Você sabe o que é podcast? Se não sabe, convém se acostumar à palavra. Ela está se alastrando com uma velocidade espantosa pelo ambiente corporativo – inclusive no Brasil. É uma febre mundial, a reengenharia da vez. Só que bem mais divertida e muito mais útil. Podcast é um programa de rádio em MP3 que qualquer pessoa, com ajuda de softwares apropriados, pode fazer, baixar da internet e ouvir no computador, no laptop e nos tocadores de música digital (como o iPod). A mania foi inventada pelo americano Adam Curry, ex-VJ da MTV, no meio do ano passado. Por seu caráter alternativo e caseiro de divulgação de idéias, ela logo de cara conquistou o pessoal ligado à música independente. Mas em pouco tempo emergiu da cena “underground†e contaminou gente dos mais variados perfis. O presidente George Bush tem podcast. O Vaticano e governador do futuro Arnold Schwarzenegger também.
Duas coisas facilitaram essa disseminação. Primeiro, os pilares que sustentam a filosofia do podcast: personalização (um para cada tipo de ouvinte), conveniência (ouça quando e onde quiser) e multifuncionalidade (ouça enquanto faz outras coisas). E segundo, uma tecnologia que permite assinar podcasts (como revistas). Assim, você recebe automaticamente no computador os novos episódios, conforme eles vão sendo jogados na internet. E sem custo, porque, por enquanto, podcast é de graça. Dadas as devidas explicações técnicas, vamos ao que interessa: a onda chegou à s grandes corporações. Especialistas dizem que, para as empresas, em curtÃssimo prazo, ter podcast será tão essencial quanto ter um website. “Já existem 15 mil podcasts atualizados de maneira regular atualmente. E surgem mil novos por semanaâ€, afirma Walter Longo, fundador da PodCasting Brasil e um dos pioneiros da produção de podcasts no PaÃs.
No exterior, as primeiras a aderir foram companhias de comunicação como Fox News, ESPN e BBC, que transformaram programas de rádio e TV em podcasts. Agora, uma segunda leva começa a se valer da novidade, mas como ferramenta de marketing. Nestlé, Whirlpool, GM e Disney (leia no quadro abaixo) já têm podcasts. “É um jeito ótimo de manter uma conexão emocional com nossos clientesâ€, avalia Audrey Reed-Granger, diretora da americana Whirlpool (dona das marcas Cônsul e Brastemp no Brasil). Seu podcast, “The American Familiyâ€, trata de temas como educação dos filhos, carreira, saúde e casamento.
O momento é de conquistar territórios temáticos. “A Nestlé quer ser referência em podcast de nutrição, a Roche em cardiologia e assim por dianteâ€, exemplifica Longo, da Podcasting Brasil. Sua empresa vem planejando podcasts para Itaú, Nestlé e uma gigante de materiais esportivos. Outra empresa, a BroadBrand, especializou-se em produzir podcasts corporativos. Na lista de clientes estão Volkswagen, Degussa (multinacional alemã do setor quÃmico) e outros cujos nomes ainda são secretos: um banco, uma fabricante de bebidas e uma rede de academias de ginástica. “O podcast pode ter inúmeras funções, não precisa se restringir ao marketingâ€, diz Guilherme Athia, fundador da BroadBrand. “Estamos desenvolvendo um para treinar funcionários. Ele será ouvido no refeitório da fábrica e nos ônibus que levam o pessoalâ€, afirma.
Para a Volkswagen, a BroadBrand criou o podcast de um campeonato de surf patrocinado pela montadora. É uma mistura de música com dicas de turismo. “QuerÃamos que os jovens tivessem uma experiência diferente com a nossa marca, uma experiência lúdica, marcanteâ€, comenta Herlander Zola, supervisor de propaganda e webmarketing da Volks. Ele diz que, em apenas cinco dias, o número de acessos ao site da companhia cresceu 50%. “O podcast tem uma caracterÃstica de disseminação viral. O boca-a-boca entre os usuários é enormeâ€, diz Marcelo Toledo, diretor de marketing da Kaiser. A cervejaria realizou uma promoção na qual recebia podcasts feitos por internautas do PaÃs todo. Mais de mil foram enviados, e o website da empresa bateu recordes de visitação: os acessos saltaram de 15 mil para 60 mil por mês. “As pessoas passaram a ter uma experiência inovadora com a marca, que ficou mais simpática, mais próxima do consumidorâ€, avalia Toledo.
Quanto custa ter um podcast? Nada, se sua empresa produzi-lo internamente (e é algo bem fácil). Ou cerca de R$ 5 mil, se você quiser uma produção mais caprichada. Mas é bom correr, porque esses preços devem ser apenas de inÃcio de temporada.
autor: CHRISTIAN CARVALHO CRUZ
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