Nenhuma empresa pode prescindir de design, mas a imensa maioria dos pequenos negócios brasileiros não conta com este recurso. Se este é o seu caso, confira dicas essenciais e básicas.

Se ainda não chegou a hora de contratar um designer para trabalhar pela sua empresa, preste atenção à algumas dicas básicas e essenciais do design.

Nenhuma empresa é visível sem um logotipo ou um cartão de visitas. Então, alguém teve que fazer isso. Se quem criou tudo foi você mesmo ou algum grande amigo que sabe usar perfeitamente o computador, verifique se os dez itens abaixo estão de acordo com o que tem sido feito para sua empresa. Senão, é hora de rever o que você está querendo dizer para o seu consumidor:

A marca

Verifique se a marca da sua empresa foi criada dentro dos padrões internacionais de bom senso. Ela precisa ser vista, aplicada e memorizada facilmente. Basicamente isso significa: desenhos muito rebuscados dificilmente cumprirão esta missão. Entenda por isso aquelas letras cheias de ornamentos utilizando as sete cores do arco-íris.

Menos informação é absorvida mais rápido. Isso vale para uma palavra ao invés de uma frase, um algarismo ao invés do número do seu CPF, e para a sua marca simplicada ao invés de um turbilhão de informações. As pessoas tem pressa, cada vez mais. E um desenho que não foi memorizado é tido como desconhecido. O consumidor vai provavelmente confiar no que já conhecido.

Outro detalhe importante. A sua marca pode ser reduzida para ser aplicada numa caneta e ainda assim ser compreendida como tal? E se eu estiver numa estrada, e olhar um outdoor lá longe, consigo ler sua marca? Em fundo texturizado, como faço para aplicar a marca da sua empresa? A boa marca pode ser aplicada na maior parte dos meios sem dificuldade, o que facilita muito a presença da sua empresa em qualquer lugar.

O cartão de visitas

Com uma boa marca fica fácil ter um bom cartão de visitas. Existem muitas maneiras de manter um padrão (tamanho) sem fazer exatamente o que todo mundo faz. Tudo vai depender do que você deseja quando o seu cliente estiver procurando um fornecedor entre 1549 cartões igualmente diagramados. O cartão de visitas é para dizer: olha, aqui estão os meus dados, a identidade da minha empresa e nosso diferencial.
Cores

Quando sua marca foi desenvolvida, algumas coisas foram eleitas para representar a identidade visual da empresa. Pois bem, existem vários meios onde suas cores estarão impressas. Papel, tecido, parede, site. É importante que essas aplicações apresentem o tom mais próximo um do outro, embora seja praticamente impossível que sejam idênticas devido aos diferentes materiais. Porém, é inadmissível que dois papéis do mesmo tipo apresentem tons totalmente diferente da mesma cor. Para isso, existem escalas como RGB, CMYK ou Pantone.

Se você não se preocupa se as cores são originais à do projeto, então tanto faz escrever o seu nome com umas letrinhas a menos, não é mesmo?

A organização da loja ou escritório

Tudo que tem contato com o seu cliente deve seguir a mesma filosofia. E isso tem mais a ver com coerência do que com design, mas estes dois termos estão intimamente relacionados. Se a sua empresa tem como princípio “qualidade máxima”, as gôndolas da sua loja naturalmente foram organizadas com qualidade extrema. A limpeza do local, idem. Eu não acreditaria que a sua empresa trata com qualidade a minha encomenda se o seu funcionário perde mais do que cinco minutos para encontrar o meu pedido em meio à bagunça do escritório.

A mala direta

Na ânsia de atingir todo mundo, o destino da sua mala direta abarrotada de informações será provavelmente o mesmo das outras: o bueiro mais próximo. E lá vai ficar para colaborar com a próxima enchente. Se o objetivo é comunicar uma promoção, que seja este o foco então.

Não queira aproveitar o papel para falar tudo de uma vez. O espaço vazio tem uma extraordinária finalidade pouco conhecida: ele isola uma informação da outra e ajuda os olhos do seu consumidor a percorrer um determinado caminho. Em outras palavras, ajuda a dizer alguma coisa com mais eficiência.

E, se além de comunicar você quiser colaborar com os bueiros e salvar muitas árvores, aproveite as facilidades e economias do e-mail-marketing. Com um bom cadastro autorizado pelos clientes e um design apropriado, as vantagens são muito superiores.

