Migrando do Windows para o MAC

Não quero discutir neste artigo sobre os motivos de migrar para um Mac, mas independente de suas razões, há alguns degraus que o usuário de PC terá que passar ao migrar das janelas para o sistema da maçã. Não se trata apenas de recursos visuais. Ao migrar para o Mac, você muda sua forma de trabalhar com um computador.

“Eu só estarei mudando o visual do sistema?”

Simples e direto: não. O Mac OS não é só um sistema mais bonito que o Windows, começando pelo fato de que você não está trocando apenas de Sistema Operacional, mas toda a sua máquina. Um Mac OS X não está disponível (pelo menos não oficialmente) para você instalar em um PC. Você até pode procurar pelas distribuições hackeadas e experimentar o Mac em um PC, mas ainda não terá uma experiência completa do sistema e sua integração Hardware x Software. Essa integração é o ponto chave do funcionamento do Mac. Como a Apple desenvolve o seu sistema operacional exclusivamente para o seu próprio hardware, ela tem total controle sobre o seu funcionamento.

Quando você migra do Windows XP para o Windows 7, você nota algumas novidades e tem que aprender a mexer no novo sistema, mas o essencial que você utiliza há anos continua lá, intacto. O sistema pode ter pastas diferentes, mas você ainda sabe navegar no Windows Explorer. O botão Iniciar tem uma nova apresentação e novos comandos, mas você não terá de reaprender como ele funciona. E mesmo se sentir alguma dificuldade, poderá configurá-lo para funcionar no modo clássico e segue trabalhando com o novo sistema da forma que sempre trabalhou.

Migrar para o Mac OS X não é a mesma coisa. O primeiro degrau da migração a vencer é o ambiente. A barra de tarefas não só mudou de formato. Apesar de costumarem comparar o Menu Apple com o Menu Iniciar, a principal ação executada do Menu Iniciar do Windows não existe no Menu Apple, que é navegar até o atalho de um programa. Você pode ter atalhos na área de trabalho e na barra de tarefas, mas o principal caminho para se chegar a um software no Windows ainda é pelo Menu Iniciar. Isso não acontece no Mac. Os atalhos estão localizados no Dock, a estilosa “barra de tarefas” do Mac. Fora isso, podemos sim comparar ao Menu Iniciar: o Menu Apple oferece acesso às Preferências do Sistema (o “Painel de Controle” do Mac), informações sobre o computador e às ações do computador: desligar, reiniciar, finalizar sessão etc.

No Mac, os atalhos para os principais softwares estão no Dock e o acesso a todos eles deve ser feito diretamente na pasta Aplicativos, onde estão instalados, caminho este que já está facilitado pela pasta de aplicativos colocada no Dock. O Dock é personalizável e você pode criar atalhos para softwares e pastas diretamente nele. No Windows 7, inclusive, a barra de tarefas tem se aproximado mais da forma de trabalhar do Dock. Como não existe uma barra de tarefas no Mac para os aplicativos serem minimizados, os mesmos são minimizados no Dock, no canto direito ao lado da lixeira, ou no próprio ícone do aplicativo, que o Windows 7 também faz (você pode configurar para exibir apenas o ícone do aplicativo e não o botão com o nome, como no formato clássico)

Comparação entre o Menu Apple e o Menu Iniciar.

No Mac, os atalhos para os principais softwares estão no Dock e o acesso a todos eles deve ser feito diretamente na pasta Aplicativos, onde estão instalados, caminho este que já está facilitado pela pasta de aplicativos colocada no Dock. O Dock é personalizável e você pode criar atalhos para softwares e pastas diretamente nele. No Windows 7, inclusive, a barra de tarefas tem se aproximado mais da forma de trabalhar do Dock. Como não existe uma barra de tarefas no Mac para os aplicativos serem minimizados, os mesmos são minimizados no Dock, no canto direito ao lado da lixeira, ou no próprio ícone do aplicativo, que o Windows 7 também faz (você pode configurar para exibir apenas o ícone do aplicativo e não o botão com o nome, como no formato clássico).

Aparência dos ícones minimizados na barra de tarefas do Windows 7 e no Dock do Mac OS X.

Ainda comparando a barra de tarefas do Windows com o Dock do Mac OS, há um artigo de Matt Buchanan no Gizmodo onde ele explica por que a barra de tarefas do Windows 7 supera o dock do Windows 7 (e concordo com a opinião dele).

