O brasileiro não tem o costume de sair de casa para comprar cuecas. Se as compra, faz por pura necessidade, já que não encontra nenhum apelo emocional agregado ao produto. Isso porque, por mais estranho que pareça, quase não há comerciais de cuecas voltados ao público masculino. A comunicação dirigida a esse segmento usa com freqüência modelos masculinos para atrair o público feminino.
Com isso, as mulheres tornam-se o real público-alvo das campanhas e os homens, os consumidores do produto. De fato seria difícil de contextualizar propagandas de cueca com a linguagem utilizada, por exemplo, em comerciais de cerveja: entra em cena o humorista Bussunda usando a marca de cuecas “X”, cercado de mulheres, dizendo frases do tipo “Cuecas ‘Y’? Fala sério…” ou “Essa é a boa…”.
Algumas ações de marketing, quando desenvolvem identidade própria para produtos ou serviços visando enquadrá-los em um segmento de mercado específico, tendem a direcionar arbitrariamente a comunicação de modo a extrapolar as fronteiras da relação direta entre produto e consumidor. O que acaba criando uma categoria de bens de consumo anunciados para um público que não irá consumi-los de fato.
Diogo Felipe Biehl é criativo da Inteligência Soluções em Marketing.
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