Estamos vivendo uma verdadeira revolução no marketing. A verdade é que velhas fórmulas de comunicação com o mercado cansaram o consumidor de tal forma que os “marketeiros” precisam inventar coisas “novas” para sair desse impasse. As agências de publicidade estão perdendo recursos e clientes. Ninguém agüenta mais a mesmice de anúncios coloridos em páginas duplas na revista de maior circulação. Ou um comercial de 30 segundos no horário nobre da televisão. É tudo muito caro e a percepção do anunciante e do cliente é que a relação custo-benefício é muito baixa. Assim, os investimentos migram para os pontos-de-venda e mais ainda para o treinamento, desenvolvimento e motivação dos funcionários das empresas. Garantindo a sua empregabilidade, a empresa terá funcionários melhores, mais felizes, mais comprometidos com o sucesso de seus clientes e a empresa ganhará mais. Muito mais do que fazendo milionárias campanhas de mídia, afirmam muitos empresários e anunciantes. Daí a migração de recursos que está havendo nas empresas – da propaganda para a área de RH, endomarketing, incentivos, etc.Na busca de uma saída, aparece como a grande “novidade” do momento o chamado “Marketing do ‘Boca-a-Boca’” ou em inglês “buzz” que em tradução livre para o português significa “buxixo” ou mesmo “tititi” como querem alguns. A ordem é criar buxixo fazendo com que nosso cliente – surpreso, encantado e satisfeito – saia propalando aos quatro ventos as maravilhas de nossa empresa, de nossa marca, de nossos produtos.

A bibliografia para quem quiser ter uma idéia do que existe só nesse tema e correlatos é imensa. O mais famoso é o The Anatomy of Buzz: How to Create Word-Of-Mouth Marketing de Emanuel Rosen. Outros são também importantes. Aqui vai uma pequena lista: The Secrets of Word-Of-Mouth Marketing de George Silverman; Unleashing the Ideavirus de Seth Godin e Malcolm Gladwell; The Tipping Point: How Little Things Can Make a Big Difference de Malcolm Gladwell; Emotional Branding: The New Paradigm for Connecting Brands to People de Marc Globo e outros autores; Simplicity Marketing: End Branding Complexity, Clutter, and Confusion de Steven M. Cristol e Peter Sealey. Todos esses livros, de uma forma ou de outra, falam das mudanças fundamentais no marketing de hoje. Um dos mais importantes, porém é o livro chamado Networdling de Edward Bernays e outros autores. É um excelente livro também.

Métodos, técnicas, estratégias para criar um “buxixo” não faltam. Não importa a origem do buxixo. O que vale é o “tititi” sobre minha empresa, minha marca. O que vale é o “boca-a-boca” dos clientes, do povo, do consumidor, falando de meu produto e marca o tempo todo, criando fatos novos. Será assim que a empresa venderá hoje. Será assim que a marca terá clientes fidelizados amanhã. É assim o “novo” marketing. Emanuel Rosen, autor do The Anatomy of Buzz define “buzz” (ou buxixo) como “a soma de todos os comentários trocados entre as pessoas, sobre um determinado produto, num dado momento”. E é claro, você poderá ter o “bom buxixo” (“Esse produto é espetacular!”) e o “mau buxixo” (“Jamais compre esse produto!”). Um dos exemplos mais fortes da importância do marketing do buxixo é na fila do cinema. As pessoas perguntam às que estão deixando a sessão anterior o que acharam do filme. São pessoas desconhecidas dando suas opiniões entre si.

O livro de Emanuel Rosen é dividido em três partes: a primeira parte discute como o “buxixo” se espalha. A segunda parte discute o que faz um “buxixo” de sucesso. A terceira ensina como construir um “buxixo” em sua empresa. O ponto básico do livro de Rosen é que o buxixo nasce de um produto ou idéia que seja interessante, excitante e descomplicada, simples.

