivas.

Há pessoas que se ofendem com o que deveria ser o seu indicativo de acerto. Uma crítica nada mais é do que uma expectativa que não foi atendida. Uma reclamação pode ser apenas “um momento fora do normal” ou uma falha na sua proposta de valor. Numa relação, enfurecer-se diante da crítica é como quebrar o termômetro por ele indicar febre. Esteja pronto para escutar, se desculpar, esclarecer e -principalmente – corrigir-se.

10. Empresas de sucesso, pessoas infelizes.

O consultor Clemente Nóbrega escreveu um livro muito elucidativo sobre a quase impossibilidade de se ser feliz e construir uma empresa de sucesso na mesma encarnação. Ele mostra (e prova) em seu livro que as duas coisas são quase incompatíveis. Trabalho duro e felicidade pessoal não são naturais ao ser humano. Sucesso em branding, na minha opinião, por sua vez pode ser, sim, construído sobre alicerces de felicidade.

Branding, em resumo, é ser percebido por alguém como a sendo a única solução viável para que ela própria se sinta feliz.

Então, você será um sucesso na aplicação dos conceitos de branding se o conjunto das suas ações, ao longo do tempo, fizerem de você uma pessoa inesquecível para alguém, e esta “inesquecibilidade” se construiu exatamente pelo fato de ela acreditar que ela própria é inesquecível pra você.

autor: Luiz Henrique Rosa
fonte: http://www.adonline.com.br

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