Helvetica (Max Miedinger, 1956/7)

  1. Helvetica (Max Miedinger, 1956/7)




Neue Haas Grotesk

A antecedente: Neue Haas Grotesk

Em 1956-57, uma pequena empresa suíça, a Fundição Haas, decidiu encomendar uma versão modernizada de um tipo então ainda em voga, o Akzidenz Grotesk.

O objectivo era obter uma letra mais redonda, mais suave, com uma maior variedade de pesos e cortes (negro, fino, condensado, expandido, etc.), apropriada para um amplo leque de utilizações.

Max Miedinger desenhou a sua Neue Haas Grotesk em 1956, entregando na Fundição Haas os desenhos do protótipo tipográfico em papel milimétrico.

As bases desta letra assentavam na Berthold Akzidenz Grotesk, um tipo sem serifa lançado em 1898.

De 1957 até 1961, o novo tipo foi comercializado com a sua designação original: Neue Haas Grotesk, mesmo depois da empresa alemã D. Stempel AG ter comprado os direitos de autor.

Esta fundição alemã desenvolveu uma série mais completa de cortes e pesos, reintroduzindo a família, agora com o nome de Helvetica, em 1961.

Em 1983, a D. Stempel / Linotype redesenhou e digitalizou a Neue Helvetica, um upgrade necessário para obter a coerência gráfica de uma font family digital.

A primeira versão da «Helvetica» foi apresentada em 1957 ao público especializado na Feira graphic 57, realizada em Lausanne. Tratava-se de uma fonte chamada Neue Haas Grotesk, desenhada pelo suíço Max Miedinger.

Helvetica

Esta fonte foi introduzida no mercado paralelamente à famosa Univers, de Adrian Frutiger.

Pouco depois, a fundição alemã D. Stempel AG comprou os direitos da Haas Grotesk / Helvetia, adicionou-lhe vários pesos e graus de condensado e rebaptizou-a com o nome de Helvetica, relançando-a em 1961.

Nessa época, já 50% do capital da D. Stempel AG se encontrava em posse da Linotype AG, representando dentro do grupo Linotype o sector de «tipos metálicos de fundição» para composição tradicional, manual (a fotocomposição tinha começado por volta do ano de 1955).

A Helvetica não teve por auxiliar de parto um conceito estrutural como aquele que Adrian Frutiger inteligentemente deu à sua Univers, quando inventou uma sistemática numérica para calibrar os pesos e graus de condensação/ expansão. Esta falta de sistemática reflectiu-se na pobre estética das variantes e tornou necessário um redesign, lançado com o nome de Neue Helvetica, em 1980.

Apesar destes entraves, a Helvetica foi a fonte de maior sucesso comercial nos anos 60 e 70 – pelo menos, foi a fonte mais usada. Substituiu rapidamente a antiga Akzidenz Grotesk, que, no jocoso dizer de Erik Spiekermann, já mostrava «muitas rugas».

Helvetica Neue
Helvetica Neue

A falta de personalidade nacional ou regional foi por vezes compensada pelo emprego de cor, por exemplo, em posters publicitários.

De resto, a imaginação criativa dos que optaram pela Helvetica ficava reduzida a explorar as formas acentuadamente geométricas, a compor em ângulos diagonais e a tirar partido da vasta gama de pesos e cortes da letra que passou a ser a fonte universal e global da segunda metade do século XX. Alguém teria dito: «a Helvetica tem o sex-appeal de um largo bocejo».

O advénio da Arial

Um certo dia, a empresa de Bill Gates resolveu produzir uma versão quase idêntica à Helvetica, para evitar de pagar direitos de autor. A essa derivação chamou Arial. Para um leigo, a Arial é virtualmente indistinguível da Helvetica. Para um designer gráfico, a Arialconsegue ser ainda mais feia que a Helvetica.

Para perceber a diferença há que reparar em pequenos detalhes. Por exemplo, a volta no fim do «a» minúsculo da Arial, ou o modo como uma das hastes se torna mais fina no «n», ou o topo direito nos «i» e nos «t».

A omnipresente Helvetica

Helvetica - Homenage to a typeface
Helvetica - Homenage to a typeface
Helvetica - Homenage to a typeface
Helvetica - Homenage to a typeface

O filme sobre a Helvetica e outros links

Comentários de Martin Majoor, no Eye Magazine, online em www.eyemagazine.com/

A letra mais aborrecida do mundo mereceu as honras de um filme-documentário. Depois do livro, veio o www.helveticafilm.com

O realizador Gary Hustwit, conhecido pelo trabalho na editora punk SST Records, lançou o documentário Helvetica: A Documentary Film, no festival South by Southwest, no Texas, e agora anda a mostrá-lo pelo mundo.

Hustwit explicou à revista I.D que o Helvetica é “muito punk” porque tem simultaneamente uma atitude anti-autoritária mas também a mentalidade construtiva do faça-você-mesmo que caracteriza o punk e também as letras mal-amadas.

E o filme é sintomático da dualidade desta fonte e do tipo de reacções que o Helvetica suscita. Neville Brody, o consagrado designer britânico e ex-director de arte das revistas The Face e Arena, usou o Helvetica até à exaustão nos anos 80.

Hoje reconhece que é eficaz mas monótono. As pessoas usam Helvetica para “serem membros do clube da eficiência”, comentou à BBC. Helvetica significa “aborrecido, cauteloso, sem ambição”. Há de facto uma espécie de “amem ou deixem-no” quando se fala desta letra.

Helvetica Meditation:

Bibliografia

Muller, Lars. Helvetica: Homage to a Typeface. Lars Müller Publishers, Euro 26 Reviewed by Martin Soames: “This small (164 mm x 124 mm) but substantial hardback is a provocative visual essay dedicated to the typeface everybody loves to disdain (…) “.

Schwind: From Helvetica to Haas Unica. Andre Gurtler e Christian Mengelt, Haas’sche Giesserei, Munchenstein, Suíça, 1977

fonte: http://www.tipografos.net/

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