Era uma vez, um anúncio de varejo. Ele vivia em uma cidade com outros anúncios institucionais, lindos e premiados. Todos se gabavam de seus layouts ousados, seus tÃtulos engraçados ou de suas assinaturas impactantes. Mas ele, tadinho, era só um anúncio de varejo cheio de “gerentes pirados†e “preços imbatÃveisâ€. Os outros anúncios viviam caçoando dele: “pra quê tanto texto legal? Afinal, o que é que ele tem de legal?†E todos riam debochando de seus splashes e cores berrantes.
Na escola, o anúncio de varejo era sempre o último a ser escolhido no time de futebol. Todo dia ele era alvo de alguma piada. Uma vez, pregaram um bilhete em suas costas, escrito: “imperdÃvel! Última oportunidade para chutar a minha bunda. Venha correndo!†Aliás, na escola, assim como em todas as escolas, os anúncios eram divididos em grupos: os all-types com tÃtulos maravilhosos, os anúncios com tratamentos de imagem incrÃveis, tinha os que faziam rir e os que faziam chorar. Mas todos tinham uma sacada genial, um slogan marcante e eram ótimos em português e educação fÃsica. Menos o anúncio de varejo.
Ele tinha tudo para ser problemático, virar um depressivo, alcoólatra ou psicopata. Mas não. O anúncio de varejo seguia a sua vida berrando para alguém vir correndo aproveitar a queima de estoque. “É só até este fim de semana!!!â€, gritava ele há umas 3 semanas. Porque era isso o que ele era, um anúncio de va-re-jo. Escandaloso, repetitivo e com a marca do cliente quase do tamanho do produto. O anúncio de varejo nunca ganhou um prêmio, nunca viajou pra França e nem teve ninguém brigando a cotoveladas para assumir a paternidade. Mas não foi para nada disso que ele foi criado. Ele nasceu para aparecer e vender. E quer saber de uma coisa? Isso ele sabia fazer muito bem.
autora: Priscila Midori
fonte: Vox News
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