A grande novidade é que esse “buxixo” pode ser criado hoje instantaneamente pela internet. Uma situação irreal e imaginária pode transformar-se num grande buxixo e instantaneamente ser comentado por milhões de pessoas no mundo inteiro. O buxixo pode ser criado por uma forma intrigante de comunicação que desperte a curiosidade, o inusitado, o segredo. Grandes ações podem ser criadas e fatos (não necessariamente verdadeiros) propalados para gerar nas pessoas esse apelo de comentar, de falar, de discutir um tema relativo a um produto ou uma marca.

Mas, sem dúvida, o maior buxixo, o melhor tititi é aquele verdadeiro. É o boca-a-boca que nosso cliente faz, transformando-se, espontaneamente, em nosso vendedor ativo. Mas lembre-se que ele só se transformará em nosso vendedor ativo se estiver surpreso, encantado e satisfeito com nossos produtos e serviços.

E a verdade é que para que o buxixo sempre ocorre sobre coisas que o cliente não esperava daquela empresa, produto ou serviço. Ninguém faz buxixo do trivial, do comum, do esperado.

E se isso é verdade, o que temos que perguntar não é o que cliente espera de nossa empresa. É o que ele não espera, dando a ele os chamados “momentos mágicos” que o surpreenderão, que o encantarão e farão dele nosso “fofoqueiro positivo”. Assim, uma das mais importantes lições de casa que podemos sugerir às empresas é que reúnam seus funcionários para que discutam – o que podemos fazer em nossa empresa e o que nosso cliente não espera? Como podemos dar ao nosso cliente informações para que ele possa nos “vender” corretamente? Como podemos e quais técnicas poderemos usar para “treinar” nosso cliente para que se transforme em nosso “vendedor ativo” comentando no boca-a-boca nossos produtos ou serviços de forma positiva?

E é preciso que nos lembremos que no Brasil, mais do que em qualquer outro País, o marketing do buxixo é fundamental para o sucesso de qualquer empresa. Somos um povo oral e auditivo. O brasileiro fala e escuta. A oralidade do homem brasileiro é uma de suas maiores características. Assim, o testemunho do cliente encantado realmente é essencial para o meu sucesso empresarial.

E até o índio brasileiro faz e muito bem o marketing do buxixo a seu favor. Os krenhakakore ou chamados “índios gigantes” usaram do buxixo para serem temidos e respeitados durante muito tempo entre as demais tribos. O buxixo era que esses índios eram enormes, gigantes. E o que eles faziam para que esse buxixo acontecesse?

Os índios quando andam na floresta, marcam o caminho quebrando galhos de arbustos. Os krenhakakore quebravam esses galhos muito mais alto do que a maioria das demais tribos. Eles ficavam sobre os ombros do companheiro para quebrar o galho bem no alto. As demais tribos quando viam aquilo logo achavam tratar-se, é claro, de gigantes. Nos rios e igarapés, eles colocavam pedras grandes sob certos locais dentro da água e ficam sobre essas pedras. Os índios das outras tribos – que conheciam a profundidade daquele rio – viam os krenhakakore dentro d’água e com água para baixo dos joelhos e tinham certeza tratar-se de “gigantes” . O “boato” ou “buxixo” era grande. Com toda a certeza e evidência os krenhakakore eram índios gigantes. Os próprios irmãos Villas Boas quando tentaram o contato com essa tribo estavam preocupados.

Tudo não passava de um bem articulado e arquitetado “buzz marketing” descoberto pelos sertanistas assim que fizeram os primeiros contatos!

E, internamente, na nossa “tribo”, dentro de nossa própria empresa, no chamado endomarketing ou marketing interno, esse “buxixo” é ainda mais importante. As chamadas “rádio-peão” que temos no refeitório, cafezinho e corredores de nossa empresa fazem grande diferença para a motivação de nossos funcionários e portanto influenciam pesadamente na sua produtividade, na disposição no bom atendimento aos clientes, etc. Também para o nosso público interno é preciso que trabalhemos bem, e muito bem, o marketing do buxixo. E são poucas as empresas que genuinamente se preocupam com isso.

