A falsa ilusão de quem acha que sabe o que você faz

Em 2014 publiquei o texto, DEMITA SEUS PIORES CLIENTES. Maus clientes consomem muita energia e acabam dando mais prejuízo do que lucro. Toda empresa deve ter claro o que é um bom cliente e quem são os seus melhores.

O tempo de mercado acaba fazendo com que você saiba diferenciar aquele que quer ter seu problema resolvido daquele que só sabe reclamar ou mesmo daquele que vai te trazer problemas. Hoje me vi numa situação em que me lembrei bastante deste texto.

Um breve email chega solicitando um “atendimento” pois “precisava de um novo site”. Sem mais detalhes, uma linha curta e objetiva. Em geral acho bem estranho este tipo de contato superficial, mas respondi.

Na resposta fiz algo muito comum entre profissionais da área. Fiz perguntas onde as respostas poderiam me dar informações das quais eu poderia fazer uma prévia de orçamento. Onde eu poderia ter uma noção do porte da empresa, do público da empresa, o segmento do público da empresa, se já possuía alguma comunicação anterior – assim teria base para saber se teria que criar uma identidade visual para o site do zero ou poderia seguir algo já estabelecido, inclusive, se o site seria algo mais complexo que exigisse programação ou algo mais simples, se seria bilingue, se a intenção era usar as redes sociais para divulgação – assim saberia se teria que adicionar ferramentas que poderiam facilitar o compartilhamento ou outra coisa que pudesse engajar os clientes dele a compartilhar o conteúdo publicado nas redes e etc. Dependendo das respostas eu já poderia enviar algo ou se estas fossem tão rasas quanto o primeiro contato, faria outras perguntas.

Para minha surpresa a resposta foi:

Não trabalho desta forma.

Você só saberá as respostas destas perguntas se sua proposta for escolhida.

Favor enviar custo do site (não estou pedindo assessoria de marketing e nem desenho de marca) em função dos parâmetros que realmente definem o custo: número de páginas, plataforma e responsividade.

Páginas: 3
Responsivo? Sim
Plataforma: Webflow, ou similar. Nada de WordPress…

Imediatamente pensei: Quem em pleno 2017 pede algo responsivo? Nos dias de hoje isso é algo óbvio, não existe não fazer algo responsivo. Alguém ainda orça site igual no ano de , no boom da internet, quando se orçava por página e tudo era simplório? Oras, eu posso ter 1 página complexa, com inúmeros efeitos visuais ou das quais exigem um programador que seriam diferentes de uma página com um parágrafo de texto e uma simples imagem.

Mas a soberba foi a posição escolhida e a pessoa se colocou de uma forma que acha que tem conhecimento suficiente, de forma bem equivocada, diga-se de passagem, chegando ao ponto de achar que os 3 itens rasos citados seriam parâmetros suficientes e que definiriam o custo do desenvolvimento de uma peça que será mais um meio para ele e sua empresa ter contato com clientes, prospects, que geraria leads… enfim, resumindo, que na verdade seria o “cartão de visita” da empresa dele na internet.

Eu poderia ter explicado de forma detalhada o objetivo de cada pergunta que foi feita por mim, porém, nestes meus 17 anos de mercado meu senso ficou mais apurado e vi que estava diante de um ‘solicitador de preço’ em busca de um ‘fazedor de site’ com ‘preço baixo’. Na tentativa de encerrar o contato, respondi:

Sua visão de parâmetros que “realmente” definem o custo de um site está bem equivocado, na realidade, bem antiquado e amador. Infelizmente não trabalho desta forma.

Boa sorte na sua pesquisa de preços.

Mas, mais uma surpresa estava por vir e a seguinte resposta chegou:

Quem paga decide como quer ser atendido, onde é como.

Designers novatos levam anos para entender que são prestadores de serviço. As leis do mercado são mais fortes do que as falas dos seus professores na sala de aula.

O cliente deve ser sempre o foco do atendimento, não os processos caprichosos do prestador de serviço.

Chega a ser cômico, mas infelizmente é uma tragédia grega daqueles que tem a falsa ilusão em achar que sabem como é o trabalho de outro profissional e como este deve ser feito. Será que a forma amadora que ele vê o trabalho de outro profissional é a mesma forma com que ele lida e encara o próprio trabalho da própria empresa? É, pensando bem, pode ser isso.

Tirando a parte que ele achou que eu era uma novata no mercado (rs), o conhecimento dele da área, ou seja, nenhum, ficou ainda mais evidente quando ele sem entender o por quê das coisas rotulou como “processos caprichosos” aquilo que seria a base, que como uma profissional que preza pela qualidade, teria para ter noção do que ele precisaria para atender as reais necessidades da empresa dele.

Muitos como ele se enganam e acham que realmente sabem o que precisam para a comunicação da própria empresa, ou no caso, do próprio site: 3 páginas “vitrine” de um conteúdo estático e olha só que maravilha, responsivo. Para fazer isso não precisa contratar ninguém. Saiba que nos dias atuais existem geradores de sites automáticos e gratuitos, justamente para atender este tipo de cliente. Certamente serão ferramentas excelentes e primorosas para o que eles acham que precisam.

E viva as leis de mercado 😉

NOTA IFD: Houve uma dúvida na fanpage da IFD em relação a expressão FALSA ILUSÃO. Achei interessante deixar registrada aqui a explicação caso mais alguém acabe interpretando de forma errada contradizendo o sentido do texto inteiro. Embora a expressão seja de senso comum, é uma expressão redundante, afinal, toda ilusão é falsa e está bem distante da realidade. No caso do texto, o pleonasmo foi usado de maneira proposital.

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