O site

Uma das grandes maravilhas da internet, o site corporativo é obrigatório para qualquer empresa. E por ser tão acessível é possível que você conheça muitas pessoas que sabem fazer um. Cuidado para não colocar na internet uma coleção de páginas sem sentido tornando a missão da sua empresa obscura.

Os sete pecados de um site

* Não cuidar das imagens. Imperdoável que estejam em péssimas condições ou distorcidas;
* Não saber usar animações com moderação;
* Não ter um estudo prévio das informações. Antes de sair fazendo, pense em como facilitar a vida de quem entra no seu site;
* Não pagar pelos direitos autorais das fotografias de terceiros;
* Não colocar as formas de contato em local visível;
* Não atualizar;
* Não divulgar.

autora: Caroline Fülep
fonte: http://webinsider.uol.com.br

Não tenha medo daquele sobrinho do cliente que diz fazer o mesmo que você por um preço menor. Entenda a escala de valores entre vocês dois e cobre o preço de sua experiência com resultados.

Por que devo contratar um designer? Todos nós já ouvimos a pergunta. Mas sua formulação não tem nada a ver com a insensibilidade ou mesmo com a avareza do cliente. Ela é, isto sim, fruto da discrepância entre escalas de valor dos clientes e dos fornecedores.

Em outras palavras: o cliente não entende por quê o sobrinho dele não pode fazer o mesmo trabalho e por um preço bem mais camarada.

Para tentar encontrar uma solução ao impasse, primeiro precisamos entender o que é valor. Quando determinado serviço traz um benefício que, para o cliente, é maior do que o preço por ele pago, este serviço tem valor para aquele cliente específico.

Portanto, valor é um conceito subjetivo, dependendo principalmente das percepções do tomador de serviço.

É exatamente como a já famosa fábula do martelo, onde um mecânico cobra um valor astronômico por um reparo feito em segundos em um motor quebrado. O cliente, sem enxergar o valor da solitária martelada que resolveu seu problema, recebeu como resposta a composição do custo: 99% experiência, 1% trabalho.

Como fazer um cliente, cuja cabeça é normalmente orientada a custo, entender a importância do trabalho do designer em um mundo onde as ferramentas de produção estão amplamente disponíveis a custos que se aproximam do zero?

A resposta, novamente, passa pela percepção de valor.

O designer, como especialista em sua área, é o mecânico que desfere aquela martelada certeira, resolvendo o problema da maneira mais rápida e eficaz possível. Algo que o sobrinho do cliente dificilmente conseguiria.

autor: Pedro Calda
fonte: webinsider

1 ) “Faça esse trabalho barato (ou de graça) e no próximo pagaremos melhor”
Nenhum profissional que se preze daria seu trabalho de mãos beijadas na esperança de cobrar mais caro mais tarde. Você consegue imaginar o que um advogado diria se você dissesse “me defenda de graça dessa vez que na próxima vez que eu precisar de um advogado eu te chamo e pago melhor”. Ele com certeza riria da sua cara.

2 ) “Nós nunca pagamos 1 centavo antes de ver o produto final”
Essa é uma pegadinha. A partir do momento que você foi contratado para fazer o trabalho você DEVE pedir uma entrada. O motivo é simples, você está trabalhando desde o momento que se dispõe a fazer a reunião de briefing. Talvez um cliente mais inexperiente queira pagar após ver alguns esboços. Cabe a você aceitar ou não.

3 ) “Esse trabalho será ótimo para seu portfolio! Depois desse você vai conseguir muitos outros”
Essa é uma das mais típicas. E costuma fazer vítimas principalmente entre jovens que ainda estão estudando. Para não cair nessa, basta pensar “quanto o seu cliente vai faturar com o seu trabalho?”. Além disso, não esqueça que, mesmo que ele indique seu trabalho para outras empresas, com certeza ele dirá quanto custou (ou se foi de graça) e imagine o que os próximos irão querer?

4 ) Olhando para seus estudos e rascunhos: “Veja, não temos muita certeza se queremos seu trabalho. Deixe esses estudos comigo e vou falar com meu sócio/investidor/mulher, etc e depois te dou uma resposta”
Não dou 5 minutos para ele ligar para outros designers com seus estudos e conceitos criados na mão barganhando melhores preços. Quando você ligar de novo ele dirá que seu trabalho está muito acima do mercado, blá blá blá, e que Fulano Designer vai fazer o trabalho. Mas como eles conseguiram outro designer mais barato? Lógico, você já passou o conceito todo criado! Economizou horas para o designer que vai pegar o trabalho. Então, enquanto você não entrar em acordo com seu cliente NUNCA DEIXE NADA CRIATIVO no escritório dele!

5 ) “Veja, o job não foi cancelado, somente adiado. Deixe a conta aberta e continuaremos dentro de um mês ou dois”
Provavelmente não. Seria um erro você não faturar o que foi feito até o momento esperando que o trabalho continue depois. Ligue em dois meses e você verá que alguém estará trabalhando no job. E adivinhe! Eles nem ao menos sabem quem você é… e o dinheiro do início do trabalho, lógico, já era!

6 ) “CONTRATO?? Nós não precisamos assinar contratos! Não estamos entre amigos?”
Sim, estamos. Até que alguma coisa dê errada ou ocorra um mal-entendido, e você se transforme no meu maior inimigo e eu sou o seu “designer estúpido”, aí o contrato é essencial! Simples assim! Ao menos que você não ligue em não ser pago. Qualquer profissional usa um contrato para definir como será o trabalho e você deve fazê-lo também!

7 ) “Envie-me a conta depois que o material for pra gráfica”
Por que esperar por esse deadline irrelevante? Você é honesto, não? Por que você deveria ficar preso a esse deadline? Uma vez entregue o trabalho, fature! Essa desculpa possivelmente é uma tática para atrasar o pagamento. Assim o material vai pra gráfica, precisa de alterações intermináveis e, adivinhe, ele arranja outra pessoa pra fazer as alterações necessárias, o material vai pra gráfica e você nem fica sabendo!

8 ) “O último designer fez esse job por R$ XX “
Isso é irrelevante. Se o último designer era tão bom por que ele te chamou? E quanto o outro cobrava não significa nada pra você. Pessoas que cobram muito pouco pelo seu tempo acabam fadadas ao insucesso (por auto-destruição financeira). Faça um preço justo, ofereça no máximo 5% de desconto e não abra mão disso.

9 ) “Nosso orçamento para esse job é de XX reais”
Interessante, não? Um cara sai para comprar um carro e sabe exatamente quanto ele vai gastar antes mesmo de fazer uma pesquisa. Uma quantia de trabalho custa uma quantia de dinheiro. Se seu cliente tem menos dinheiro e ainda assim você quer pegar o trabalho, dedique menos horas a ele. Deixe isso bem claro ao seu cliente, que você dedicará menos tempo que o estimado para finalizar o trabalho porque ele não pode pagar por mais horas. A escolha é sua.

10) “Estamos com problemas financeiros. Passe o trabalho para nós e, quando estivermos em melhor situação, te pagamos.”
Claro, mas pode contar que, quando o dinheiro chegar, você estará bem lá no final da lista de pagamentos. Se alguém chega ao ponto de admitir que está com problemas financeiros então provavelmente o problema é bem maior do que parece. Além disso, você por acaso é um banco para fazer empréstimos? Se você quer arriscar, pelo menos peça dinheiro adicional pelo tempo de espera. Um banco faz isso, não faz? Por que provavelmente esse é o motivo deles quererem atrasar seu pagamento, ter 6 meses de dinheiro “emprestado” sem ter que pagar juros, o que não aconteceria se ele tivesse que emprestar do banco. Não jogue dinheiro fora!

Bom, o motivo de tudo isso não é deixar você paranóico ou coisa do tipo, mas sim injetar um pouco de realidade no mundo de fantasia da maioria dos designers. Você certamente vai tratar com pessoas muito diferentes de você. As motivações e atitudes certamente são diferentes. Eu infelizmente vejo, muitas vezes, exemplos de pessoas envolvidas em situações com a mais nobre das intenções e acabam literalmente se dando mal. Porque a maioria dos designers enxergam os trabalhos como uma oportunidade de fazer aquilo que mais gostam com dedicação, simplesmente porque amam o que fazem! A outra parte não tem a negociação tão idealizada ou romantizada, muito pelo contrário.

Como lidar com todas essas coisas e ainda assim fazer um trabalho criativo? Boa pergunta! É por isso que ir atrás da informação é importante. Você aprende a trabalhar com todas as técnicas do design, mas não aprende a arte da negociação. Muitos designers ignoram este aprendizado, o que é um grande erro. Sugiro que o mínimo seja incorporado assim certamente você não sentirá seu trabalho como uma grande perda de tempo e dinheiro!

fonte: texto original em inglês Painte Creativity
tradução: Debora Behar
fonte: Blog do Sales

Projeto de Julian Hasen que foi traduzido por Lucas Oliveira. Uma forma alternativa sobre como escolher o tipo de letra que usar para um trabalho específico. A lista de fontes deste infográfico é (muito vagamente) baseada no Top 50 das 100 Die Besten Schriften por Fontshop.

infográfico: qual é a fonte que você precisa?
clique na imagem para vê-la maior em outra janela

nullFoi a relação existente entre o designer, suas criações e o desejo que me levou a escrever uma monografia para o curso de especialização em design e cultura e que mais tarde se tornou a publicação do meu livro, Iphone: objeto de desejo.

Neste artigo, procurei fazer uma síntese de alguns capítulos juntamente com as minhas conclusões.

O objeto de desejo se torna verdadeiramente um dos objetivos principais de nossas vidas. É ele que nos impulsiona a evoluir, desenvolver, progredir, criando assim condições de possuí-lo. Para cada fase de nossa vida temos um objeto que passa a ser alvo do nosso desejo, e assim vamos passando num processo de desejo, meta e conquista.

Mas o que estes objetos têm que nos fascinam?

O desejo que os objetos despertam nos seres humanos é motivo de pesquisa de muitos estudiosos, principalmente dos designers. Quando alguém cria um objeto, ele consegue imprimir em sua obra elementos com os quais as pessoas são despertadas para o seu encantamento, pela via da fascinação, do fetiche, do desejo.

De acordo com Alain Badiou, em sua obra “Para uma Nova Teoria do Sujeito” (1994), existe uma nova teoria para este mesmo sujeito. Segundo o autor, o sujeito contemporâneo difere totalmente daquele sujeito passivo e patético que conhecemos, de anos atrás, aquele que sofre, que identifica o sofrimento e sabe que este é preciso”. Badiou propõe algumas indicações para uma teoria do sujeito que passa pelo sentido do que ele chama “o ser imortal do mortal humano”.

De início, há apenas um animal, chamado, em certas circunstâncias, a tornar-se sujeito. O que significa que tudo que ele é, seu corpo, suas capacidades são, em dado momento, requisitados para que uma verdade faça seu caminho. É então que o animal humano é chamado a se tornar o imortal que não era. Nesse livro, Badiou faz uma afirmação interessante: “O direito do Homem é primeiramente o direito a resistência humana. Ao fim, morremos todos nós e só resta o pó. Há, entretanto, uma identidade de Homem como imortal, no instante em que ele afirma o que é, contra o querer-ser-um-animal ao qual a circunstância o expõe. Cada homem, isto é por demais sabido, é capaz de ser imortal; em grandes ou pequenas circunstâncias, por uma verdade importante ou secundária, isto pouco importa” (BADIOU, 1994, p.108).

Acredito que esta proposta de Badiou para um novo sujeito nos faz refletir sobre a nossa condição real de meros mortais, enquanto pessoas comuns e ao mesmo tempo seres imortais, deuses mesmo, quando de uma forma efetiva conseguimos ultrapassar os limites do comum, criando o incomum, aquilo que perdura pelos tempos, mesmo depois de nossa ausência.

Considerando estas questões de Badiou sobre o novo “sujeito”, podemos entender que o ser humano tem uma necessidade de se tornar imortal e a sua impotência gera ações no cotidiano que nos impelem a estar sempre na busca de “algo” que possa nos imortalizar.

“Criar” – esta palavra tem um forte significado, pois retrata o surgimento de “algo” que poderá ter a possibilidade de nascer e ter uma vida útil por um determinado tempo, ou nascer e se tornar algo atemporal. Assim, os designers, na busca dessa “imortalidade”, que na maioria das vezes deve ser inconsciente, talvez utilizem da emoção como ferramenta para materializar em suas obras elementos que despertam o desejo das pessoas.