O desafio de um mundo em mudança, com uma concorrência brutal de muitas marcas e produtos, com qualidade semelhante e preços similares, faz com que o marketing tenha também que mudar, ser revisto e revisitado. O Marketing do Buxixo é um exemplo da volta ao básico do ser humano. Da comunicação primária e direta boca-a-boca entre as pessoas. Assim, o desafio das agências de publicidade está muito além de criar anúncios que criem “buxixo”. Mas criar “buxixos” que façam de nossos clientes os nossos verdadeiros anunciantes.

fonte: http://pmkt.com.br
autor: Luiz Marins

Dicas de Matéria
Outbreak marketing
Estratatégias de Marketing de Guerrilha
Site guerrilla marketing online – mais materias
As 100 armas do Marketing de guerrilha
Marketing de Guerrilha – com vídeo da palestra de Seth Godin: Todos os Marketeiros mentem
Marketing do Buxixo

Dica de Leitura
(basta clicar na imagem para mais detalhes)


Criatividade de Guerrilha: Torne o Marketing de Sua Empresa
JAY CONRAD LEVINSON

É muito comum que discutamos sobre a importância da comunicação para as organizações. Todavia cada discurso parece falar de uma comunicação diferente, que leva a caminhos completamente independentes uns dos outros. Parece que isso muitas vezes acaba por levar a compreensão e a efetivação da comunicação também para muitas direções, como se a organização devesse buscar diversas alternativas, em diversas direções, para que se faça entender e se vincular a seus públicos.Em princípio é necessária a reflexão sobre o que entendemos como objetivos principais do trabalho de comunicação das organizações e em que dimensão se encontra esse processo. É de grande importância que busquemos antes de tudo uma compreensão pela visão do todo. Sem dúvida cada área tem suas necessidades, cada momento de cada organização pede determinadas ferramentas, determinadas atitudes que sejam adequadas à situação. Cada público que interage com a organização, por fim, tem seu momento e seu espaço estratégicos, o que não deve ser esquecido.

Todavia caberia iniciar a reflexão partindo do pressuposto de que a comunicação de fato obterá resultados superiores a partir de uma visão integrada, que propõe que ela possa oferecer uma proposta global para a organização, sempre levando em conta suas características específicas. Como comunicação integrada entende-se “uma filosofia que direciona a convergência das diversas áreas, permitindo uma atuação sinérgica. Pressupõe uma junção da comunicação institucional, da comunicação mercadológica, da comunicação interna e da comunicação administrativa, que formam o mix, o composto da comunicação organizacional” (Kunsch, 2003, p. 150). No Brasil ainda se confundem por vezes as terminologias, atribuindo-se sinonímia a termos como comunicação organizacional, comunicação corporativa, comunicação empresarial, relações públicas, marketing de relacionamento.

Assim, em nosso ver a comunicação integrada tem por base a assunção de uma visão de comunicação-macro, organizacional. Em princípio devemos compreender que a base geral do que ocorre de modo sistemático na organização, a comunicação que ocorre em seu interior e entre ela e seu meio ambiente, provém da comunicação de forma mais ampla. A reprodução do fazer, então, não deve superar a visão de conjunto que propicia a comunicação integrada.Entendemos como comunicação organizacional, ou integrada, a área do pensamento a partir da qual se podem refletir as ações mercadológicas e que simultaneamente lhes dá base de sustentação. Nesse campo encontramos o fazer-saber, que fundamentalmente deve ser amparado por uma permanente busca de conceitos, de teorias, de instrumentos de mensuração (Quadro 1). Aí devemos encontrar um forte trabalho de pesquisa desenvolvido pela academia e que vá ao encontro da realidade de mercado.

Todavia não se pode desconsiderar a área de ação, ou de realização: Relações Públicas, que, segundo Carlos Bonilla, diretor de Comunicação da Aeroméxico “é o conjunto de atividades destinadas a promover de forma ordenada entre a organização e cada um dos setores sociais, a razão de ser e a o objetivo dessa disciplina é a mútua, permanente e recíproca compreensão e solidariedade de caráter econômico e sócia, em concordância com a finalidade geral da organização”. A Relações Públicas cabe o saber-fazer, a sistematização do processo de aplicação das diversas ferramentas ou instrumentos – tradicionais ou relacionadas às novas tecnologias – que permitem, pela utilização de uma atividade-meio, o planejamento estratégico, que segundo Djalma P. Rebouças “é o processo administrativo que proporciona sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida péla empresa, visando ao otimizado grau de interação com o ambiente e atuando de forma inovadora e diferenciada”.Como objeto-fim do processo comunicacional desenvolvido pelas organizações é a busca pela opinião pública favorável, o equilíbrio entre os objetivos da organização e dos públicos com os quais interage.