A barra superior onde está o Menu Apple pode confundir o usuário recém chegado do ambiente Windows. A princípio parece ser a barra de tarefas do Windows, mas posicionada na parte superior. Dois enganos:

O Dock é o que pode ser comparado à barra de tarefas do Windows;
A barra superior do Mac é a barra de menus dos aplicativos.
E aqui vem o segundo degrau para quem está migrando. A barra de menus contém os menus dos aplicativos ativos e os menus extras (equivalente a Área de Notificação do Windows, com ícones extras, volume, data e hora etc.). É o que mais costuma confundir no começo. Você conhece bem o ambiente Windows: janela, barra de título, barra de menu, conteúdo, barra de status. No Mac você tem tudo isso, mas a barra de menu não está presa à janela. O menu dos softwares aparece na barra de menus do Mac, ao lado do Menu Apple, juntamente com o nome do software ativo. Com várias janelas abertas, você sabe qual está ativa pelo nome que aparece na barra de menus.

Janela do Word for Mac. O menu do software está na barra de menus do Mac e não na janela.

E aqui encontramos mais um degrau: as janelas. A princípio semelhantes às janelas do Windows, com duas principais diferenças: O menu que fica na barra de menus e não na janela; e os botões de fechar, minimizar e zoom.

Zoom?

Isso mesmo. Lembram que falei que ao migrar para o Mac, você está mudando a forma como trabalha com um computador? Começando por aqui: No Windows conhecemos os três estados de uma janela: Maximizada, minimizada e a janela normal, onde podemos ajustar o seu tamanho às nossas necessidades. No Mac não existe o conceito de janela maximizada (infelizmente). A janela é exibida na proporção do seu conteúdo. Se você clicar no botão zoom (botão verde com o sinal de +) a janela se ajustará ao conteúdo, exibindo mais ou menos do conteúdo e não necessariamente se ajustando a toda a área de trabalho.

Se você quer forçar a janela a preencher todo o espaço da sua tela, em muitos casos precisará ajustar manualmente o tamanho da janela, arrastando suas bordas até às extremidades da tela. O que não é exatamente uma tarefa muito fácil. No Windows, as janelas têm bordas e podemos ajustar seu tamanho arrastando as bordas em qualquer direção. No Mac não há bordas clicáveis nas janelas. As únicas opções são arrastar a janela pela barra de título ou ajustar seu tamanho pelo canto inferior direito (e nada de cursor do mouse com seta dupla para ajudar).

Janela do Word for Mac em tamanho pequeno e depois de clicado o botão zoom. Perceba que a janela não foi maximizada, apenas se ajustou à página do documento.

Nota: O artigo foi escrito em março de 2001 e utilizava o Mac OS X Leopard. Com o lançamento do Mac OS X Lion em julho e com os aplicativos agora executando em tela cheia, muda-se um pouco essa perspectiva.

Você passa pelo ambiente inicial, começa a se acostumar com a barra de menus e vai se virando com o formato das janelas. Mas agora, dependendo do seu nível como usuário Windows, você terá de enfrentar o Finder.

Antes de mais nada, digo “dependendo do seu nível como usuário Windows” porque conheço muita gente que passa o dia trabalhando com o Word, Internet, MSN e e-mail e não sabe o que é ou para que serve o Windows Explorer (sério). Então para você que sabe o que é e usa bem o Windows Explorer e praticamente a primeira coisa que faz ao ligar o seu PC é pressionar Win+E. O Finder é o navegador de arquivos do Mac. Assim como o resto do sistema, tem suas semelhanças com o equivalente do Windows: uma barra lateral com acesso aos dispositivos, à rede, aos locais e pastas de pesquisa. Os “locais” no Mac são atalhos configuráveis para a pasta do usuário, documentos, arquivos compartilhados etc., assim como no Windows Explorer são destacados os atalhos para a pasta de documentos, imagens, vídeos etc.

Finder. O Explorer do Mac OS.

O “enfrentar o Finder” vem da questão de como ele organiza os arquivos e pastas. O usuário do Windows está acostumado à organização por ordem alfabética com pastas primeiro (ou outras formas de organização, de acordo com a preferência de cada um). No Finder não existe a separação entre pastas e arquivos, gerando alguma confusão no início. As pastas e arquivos ficam organizados em ordem alfabética, mas sem distinção de posição entre pastas e arquivos (veja na Figura 5 a organização das pastas e arquivos do Finder).

Se no Windows Explorer você vê a pasta ‘bebidas’ antes dos arquivos ‘atividades.txt’ e ‘casa.doc’, no Finder, em ordem alfabética crescente, você vê a pasta entre os dois arquivos. E não há opção nativa, nem oculta, que modifique isto. Se quiser ver as pastas reunidas (não necessariamente antes dos arquivos), terá de organizar os arquivos por tipo. Outra forma de tentar navegar nos arquivos do Mac como no Windows é instalando um software de terceiros ou modificando algum as configurações ocultas no Mac (como mexer no registro do Windows).