Para Richard Moran, Professor de Filosofia da Universidade de Harvard, em seu livro Philosophy and Phenomenological Research (2004), o desejo em filosofia é uma tensão em direção a um fim, considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou recalcada. Quando consciente, o desejo é uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado, o qual é o conteúdo mental relativo a esta. Enquanto elemento apetitivo, o desejo se distingue da necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo do respectivo estado fisiológico ou psicológico.

Tradicionalmente, o desejo pressupõe carência, indigência. Um ser que não carecesse de nada não desejaria nada, seria um ser perfeito, um deus. Por isso, Platão e os filósofos cristãos tomam o desejo como uma característica de seres finitos e imperfeitos. Por costume, de acordo com Moran, os filósofos cristãos viram o bem como o objeto do desejo. Segundo Moran, atualmente isso é questionado, pois ele acredita que o desejo não é sempre ou talvez nem mesmo freqüentemente do Bem ou do Racional.

Moran continua enfatizando que o desejo é um tipo de sentimento. Isso significa que ele faz parte do sujeito, agente ou pessoa, sem fazer parte do mundo. O desejo é uma atitude mental do sujeito em relação ao mundo. É subjetivo, não objetivo. Se é um sentimento, isto também significa que a ele temos acesso imediato e não-inferencial ao mesmo tempo. Ainda assim, estamos sujeitos ao auto-engano e a outras falhas relacionadas ao autoconhecimento quando exteriorizamos os nossos desejos.

A teoria epistemológica para o desejo de Moran é: “O desejo é um tipo de atitude mental. Os desejos podem ser atitudes mentais proposicionais ou acusativas. Quando se apresenta como atitude proposicional, trata-se de um desejo que certo estado de coisas se dê no mundo. Quando se trata de uma atitude acusativa, trata-se do desejo de certa coisa ou objeto” (MORAN, 2004).

Olhando o desejo como sinônimo de prazer, podemos analisar uma visão de Epicuro de Samos, filósofo grego do período helenístico. Das numerosas obras escritas pelo filósofo, só restaram três cartas que versam sobre a natureza, sobre os meteoros e sobre a moral, e uma coleção de pensamentos. Seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jônia, no Egito e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio foi seu maior divulgador. Ele conceitua que o “sumo bem” reside no prazer e, por isso, foi uma doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo. O prazer de que fala Epicuro é o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É a própria natureza que nos informa que o prazer é um bem. Este prazer, no entanto, apenas satisfaz uma necessidade ou aquieta a dor. A Natureza conduz-nos a uma vida simples. O único prazer é o prazer do corpo e o que se chama de prazer do espírito é apenas lembrança dos prazeres do corpo. O mais alto prazer reside no que chamamos de saúde.

Já para o autor Jean Baudrillard, em seu livro “O Sistema dos Objetos” (1968), ele retrata o desejo pelo objeto dizendo que cada objeto está a meio caminho entre uma especificidade prática, sua função, que é como seu discurso manifesto, e a absorção em uma série/coleção, onde se torna termo de um discurso latente, repetitivo, o mais elementar e o mais tenaz dos discursos. Este sistema discursivo dos objetos é homólogo àquele dos hábitos. Segundo ele o hábito é descontinuidade e repetição e não continuidade como o emprego sugere. É pela divisão do tempo em esquemas habituais que solucionamos o que pode haver de angustiante, de continuidade e de singularidade absoluta dos eventos. Devemos pensar, então, que o desejo se mantém num processo cíclico, onde a cada momento de nossas vidas desejamos “algo”, e esse “algo” naquele momento é o mais importante, até que outro evento aconteça e eu passe a desejar outro objeto que tem uma representação subjetiva de um novo momento, de algo novo, diferente da rotina.

Em outro livro, “O Kitsch” (1971), Abraham Moles afirma que o prazer existe apenas no instante, sendo ele nada mais individual, mais incerto, mais incomunicável. Os juízos que se fazem não permitem qualquer raciocínio, pois ao analisar seu tema, na verdade a ele acrescentam um atributo de indeterminação: dizer que um objeto é bonito é dar-lhe um valor de enigma! Na verdade, Moles acredita que existe uma sensualidade nos objetos que exerce poder de atração, junto com outros signos, nos seres humanos.