Assim, antes de tudo a comunicação na organização deve ser vista como uma ação processual e de resultados integrados, mesmo que isso não seja a visão original. Quaisquer ações, sejam de fundo mercadológico, institucional ou interno repercutirão umas sobre as outras, mesmo que não exista uma intencionalidade.Qual deve vir primeiro: o planejamento estratégico geral da empresa ou o planejamento estratégico de comunicação? Uma questão tão complexa quanto simultânea. De acordo com o presidente e CEO da Burson-Marsteller no Brasil, Ramiro Prudêncio os comunicadores “deveriam estar na mesa junto aos CEOs das empresas quando eles tomam decisões e não ser simplesmente executores ou comunicadores de suas decisões.” E ainda segundo ele, aos profissionais de comunicação cabe “ser formadores dessa decisão (…) trabalhando junto à esfera mais alta da organização, para que os CEOs possam considerar previamente os efeitos e os impactos comunicacionais de qualquer decisão que tomem.”À pergunta, então, nos parece que a resposta seja mesmo de uma não-hierarquia, de uma visão simultânea e complementar.

Não deve existir planejamento estratégico empresarial sem que se leve em conta as características dos processos comunicacionais e o planejamento comunicacional não se pode furtar à visão global, à visão do todo da organização. Assim, mais do que hierarquia ou temporalidade, nos parece que o fundamental seja a complementariedade.

autor: LUIZ ALBERTO DE FARIAS
fonte: http://portaldacomunicacao.uol.com.br/

Conceito técnico (até início da década de 90)“A diagramação é uma arquitetura de formas. É uma arte artesanal cujo resultado(..)nos dará a mensagem da comunicação visual, qualitativamente distinta da mensagem específica de cada componente da mesma página. É a comunicação linear consagrando o dinamismo pela associação de imagens.”
Clara Conti

Diagramar é criar e executar, segundo as linhas fundamentais do planejamento gráfico e de acordo com critérios jornalísticos e artístico-visuais, a distribuição gráfica das matérias a serem publicadas em veículo impresso e prepará-las para as oficinas.

De forma geral, diagramar consistia em:

1. Elaborar ráfis e/ou layouts para o material recebido pelo editor, depois de ter discutido com ele, quando necessário, possíveis alterações;
2. Calcular o espaço que as diversas matérias ocupariam quando impressas, adequando-as ao espaço real existente, mediante cortes e acréscimos sugeridos pelo/ao editor;
3. Riscar o diagrama (ou espelho) com as representações específicas para as matérias;
4. Marcar nos originais de texto, família, corpo, entrelinhado, número de paicas e todos os outros recursos que se queria utilizar;
5. Marcar também nos originais de ilustrações o tamanho de sua reprodução e as características com que serão impressas;
6. Retrancar todos os originais e os espaços onde foram representados no diagrama, liberando-os para as oficinas. (Retrancar, neste contexto, era colocar nos originais e no diagrama indicações que linquem o material com a página correta).

Hoje, diagramador e editor devem se reunir para desenhar a página antes de qualquer matéria ser escrita. Com a técnica de pré-diagramação, o editor sabe exatamente quantos caracteres escrever e as proporções das fotos ou desenhos.

