Você está preparado para ser um consultor?

Cada vez mais o profissional experiente deixa de ser empregado e se torna uma entidade ambígua sem direitos trabalhistas, às voltas com planejamento de carreira, remuneração e contratos.

São comuns anúncios de contratação contendo descrições como Contratação do profissional sob regime de Pessoa Jurídica…, Consultor free que emitirá NF… ou profissional será contratado como consultor…. Ao mesmo tempo, existe a crença que consultores ganham mais do que profissionais CLT, o que talvez não seja exatamente verdadeiro.

À primeira vista parece fácil preencher o requisito de ser consultor, ou um autônomo que emite nota fiscal; em tese somente é necessário abrir uma empresa e tudo está resolvido.

Ao ingressar nesse formato de contratação, o profissional normalmente renuncia a todos os benefícios oferecidos pela CLT, aceita uma série de responsabilidades decorrentes da abertura da empresa, assim como seus custos (contador, impostos e despesas), e se dispõe a viver com a adrenalina em alta, uma vez que sua carreira poderá ser pautada pela troca rotineira de empresas.

Alguns ainda terão que se acostumar a trabalhar para duas empresas ao mesmo tempo. Boa parte das contratadoras está empenhada em arrebanhar profissionais para alocação em seus clientes; assim você estará trabalhando e recebendo ordens de uma empresa, quando na verdade possui vínculo com uma outra empresa da qual também recebe ordens.

Com a renúncia de direitos como férias remuneradas, décimo terceiro salário e fundo de garantia por tempo de serviço (FGTS), o profissional deve passar a olhar suas finanças ainda mais atentamente. Despesas com contador e impostos deverão ser previstas, além da necessidade de manter reservas que o sustentem entre o encerramento do projeto atual e o próximo projeto (qualquer semelhança com seguro desemprego não é mera coincidência) ou a título de custeio de férias, por exemplo. Manter e aumentar essas reservas exige do consultor a retirada de uma porcentagem do seu rendimento mensal.

Algumas empresas contratantes oferecem ao consultor alguns tipos de benefícios, como subsídio na alimentação, ajuda de custo no transporte ou desconto em plano de saúde. Alguns subsídios se mostram indispensáveis em certos casos, entretanto não se pode entender que essa é uma prática comum do mercado.

Férias. O assunto que talvez mais atormente o consultor é quando ele está prestes a ser contratado para um projeto de longo prazo e questiona a empresa contratante como serão tratadas suas férias. O consultor ouvirá as mais variadas respostas: ?oferecemos uma semana de férias?, ou ?não oferecemos férias?, ?você deve tratar com seu superior, mas os dias que você não trabalhar serão descontados?, até aquelas do tipo ?dependendo do seu desempenho durante o ano, converse com seu superior e tente tirar uma semana sem desconto?. Pensando friamente, você acha realmente que essa empresa está disposta a oferecer férias, quanto mais ?remuneradas??

Diante destes pontos talvez seja uma ilusão pensar que um consultor ganhe mais que um profissional CLT; no máximo ele recebe a mais no mês e de forma fracionada o que os outros receberão em novembro/dezembro, nas férias e quando demitido – se não ganhar menos no final das contas.

Depois de tudo isso, um profissional CLT deve estar pensando que deve ser um inferno viver sob este regime de contratação. Na verdade não é. Assim como existem empresas que não estão preparadas para usar do recurso de consultores, existem aquelas onde os consultores se sentirão em casa e executarão sua função da melhor forma possível. Tudo dependerá das escolhas que o profissional fizer – ele pode simplesmente ignorar todo aquele papo de reserva para imprevistos ou fundo para férias e trabalhar, receber e gastar e no momento que o seu projeto for extinto, simplesmente ter que aceitar qualquer outra colocação pela simples sobrevivência. Ou pode se preparar e planejar, para que tenha como se custear e buscar melhores oportunidades.

Até aqui não abordamos temas muito importantes como as capacitações do profissional para ser interessante ao mercado. Aquele profissional que não estiver organizado e preparado psicologicamente para atuar como consultor pode chegar a um momento em que esse despreparo o incomode a ponto de influenciar mal a simples execução da sua função. Neste caso de nada valeu todo seu estudo e preparo técnico, pois não conseguirá produzir de maneira satisfatória. Prosseguimos em um próximo texto. Até lá.

autor: Renato Teixeira
fonte: webinsider

Posted in:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *