Designer? Pra que?

22 Fevereiro | 2007       Categoria: Design, IFDPod

A história da marca da Light é antiga, e pode ser conhecida pelo trabalho realizado por Manoela Amado, quando era aluna do curso de design da Puc-Rio (o trabalho em PDF pode ser baixado aqui). Para resumir a história: a marca anterior ao último redesenho havia sido criada por Aloísio Magalhães, talvez o designer mais importante da história do design brasileiro.

A marca foi escolhida em um concurso. Mas não com funcionários da empresa, e sim um concurso fechado, com alguns dos designers mais destacados da época: Rubens Martins, Alexandre Wollner, Aloísio Magalhães, Goebel Weyne, Ludovico Martino e Lucio Grinover.

Logotipo da Light, por Aloísio Magalhães

O trabalho de Aloísio Magalhães, vencedor do concurso para a identidade visual da Light, em 1966. A letra L dá origem a um raio, energia pura. A simplicidade, genialidade e capacidade de síntese do mestre são muito bem representadas nesse trabalho.

O trabalho vencedor, de Aloísio Magalhães, foi tão forte que garantiu sua permanência mesmo quando a empresa foi comprada por um grupo privado estrangeiro, em 1996, 30 anos depois (notem a semelhança da história da CEDAE). Naquele momento, a empresa sentiu necessidade de marcar a mudança de paradigma com nova identidade visual. Ao contrário da CEDAE, percebendo a importância do fato, resolveu realizar um novo concurso fechado com DESIGNERS!!! O escritório vencedor foi o de Evelyn Grumach, EG Design.

O processo de mudança foi mais bem estruturado. Ao contrário da CEDAE, a Light teve a preocupação de checar o valor de sua marca antiga. Uma pesquisa demonstrou que 94% da população identificava o símbolo criado por Aloísio como sendo a marca da Light. Se inicialmente pretendiam usar a identidade da empresa estrangeira, sepultando completamente a identidade antiga da Light, o resultado da pesquisa deixou claro que não seria interessante desprezar essa pregnância (Aloísio era realmente um gênio). Partiram para uma reformulação, e não uma nova marca.

O resultado foi o que se segue. Uma revitalização que manteve relação com a marca antiga. O projeto abrangeu inclusive o desdobramento da marca em submarcas, parte do processo de “desverticalização” da empresa.

reformulação da identidade da Light, por Evelyn Grumach

reformulação da identidade da Light, por Evelyn Grumach

reformulação da identidade da Light, por Evelyn Grumach

reformulação da identidade da Light, por Evelyn Grumach

reformulação da identidade da Light, por Evelyn Grumach

O trabalho de reformulação da identidade visual da Light, feito pelo escritório EG Design, manteve os traços fundamentais da identidade feita anteriormente por Aloísio, mas sem dúvida marcou a nova fase da empresa.

Para completar, a CEDAE pretende deixar o detalhamento e o projeto de implantação da nova marca a cargo de uma empresa de publicidade. No caso da Light, detalhamento e projeto de implantação ficaram a cargo do escritório EG Design, e a manutenção foi responsabilidade do departamento interno de programação visual da própria Light. O processo, previsto inicialmente para durar 3 anos, demorou mais de 8.

O contraste entre o caso da Light e da CEDAE mostra a complexidade e importância de um projeto de identidade visual. É uma temeridade (ou ainda, uma irresponsabilidade) que uma empresa do porte da CEDAE tenha optado por deixar um trabalho desta magnitude ser resolvido em um concurso interno entre funcionários, que por mais empenhados e bem intencionados que tenham se mostrado, não possuem o conhecimento específico que um projeto desta natureza requer.

Com essa história toda, a imagem da CEDAE entrou pelo cano.

autor: Mauro Pinheiro
fonte: Feira Moderna

Para Completar
Cartas para a redação: reações ao caso CEDAE

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