Primórdios da diagramação no Brasil

“Diagramação é a consciência dos elementos gráficos com a estética, o liame (ligação) entre a técnica do jornal e a arte de apresentação. Em outra palavras, a diagramação busca dar o padrão de representação gráfica, ligando harmonia e técnica.”
Juarez Bahia

“Muito nova,(…) é a diagramação no Brasil. Durante a Segunda Guerra Mundial, um novo padrão de gosto circulou aqui nas revistas que relatavam o esforço de guerra, impressas em português nos Estados Unidos. O prestígio das técnicas de diagramação data desse tempo; em particular, de 1941, quando o argentino Guevara veio ao Brasil para trabalhar no jornal Meio Dia. Antes disso, os secretários de jornal costumavam entregar à oficina um boneco (ou boneca), espelho falso desenhado em uma lauda com oito dobras ou traços verticais, querendo marcar as colunas. Ali figuravam os títulos principais, mas não havia possibilidade de cálculo gráfico e a unidade da página se prejudicava. Toda vez que se impunha obedecer ao boneco, eram inevitáveis os cortes com remissão a outras páginas. A escolha de tipos cabia ainda em geral à oficina, de vez que não vigoravam padrões de uniformidade tipográfica.

“O boneco é, de certa forma, uma técnica pré-industrial que fica entre a antiga paginação (presa à tradição de raízes medievais, atulhada de regras mais ou menos arbitrárias e repetidas sempre, com zelo, sem críticas, pelo artífice-paginador das ramas), e o moderno planejamento visual, que leva em conta os elementos estéticos e semânticos do discurso gráfico, com aberturas para a inovação e a definição orgânica de estilos. De resto, na antiga oficina em que se paginava pelo método tradicional, a própria estrutura industrial impediria a fabricação de produto diferente: a qualidade da empresa se media pelo tamanho do catálogo de tipos, fios e enfeites. Apesar das linotipos, serras e calandras, predomina um espírito artesanal que continuava a própria aventura boêmia do jornalismo.

“A diagramação dos argentinos também não representou um passo definitivo. Ainda na década de 50, predominava uma ditadura que propunha um duvidoso conceito do “belo” sobre a conveniência funcional do veículo. Caso muito comum era desenhar o diagrama da primeira página na antevéspera para dar tempo à desaparelhada oficina de realizá-lo, assim transferindo ao talento do secretário a incumbência de colocar na grande manchete ou no pequeno título as matérias do dia, houvesse ou não matérias que merecessem tanto ou tão pouco destaque.

“Na mesma época de 50, as técnicas de diagramação avançaram pouco a pouco, sobretudo nas revistas ilustradas, com o lançamento de Manchete e as formas gráficas de O Cruzeiro. Mas o episódio marcante foi, sem dúvida, a renovação do Jornal do Brasil, inspirada em modelos formais da arte concretista e com certa preocupação funcional que não esqueceu os novos estilos de redação, a valorização das fotografias e o aprimoramento do cálculo gráfico, de modo a eliminar cortes e espacejamentos. A maioria dos jornais brasileiros adotou a diagramação a partir dos êxitos alcançados, em prestígio e eleitores “de qualidade”, pelo Jornal do Brasil.

“A grande invenção do Jornal do Brasil foi despojar o espaço do jornal de elementos estéticos irracionais, que apenas acrescentavam ruído à informação léxica. Os postulados dessa diagramação, no entanto, com as limitações mesmas da escola artística que a gerou, aproximam-se em demasia de uma camisa-de-força atando a criatividade. Observe-se que o Jornal do Brasil, tanto o que foi planejado por Amilcar de Castro, quanto o que se faria posteriormente, com contribuições de Reinaldo Jardim, Alberto Dines e outros, incorpora muitos dois princípios defendidos por Jack Z.Sissors, professor de Jornalismo da North-Western University, em artigo no The Bulletin. Ora, esses princípios derivam servilmente da arte grega e nada há que os torne imperiosos. Na realidade, tanto do ponto de vista artístico quanto de uma perspectiva mais própria da comunicação, pouco importa se consideramos o estilo de O Dia, de O Globo, do Jornal do Brasil, do Jornal da Tarde ou dos tablóides sulinos como Zero Hora; sempre há que se fazer bem feito o trabalho. (…)”

* MATTOS, Manoel José de. Percepção e diagramação criadora. In: Comum, Rio de Janeiro, julho/setembro de 1978, v.1, nº3, p.6

Breve retrospectiva da diagramação no Brasil

Início dos anos 40

* O argentino GUEVARA veio ao Brasil para trabalhar no jornal MEIO-DIA, no Rio, em 1941. Tenta introduzir o cálculo de texto.
* Ele e mais outro argentino, Parpagnoli, constituíram a chamada “escola argentina” de paginação no jornalismo brasileiro.
* A escola argentina era uma imitação de escolas clássicas como inglesas e francesas. Usavam e abusavam de ornamentos e negativos, grisês, excessos de fios, boxes etc.
* Ainda no final da década de 40 e meados de 50, a lauda padronizada era raridade e a contagem praticamente inexistia.

