VocĂȘ Ă© criativo. VocĂȘ Ă© talentoso. VocĂȘ Ă© premiado. ParabĂ©ns. VocĂȘ Ă© apenas mais um bom publicitĂĄrio. Mais um bom publicitĂĄrio em um mercado cheio de profissionais tĂŁo competentes quanto vocĂȘ. O problema Ă© que o meu, o seu, o nosso mercado nĂŁo suporta tantos profissionais assim. E, para piorar, nossos clientes tambĂ©m nĂŁo.

NĂłs repetimos tanto as fĂłrmulas de como se faz um anĂșncio que os clientes aprenderam. E jĂĄ sabem fazer um sozinhos. Vai me dizer que vocĂȘ nunca esteve em uma reuniĂŁo de briefing ou de apresentação de campanha em que o marketing virou para vocĂȘ e disse: “Essa chamada atĂ© que Ă© boa. Mas faz o seguinte: aumenta essa foto aqui, passa o logotipo pra cĂĄ, que o anĂșncio vai ficar muito melhor. Ou entĂŁo, vocĂȘ pode fazer uma chamada mais direta, que resolve.” E daĂ­ surge uma nova opção de anĂșncio. Talvez pior que a sua. Talvez mais eficaz. Um anĂșncio feito pelo marketing, uma pessoa - vocĂȘ sabe - responsĂĄvel pela construção de marca de uma empresa. É claro que ele pode e deve opinar sobre a comunicação. Mas estĂĄ errado em criar um anĂșncio por vocĂȘ. Ele paga a sua agĂȘncia para isso. E cobra a sua agĂȘncia por isso. Mas nĂłs erramos ainda mais ao continuarmos pensando em fazer apenas anĂșncios para eles. É pouco.

O comprometimento com o negĂłcio Ă© hoje tĂŁo ou mais importante que a busca por um tĂ­tulo ou layout brilhante. Comprar os anuĂĄrios mais recentes e ver as referĂȘncias vanguardistas vai inspirar tantos caminhos quanto conhecer profundamente o produto e seus concorrentes. O interesse nos resultados que a sua campanha trouxe para o cliente deve ser tĂŁo comemorado quanto os prĂȘmios que ela certamente trarĂĄ. Por quĂȘ? Porque criar negĂłcios atravĂ©s do nosso talento faz toda a diferença. A diferença, por exemplo, de uma conta permanecer ou nĂŁo em uma agĂȘncia.

Quem estå do outro lado do balcão sente falta desse perfil de interlocutor na criação: profissionais interessados em todas as etapas do processo, realmente participativos. São com eles que os clientes querem falar. E, justamento por isso, ouvem.

“Mas que papo careta Ă© esse?” VocĂȘ deve estar pensando aĂ­, do outro lado do computador. “O Álvaro estĂĄ escrevendo isso sĂł porque estĂĄ diretor de criação. Deve estar querendo agradar algum cliente ou pensando em um prospect.” Que nada. Eu estou pensando em vocĂȘ mesmo. Ou melhor: na nossa profissĂŁo. Enquanto a carreira de um criativo for pautada apenas na criação de anĂșncios, ela corre o risco de durar tanto quanto um um.

autor: Álvaro Rodrigues
fonte: Acontecendo Aqui

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