Softwares? Você pode estranhar a princípio os utilitários que acompanham o sistema operacional, mas a grande maioria dos softwares mais utilizados no mercado, seja em escritório como o Microsoft Office ou para design como o pacote Adobe, existem versões para Windows e Mac. Com exceção de softwares mais específicos desenvolvidos exclusivamente para uma empresa ou atividade, geralmente feitos para Windows. No meu caso eu fiquei um pouco triste pelo fato de a Corel não lançar mais a sua suíte de aplicativos gráficos para Mac desde o CorelDRAW 11. E mesmo pensando no usuário que até muda de computador, mas não pode abrir mão do Windows ou de softwares para Windows, a Apple oferece a possibilidade nativa de se instalar o Windows em uma nova partição, por meio do utilitário Boot Camp ou instalar o Windows em uma máquina virtual, neste caso utilizando softwares de virtualização como o VMWare, o Virtual Box ou o Parallels.

Windows 7 rodando virtualmente no Mac OS pelo Parallels Desktop.

Falei até agora sobre as principais (não todas) diferenças que o usuário Windows vai notar ao migrar para o Mac, mas foquei no sistema, na parte lógica. Me repetindo: ao migrar para Mac, o usuário está trocando não apenas de sistema operacional, mas todo o seu equipamento. E para a grande maioria dos usuários que utiliza um teclado padrão ABNT2, o primeiro obstáculo é justamente este dispositivo de entrada. Ao contrário da maioria (senão todas) das grandes fábricas de computadores, a Apple não desenvolve teclados específicos para cada região. Em qualquer parte do mundo que você comprar um Apple, mesmo aqui no Brasil, você se deparará com um teclado padrão americano.

Teclado Apple. Nada de Ç e novas teclas para conviver: Command, Option, Control e Fn.

“Posso conviver com isso”, você pensa. Claro que pode. Todos nós que migramos para Mac conseguimos conviver com isso. Só estou aqui para avisá-lo, mas tem mais. Você sentiu falta do cedilha, ok, mas se utiliza um PC há mais de 13 anos, vai lembrar dos atalhos para se fazer um cedilha (apóstrofo + c) ou trema (aspas + u). Ou se não utiliza há tanto tempo… bom, vai acabar aprendendo. As teclas de auxílio (Control, Alt, Win Key) e de função (F1, F2, F3…) agora são outras ou tem novas funções.

O novo usuário a princípio vai achar que a tecla Control de um Mac tem a mesma função do Control do PC, o que não acontece. Ou vai achar que basta trocar a tecla Control pela tecla Command e a tecla Alt pela tecla Option, mas não é bem assim. Alguns atalhos mais comuns ainda estão lá (Ctrl+C e Ctrl+V viram Cmd+C e Cmd+V), outros assumem novas combinações de teclas como Cmd+W para fechar uma janela (Ctrl+F4 ou Ctrl+W) e Cmd+Q para encerrar um aplicativo (Alt+F4).

A teclas de função estão lá. Do F1 ao F12. A mesma quantidade. Mas por padrão, as teclas de função no Mac são secundárias (mas pode ser configurado). As funções padrão das teclas estão desenhadas no teclado com mais destaque: aumentar ou diminuir o brilho da tela, acessar o Dashboard, controle de mídia (play, pause, avanço…), controle de volume etc. Mas nem tudo está perdido, há uma tecla de função (Fn) que lembra a tecla de função existente nos notebooks com Windows e Linux. No Mac, esta tecla alterna o funcionamento das teclas de função, entre aumentar o brilho ou F2, por exemplo. Mas com o uso você verá que no Mac as teclas de função não têm o mesmo sentido do Windows e raramente serão utilizadas.

Depois de descobrir onde está o cedilha, se acertar com as novas teclas de auxílio e começar a descobrir novas combinações de atalhos, você começará a sentir falta dos símbolos. Se comprou um MacBook, não terá um teclado numérico, então nada de Alt+167 para º ou Alt+166 para ª. Você também não tem o Alt Gr nem os símbolos desenhados no cantinho das teclas. Na maioria dos softwares para Mac, você tem um menu específico para acessar os símbolos e caracteres especiais. Sim, via menu, via mouse. Mas nem tudo está perdido. Experimente a combinação Option com qualquer tecla e verá onde estão escondidos os símbolos e caracteres especiais (Option+0 para º e Option+9 para ª).

autor: Tarcisio Cavalcante
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