Início dos anos 50

* Aparece a escola CONCRETISTA. Desenvolve-se entre artistas soviéticos no início do século e se caracteriza pela disposição RIGIDAMENTE FORMAL do espaço, das massas e dos volumes, e com a utilização de materiais e técnicas industriais modernas (plásticos, vidros etc). É o despojamento, a simplificação da apresentação e arranjo dos recursos gráficos.
* Valoriza-se o branco. Eliminam-se vinhetas, fios e enfeites.
* Revistas brasileiras foram as primeiras a receber influência, em especial a Manchete, em 1955, que inspirou a reforma do JB, marcando o início verdadeiro da valorização da linguagem visual no país.
* “A origem de tudo está na experiência espacial dos artistas concretos(…)”, diz Gullar.

Final da década de 50

* Mudanças propostas e colocadas em prática por AMILCAR DE CASTRO, um escultor brasileiro que circulava por galerias de arte americanas.
* Castro foi descoberto por OTTO LARA RESENDE, seu colega na Faculdade de Direito de Belo Horizonte, que o levou para a revista Manchete.
* O despojamento gráfico aparece no jornal diário com a reforma do JORNAL DO BRASIL na fase de Odylo Costa (filho). JANIO DE FREITAS leva Castro para o JB. A inspiração de Amilcar é a paginação do Paris-Match. (Não esquecer a leitura obrigatória: LESSA, Washington Dias. Dois estudos de comunicação visual. Rio de Janeiro: Univ. Fed. Rio de Janeiro, 1995. (1ª parte)

Obs. A possibilidade do cálculo gráfico — o pré-estabelecimento do tamanho que os textos ocuparão na página — só se configurou após a adoção generalizada das LAUDAS.

As mudanças implantadas por Amilcar de Castro

* propõe páginas com a verticalidade da composição num confronto com a horizontalidade;
* cria jogos de matérias simétricas com outras assimétricas;
* retira quase todos os fios;
* amplia o claro (canal) entre as colunas;
* adota títulos em caixa baixa;
* padroniza o tamanho e tipo de fontes;
* matérias e títulos sem dobras ou joelhos que prejudiquem a forma retangular da composição;
* no projeto original, as matérias não passariam de uma lauda e meia (na tipografia, resultava retângulos próximos à proporção áurea, em duas colunas)
* uso da lauda padrão de 30 linhas com 72 batidas;
* valorização do material fotográfico, cuja retícula escura servia para trabalhar o equilíbrio estético.

fonte: http://www.meiradarocha.jor.br/index.pl/diagramacao
compilação: José Carlos Hofmeister

Você se lembra do filme “Quanto mais idiota, melhor”, quando Wayne vai tocar guitarra numa loja e o vendedeor aponta um cartaz dizendo “É proibido tocar Stairway to Heaven”?Pois quando você for usar a fonte tipográfica AvantGarde, lembre-se que estará fazendo como Wayne.

Esta fonte é muito bonita, muito bem desenhada (criação de Herb Lubalin, grande tipógrafo e editor de arte). Mas está embutida em todas as impressoras PostScript desde 1986 e é a única fonte decorativa “de uso geral” no conjunto básico destas impressoras. Então, todo o mundo usa. Além disso, costuma ficar no alto das listas de fontes, nos programas de editoração, o que facilita sua escolha por quem está com preguiça de escolher uma das mil fontes do Corel Draw. Sempre que alguém quis usar uma fonte “bonitinha”, usou AvantGarde. Pois bem: CHEGA! Não agüento mais AvantGarde em qualquer folheto ou cartazinho de firma. Ela está sobreutilizada! Over! É bonitinha mas ordinária.