Os signos de um objeto podem ser diversos. Eles também estão a serviço de funções objetivas como a ergonomia, na medida em que o objeto pode ou não expressar sua função. Quantas vezes não nos deparamos com coisas que não sabemos para que servem, e, ao contrário, como é confortável usar um objeto que nos indica para que serve. E os signos estão a serviço da subjetividade quando compramos um produto cujo atributo é mostrar que temos poder ou informar a que “clube” pertencemos (as grifes estampadas nos produtos que usamos).

A função estética é uma função subjetiva e também é sígnica. Diz respeito ao sujeito e comunica muitas coisas. Por sua definição, a função estética deveria estar mais ligada à emoção e ao sentimento que um objeto suscita do que propriamente à sua beleza, e como a maioria dos autores afirma, isto porque o “belo” é um conceito relativo, ou melhor, arbitrário, pois é mutável conforme a sociedade. Fala-se muito sobre a estética burguesa dominante ou “bom gosto”, que sem dúvida é formadora de opinião e pertence a uma classe.

De acordo com o americano Richard Florida no livro “The Rise of the Creative Class” (A Ascensão da Classe Criativa), ter boas ideias é apenas o começo de um longo percurso. É preciso entender o que transforma uma boa ideia em um produto ou serviço de sucesso.

Florida afirma que no estágio atual do capitalismo, a criatividade não surge só como um diferencial, mas como a própria razão de ser da economia. Se a transição da agricultura para a era industrial foi baseada em recursos naturais e na força de trabalho, a revolução agora em curso é potencialmente maior e mais poderosa. A atividade econômica passou a se basear na inteligência e na capacidade de inovar e daí emergiu um novo perfil de trabalhador, a “classe criativa”.

Richard acredita que os designers fazem parte da nova classe criativa existente em vários mercados e que essa mesma classe é a responsável pela forma como trabalhamos nossos valores e desejos, ou seja, tornaram-se a grande “filosofia visual” do nosso cotidiano. “Como essa criatividade é o motor do crescimento econômico, em termos de influência a classe criativa está se tornando à classe dominante em nossa sociedade”, afirma Florida (2002).

Estamos vivendo num mundo de estetização generalizada e esta característica cada vez mais evidencia a relação entre estética, design e desejo. Estas três palavras são responsáveis pela fascinação dos objetos, uma vez que a maioria das pessoas na atualidade valoriza mais a função subjetiva deles.

Os designers são a parte mais visível de uma nova e cada vez mais influente categoria de profissionais, daqueles que usam a criatividade como fator-chave nos negócios, na educação, na medicina, no direito ou em qualquer outra profissão.

O aumento na oferta de produtos com desenho inovador acabou por criar uma via de mão dupla: o consumidor também passou a exigir objetos mais bonitos e com os quais se identifique. Vivemos uma época única, em que a estética se tornou prioridade porque ficou mais fácil enfeitar nosso dia a dia, nossa vida, e bem lá no fundo é exatamente isto o que queremos.

Podemos também pensar que o desejo possa estar ligado a uma espécie de “jogo da sedução”, onde tudo aquilo que vemos não é possível de ser tocado ou possuído, e talvez este seja um poderoso fator que gere a fascinação e encantamento nas pessoas por um determinado objeto.

Quando a Apple lançou seu novo produto (Iphone) no mercado e gerou uma “prisão” desse produto atrelando-o a uma companhia de telefonia celular, essa prisão simbólica de certa forma provocou ainda mais o desejo das pessoas pelo aparelho. Se analisarmos, de uma forma figurada, a própria loja da Apple em Nova York, com paredes de vidro, perceberemos a intenção de criar uma grande vitrine para os olhos, onde se pode observar, mas não se pode tocar, veremos ai o movimento do próprio do desejo em sua pura estratégia: sedução x impossibilidade.

É possível que a Apple tenha feito e ainda faz muito sucesso com o iPhone e com a maioria de seus produtos porque ela não vende apenas produtos, mais que isso, ela vende um estilo de vida. As pessoas estão cada vez mais ávidas por pertencerem a tribos, que são escolhidas por diversos parâmetros ligados ao próprio estilo de vida de cada um.

O “jogo da sedução” está deixando de ser uma relação apenas entre pessoas para ser também uma relação entre pessoas e objetos.

Então podemos pensar que o iPhone, entre vários produtos no mercado, será aquele que por via direta tornará o seus criadores “imortais”.

autor: Camilo Belchior
fonte: http://abcdesign.com.br




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