As lições de Bruce Dickinson na Campus Party 7

  1. As lições de Bruce Dickinson na Campus Party




Nada de “Scream for me, Campus Party!” ou pulinhos pelo palco. Não. O Bruce Dickinson que palestrou na #Cpbr7 é diferente e exibiu sua faceta empreendedora.

“Um consumidor sempre tem a escolha”, explica. Bruce diz que as marcas precisam se espelhar nas bandas. No momento de crise do mercado fonográfico, no início da década de 2000, membros da indústria começaram a taxar os fãs como consumidores. Como? Quem baixasse música era taxado de criminoso. “Eles diziam ‘Os nossos fãs estão roubando nossa música porque eles nos amam. Cadeia neles!’. Isso não faz sentido”, explica Bruce.

Já as bandas – em sua maioria – descobriram que o fato do fã baixar sua música não significava que ele odiava sua obra, é exatamente o contrário. É aí que mora a diferença. As grandes empresas, segundo Bruce, devem criar fãs e não consumidores, como as gravadoras fizeram.

Mas o vocalista alerta. “Se a gente vende uma camiseta do Iron Maiden que cai aos pedaços quando você usa, nossos fãs rapidamente se tornam consumidores”, exemplifica. É preciso cuidado com sua marca.

“O mundo dos negócios é igual à vida no oceano. Peixe tem guelras, eles conseguem ficar na água e respirar tranquilamente, nadando sem pressa. Tubarões, por outro lado, não tem guelras, eles precisam se mover, do contrário eles se afogam. Quanto mais se mexem, maiores ficam e precisam comer. O que eles comem? O peixe, que estava lá parado. Esse é o mundo dos negócios, quer você goste ou não. Se você ficar parado, alguém vai te comer”, elucida Bruce.

Entretanto, se você tem fãs, a tendência é que eles te acompanhem. E para criar fãs, é preciso que seu negócio tenha valor. “Uma secretária bonita não é algo de valor, é só bobagem”, diz Bruce. É preciso descobrir onde está o valor daquilo que você faz. No que o seu negócio é especial. “No Iron Maiden nós temos sorte, ninguém pode ser como nós, mas em outros negócios é mais complicado”, confessa sem falsa modéstia.

E o segredo, segundo o roqueiro, está no relacionamento. O que quer que você pense que está vendendo, um computador, uma toalha, um software… Você não está vendendo isso, você está vendendo uma relação com a pessoa que compra.

Bruce dá o exemplo do carro sem porta. Ou seja, se você comprar um carro zero e, na primeira vez que dirige o veículo, a porta cair, não vai querer outro modelo da mesma marca, certo? “Não é a garantia que conta, é a confiança”. Exemplo? Bruce cita a Apple. “Especialmente quando começaram, tinham fãs… Mais do que fãs, era uma religião. Você não comprava um Mac, você se juntava ao culto”, relembra.

Porém, nos dias de hoje, a Apple, com seus erros recentes como o Apple Maps, conseguiu que seus fãs pensassem: temos escolha. E eles se tornaram consumidores. “Por que todos que conheço compraram iPhones, mas agora estão pensando em comprar um Samsung?”, questiona ironicamente.

Para Bruce, os seres humanos são, essencialmente, o que eram há 500 anos. Criaturas sociais, que prezam pelo contato visual. E é isso que as empresas de hoje precisam entender. Além disso, é necessário pensar coletivamente e usar a imaginação. Citando Einstein, Bruce Dickinson diz que é essencial imaginar as coisas. “Certa vez, alguém olhou para a lua e disse: ‘Um dia vamos chegar lá’”.

O vocalista deu exemplos de “como pensar fora da caixa”. Um dos mais recentes foi a cerveja do Iron Maiden. A banda pensou: “Como vamos atrair aqueles caras que ficam ouvindo nosso som em casa? Que ficam assistindo nossos shows no Youtube? Que ficam ouvindo nossas mp3?”. A resposta veio de outra pergunta: “O que eles consomem quando fazem tais coisas?” Bebem cerveja. Foi aí que o Iron criou a Trooper, a cerveja premium da banda.“A ideia nunca foi colocar o rótulo ‘Iron Maiden’ numa marca já existente”, explica.

Para finalizar, o vocalista da maior banda de heavy metal do mundo resume seus pensamentos numa frase que chamou a atenção. “Não é sobre cobiça, é sobre a diversão”.

autor: Leonardo Araujo
fonte: http://www.adnews.com.br/

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