“Ai, mas eu acho tão bonitinha…”

Segundo o tipógrafo Tony DiSpigna, parceiro de Lubalin, a primeira vez que a fonte foi usada, na logotipia da revista Avant Garde (1968), foi uma das pouca vezes em que ela foi usada bem. Ed Benguiat, outro monstro da tipografia e amigo de Lubalin, já disse: “o único lugar em que a fonte AvantGarde fica bem é nas palavras Avant Garde. Todo o mundo arruína ela”.

Entre os arruinadores, estão a Rede Globo, que desde os anos 70 usa AvantGarde em logotipos. Como o do Jornal da Globo, por exemplo, ou da própria empresa.

Para mim, o grande problema dela (além de ter um temperamento muito duro, seco) é que as minúsculas todas são muito parecidas, todas redondinhas, desenhados com compasso. Isso faz a leitura ficar muito prejudicada, pois os olhos não conseguem diferenciar muito uma letra da outra. Isso diminui a velocidade de leitura e torna o prazer de ler, um suplício.

Se você leu sem problemas estes dois parágrafos, então você não tem AvantGarde instalada em seu micro. Parabéns.

Lembre-se, então: daqui para a frente, use qualquer coisa, menos AvantGarde (ou Avalon, como a Corel chamava sua versão, ou AvantGarde Bk BT, como a Bitstream chama a sua). Use, até mesmo, a Futura, mas não use AvantGarde.

Saiba mais sobre a história desta fonte no link abaixo.

Caro Fred, e todos os que querem usar AvantGarde

fonte:http://www.meiradarocha.jor.br
autor:José Antonio Meira da Rocha

O visual pode até ter evoluído graças à magia da computação, mas o fato é que os apelos dos comerciais de TV continuam os mesmos desde a época em que dona Hebe brincava de amarelinha. Para provar a teoria, aí vão dez itens que só acontecem no mundinho perfeito das propagandas!

1. As mulheres têm cabelos lisos, brilhantes – Até parece que o Brasil não é o país da mistura de raças! As garotas-propaganda, principalmente de xampu, são sempre arianas.

2. Os aparelhos de barbear são voadores – Esse é um fenômeno para ufólogos: por que os aparelhos de barbear vêm voando para a mão do homem? E que homem fica na frente do espelho sorrindo e passando a mão no rosto?

3. Café da manhã é sempre em família – Papai, mamãe e irmãozinhos sentam-se felizes à mesa posta com capricho. Na nossa casa, cada um acorda num horário diferente e já não há duas xícaras iguais há décadas.

4. Mulher? Só com aliança na mão esquerda – Para poder pegar no pote de margarina ou na caixa de sabão em pó, mulher tem de ser casada. E também tem de usar roupas chiques e em tons pastel para fazer faxina.

5. Carros só andam em estradas lindas – Automóveis, em propagandas, não pegam trânsito nem caem em buraco. As estradas são sempre livres e limpas. Ou encontram-se no meio do mato e perto de cachoeiras.

6. Provedores de internet são ultra-rápidos – O jeito mais fácil e rápido de conectar com a rede é através de comerciais de TV! As linhas não dão ocupado, o download não cai no meio… Só no concorrente, claro.

7. Doentes são sempre impecáveis – Os enfermos, sejam de dor de cabeça, garganta ou gripe, permanecem arrumados e penteados, mesmo sofrendo. Camiseta de político, meião e nariz escorrendo não têm vez.

8. Mulher que usa absorvente é triatleta – Quando estão “naqueles dias”, as mulheres costumam ter disposição para nadar, correr, dançar, andar de bicicleta e trabalhar, tudo em 24 horas. Fora que elas menstruam azul.

9. Pratos como no restaurante – Pode ser o mais simples arroz-feijão-farofa: em propagandas, as comidas recebem até folha de salsinha para enfeitar! E os sanduíches perfeitamente montados, então?

10. Porta de banco nunca trava – Comercial de banco é uma beleza. Todo mundo entra e sai feliz, não tem fila, o gerente vive de bom humor e as portas nunca travam. Isso sem contar que sempre tem café fresquinho pra servir…

fonte: Revista Época – edição 276




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